Ex-bolsonaristas e adversários históricos do PT alertam contra Flávio Bolsonaro e declaram voto em Lula

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Por henriquenunes — Fundação Perseu Abramo

A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República enfrenta a rejeição pública de figuras que ajudaram a eleger seu pai e a sustentar o governo bolsonarista. A ex-deputada Joice Hasselmann, o general Santos Cruz e o deputado e pastor Otoni de Paula estão entre os antigos aliados que romperam com o bolsonarismo e passaram a fazer duras críticas à família.

A oposição ao senador também alcança adversários históricos do PT, como o jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. As declarações expõem a resistência à candidatura de Flávio dentro da própria direita, com alertas sobre extremismo, ameaças à democracia e riscos à soberania nacional.

Reale alerta que votar em Flávio é legitimar o golpe

Ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso e coautor do pedido que resultou no impeachment de Dilma Rousseff, Miguel Reale Júnior associa a eleição de Flávio à aprovação das tentativas de ruptura institucional.

“Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício”, escreveu o jurista.

Reale aponta a intenção de anistiar os responsáveis pela tentativa de golpe, a começar por Jair Bolsonaro, como uma das razões para rejeitar a candidatura do senador.

“Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia”, afirmou.

O jurista também declarou voto em Lula no segundo turno. Em entrevista à Folha de S.Paulo, defendeu a escolha como necessária à preservação da democracia, do Estado de Direito e da soberania nacional.

Santos Cruz condena o extremismo e a submissão aos EUA

Ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, o general Santos Cruz faz críticas ao próprio modelo político bolsonarista e rejeita sua identificação com a direita.

“Eu me considero de direita. Isso aí que a gente vê, esse extremismo. Isso aí não é direita, isso se chama vigarice”, declarou.

Ao criticar a busca de interferência dos Estados Unidos na política brasileira, o general também questionou o discurso de patriotismo da família Bolsonaro.

“A busca de interferência é traição. Nem sei se tem na legislação um enquadramento para isso”, afirmou. Em outro trecho, acrescentou: “A busca de apoio externo, da maneira como foi feita, é um absurdo e realmente um ataque à soberania do Brasil. É submissão voluntária”.

Joice e Otoni apontam corrupção e ligações com milícias

“Gente, eu conheço Flavio Bolsonaro desde antes da campanha de 2018. Só quero avisar os senhores e senhoras: ele é bandido da pior espécie.” A declaração foi publicada por Joice Hasselmann no X em 18 de outubro. Ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso, ela se tornou uma das críticas mais contundentes da família.

Otoni de Paula, também ex-aliado do senador, afirmou em maio que a eleição de Flávio seria “um perigo para essa nação” e o chamou de “batedor de carteira”. No mesmo depoimento, acusou o candidato de articular contratos e nomeações em hospitais do Rio de Janeiro e mencionou a atuação de milicianos nessas unidades.

“Sabe quem comandava o estacionamento do hospital federal? A milícia. Não era o tráfico, não. A milícia comandava o estacionamento do hospital. O Flávio era o agente político que organizava os hospitais. Tudo passava por ele. Contrato passava por ele. Contratações passavam por ele. Os cargos passavam por ele”, afirmou.

Em outubro, Otoni declarou voto em Lula e disse considerar sua eleição fundamental para o país, diante do perigo representado pela candidatura adversária.

Os depoimentos integram uma compilação com ao menos 22 nomes, entre antigos integrantes do governo e das campanhas bolsonaristas, articuladores do impeachment de Dilma e lideranças da direita. A lista inclui ainda o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, a senadora Soraya Thronicke e João Amoêdo, fundador do Novo.

Confira os depoimentos e as fontes de cada declaração

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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