EUA preparam envio de frota de drones para a América do Sul para reforçar operações militares

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O Exército dos Estados Unidos se prepara para transferir uma frota de aeronaves não pilotadas MQ-9 Reaper do seu comando militar focado no continente africano (US Africa Command) para o comando responsável pela América do Sul (US Southern Command). A movimentação de equipamentos de alta tecnologia militar visa estruturar operações supostamente contra o narcotráfico e ações qualificadas por Washington como “antiterrorismo” na região sul-americana, informa a CNN.

A transferência deve abranger a maioria dos drones MQ-9 atualmente operados em solo africano. As aeronaves, projetadas tanto para o recolhimento de inteligência estratégica quanto para a execução de ataques aéreos de precisão, antecedem o início programado de ações militares diretas na América do Sul. Entre os alvos previstos estão incursões no Equador, país que já iniciou operações militares conjuntas com forças norte-americanas contra organizações classificadas pela administração de Washington como grupos terroristas.

A realocação de recursos ocorre em um contexto de reordenação das prioridades globais do Pentágono sob a gestão do presidente Donald Trump. No ano passado, o governo norte-americano deslocou um contingente reforçado de aeronaves MQ-9, caças F-35 e aviões de ataque AC-130 para a região do Caribe, sob a justificativa de combater embarcações suspeitas de tráfico ilícito de entorpecentes.

Paralelamente, relatórios indicam que o governo dos EUA produziu uma parecer jurídico secreto por meio do Escritório de Assessoria Jurídica do Departamento de Justiça. O documento autoriza o presidente a ordenar o uso de força letal sem revisão judicial prévia contra alvos listados em cartéis e redes de narcotráfico, classificando suspeitos como “combatentes inimigos” sob a alegação de ameaça iminente à segurança nacional.

A nova fase da estratégia foca no fortalecimento do apoio logístico e operacional em terra. Durante conferência no Panamá, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ressaltou parcerias com o Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia. No caso colombiano, o governo do presidente Abelardo de la Espriella acertou o empréstimo de três unidades do drone MQ-9A Reaper com as autoridades americanas, destinados ao monitoramento de corredores marítimos e à condução de eventuais bombardeios operacionais. Além disso, a Embaixada norte-americana no Panamá confirmou a entrega de mais de US$ 6 milhões em sistemas de drones de longo alcance para a vigilância de fronteiras remotas do país.

As movimentações operacionais no hemisfério ocidental foram estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa de Washington como prioridade máxima de segurança, suplantando a alocação de recursos na África. Líderes militares norte-americanos, contudo, demonstraram preocupação de que o esvaziamento de ativos na África possa enfraquecer o combate a grupos extremistas locais, como o Estado Islâmico e o al-Shabaab. Há também discussões para o eventual remanejamento de parte das unidades para o Oriente Médio, visando repor perdas de equipamentos registradas na região.

Especialistas e agentes de segurança questionaram a efetividade real e duradoura da campanha militar na América do Sul. Nos últimos meses, ações aéreas promovidas pelas forças norte-americanas no Caribe e no Pacífico Oriental resultaram em pelo menos 230 mortes. Analistas apontam que ataques dessa natureza contra pequenas embarcações possuem caráter meramente “performático”, visto que os métodos e rotas dos cartéis internacionais adaptam-se rapidamente à presença militar. Recentemente, Washington alterou parte do protocolo operacional para realizar a interceptação de barcos, rendição e custódia de tripulações para posterior transferência a países aliados. O Exército dos EUA, contudo, prossegue executando ataques letais diretos, tendo confirmado a morte de três tripulantes em uma incursão no Caribe no início deste mês. O Pentágono preferiu não se manifestar sobre as transferências.

Fonte: Brasil 247

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