Exemplo para Flávio Bolsonaro, governo Milei coloca 45% dos trabalhadores da Argentina na informalidade
Por Redação — Brasil de Fato
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Em quase três anos de governo de Javier Milei, a informalidade na Argentina atingiu 45% dos trabalhadores. Os dados correspondem ao segundo trimestre de 2026, divulgados nesta segunda-feira (12) pelo Observatório Econômico e Social da Universidade Nacional de Rosário (UNR), com base na Pesquisa Permanente de Domicílios (PPD) do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censo da Argentina).
A pesquisa mostra um crescimento constante da informalidade no país, desde o início do governo de extrema direita. No final de 2023, o índice era 41,4%. Algumas regiões são mais atingidas.
O Norte da Argentina tem as maiores taxas, com a média de 80%. Na capital, a informalidade é de 26%, enquanto nas regiões ao redor de Buenos Aires, ela chega a 47,5%.
Os resultados regionais explicam que os empregos estáveis foram mais fortemente impactados nos cinturões industriais densamente povoados, além das economias regionais mais frágeis.
O aumento do emprego informal na Argentina faz parte de um cenário macroeconômico recessivo caracterizado pelo ajuste fiscal, pela queda no consumo interno e pela desregulamentação das atividades econômicas promovida pela administração de Javier Milei.
A expansão do emprego precário está diretamente correlacionada com as transformações estruturais na composição do emprego. Entre 2023 e 2026, a participação dos trabalhadores assalariados no emprego total diminuiu, caindo de 73,7% para 70,5%. Enquanto o trabalho por conta própria não registrado expandiu de 22,6% para 25,5% .
Segundo o levantamento, os 65,8% de trabalhadores autônomos urbanos trabalham informalmente. Entre os que recebem remuneração fixa, 37,9% não contam com benefícios.
O serviço doméstico encabeça a lista de atividades com maior incidência de emprego informal, com uma taxa de 77,4%. Em segundo lugar, está a construção civil, com 76,2%. No setor de hotéis e restaurantes, a informalidade chega a 63,9%, e no comércio, 54,7%.
A situação ocorre após três anos de implementação do Plano Motosserra do governo Milei, cuja justificativa era resolver os problemas da economia argentina, dentre os quais a inflação e a burocracia.
Dentre as medidas, foram aplicadas a redução das obras públicas; corte do subsídio à energia (gás e luz) e aos transportes (tarifas de trens e ônibus); desvalorização da moeda e redução dos repasses federais às províncias.
Quase três anos depois, além do fechamento de empresas, o país tem mais de 30% da população na pobreza e uma taxa crescente de trabalhadores informais.
A coordenadora econômica da campanha bolsonarista, Daniella Marques, já afirmou que o plano de governo do senador do PL se inspira nas mudanças realizadas pelo governo Milei.
“Vamos usar de inspiração no que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina”, disse Marques durante evento do Esfera Brasil, em setembro.
Segundo ela, Milei é um “ótimo exemplo” na capacidade de voltar a atrair investimentos, redução de burocracias e impostos.
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Fonte: Brasil de Fato