Exclusivo: Flávio Bolsonaro e ‘Neymar Pai’ cobravam recursos de Vorcaro, indicam mensagens
Por Sergio Lirio — Carta Capital
Menu
Em 2025, Thiago Miranda disse ao banqueiro que os dois cobravam uma solução para as negociações envolvendo o filme ‘Dark Horse’ e um acordo com o Santos
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o Banco Master mostram que Flávio Bolsonaro (PL) e Neymar da Silva Santos , pai do jogador do Santos, Neymar Jr., pressionavam pela liberação de recursos negociados com Daniel Vorcaro . O registro aparece em uma conversa de 11 de fevereiro de 2025, na qual o lobista e publicitário Thiago Miranda , que fazia a interlocução com o banqueiro, relata a Vorcaro que estava sendo cobrado pelos dois.
Na conversa, Miranda primeiro diz que precisava da ajuda de Vorcaro para resolver “a questão do filme e do Santos” e afirma que os dois assuntos não haviam avançado. Na sequência, escreve: “Flavio B e Neypai estão me cobrando” . Vorcaro responde chamando Miranda para conversar.
A conversa ajuda a esclarecer a conexão entre duas negociações distintas que envolviam Vorcaro no início de fevereiro de 2025: o financiamento de Dark Horse, filme-propaganda da trajetória política de Jair Bolsonaro (PL), e uma possível parceria comercial envolvendo o Santos Futebol Clube e Neymar .
As mensagens mostram que, naquele período, Miranda atuava como uma espécie de intermediário entre Vorcaro e os interessados nas duas negociações. Em 1º de fevereiro de 2025, o lobista já havia procurado Vorcaro para tratar de uma “demanda do Neymar”. Na mesma conversa, afirmou que havia estado com Flávio Bolsonaro no dia anterior.
Em 3 de fevereiro, Miranda informou a Vorcaro que estava organizando uma reunião na casa do banqueiro com Neymar Pai , além de outras pessoas ligadas ao jogador. Segundo a conversa, Neymar poderia participar do encontro dependendo do horário em que deixasse o centro de treinamento do Santos.
Dois dias depois, em 5 de fevereiro, foram encaminhadas a Vorcaro cartas de intenção relacionadas ao Santos e a Neymar. Um dos documentos previa uma proposta de 15 milhões de reais pelo uso da marca do banco em três espaços do uniforme do clube.
Contrato anexado no relatório da PF sobre o Banco Master. Foto: Reprodução
No dia seguinte, 6 de fevereiro, Miranda voltou a tratar do assunto com Vorcaro e afirmou que Neymar Pai queria levar o jogador para conversar pessoalmente com o banqueiro . A mensagem também indica que Miranda deixaria a discussão sobre Neymar para uma conversa presencial, por causa dos valores envolvidos.
Na mesma época, avançavam as tratativas relacionadas ao filme Dark Horse . O projeto, produzido para contar a trajetória de Jair Bolsonaro, já havia recebido recursos de Vorcaro. Em maio de 2026, o Intercept Brasil revelou mensagens que mostram Flávio Bolsonaro cobrando do banqueiro pagamentos para a produção . Os repasses relacionados ao filme chegaram a 61 milhões de reais.
O conteúdo das mensagens sobre o patrocínio foi revelado inicialmente pelo site Fatos Online e confirmado por CartaCapital junto ao relatório da Polícia Federal que integra a investigação sobre o caso Master.
Na manhã de 11 de fevereiro, Miranda escreve a Vorcaro que precisava de sua ajuda para solucionar as pendências relativas ao filme e ao Santos. Em seguida, informa: “Flavio B e Neypai estão me cobrando.”
Na sequência, Vorcaro responde “Fala irmão” e, poucos minutos depois, envia uma mensagem de aniversário a Miranda, encerrando o trecho reproduzido no documento.
O material, porém, não permite concluir, por si só, que Neymar ou Neymar Jr. tenham efetivamente se reunido com Vorcaro , nem que as negociações tenham sido concluídas nos termos discutidos. A mensagem também não especifica qual valor estava sendo cobrado por cada uma das partes.
CartaCapital procurou a NR Sports, empresa da família de Neymar, mas não teve retorno até esta publicação. O espaço segue aberto.
Sergio Lirio
Redator-chefe da revista CartaCapital
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Desenvolvido por OKN Technology Agency
Fonte: Carta Capital