EUA evitam dar ‘presente eleitoral’ para Lula e negociação de tarifas patina
Por Jamil Chade — ICL Notícias
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
Num esforço para preservar todas suas opções, o governo do Brasil vai questionar as autoridades americanas nesta sexta-feira sobre a legalidade das tarifas cobradas contra os produtos nacionais. Uma delegação brasileira irá apresentar cerca de 50 perguntas aos EUA numa reunião na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.
O processo não se esgota na Suíça. Dias depois da consulta desta sexta-feira, Brasil e EUA devem manter uma reunião ministerial em território americano, justamente para avaliar a possibilidade de uma aproximação na questão das tarifas. Mas poucos no Itamaraty apostam em um avanço às vésperas da eleição no Brasil.
Negociadores admitiram ao ICL Notícias que pouco avanço foi registrado nas últimas conversas. De um lado, o governo Trump não iria dar um “presente eleitoral” para Lula e anunciar um acordo comercial com o Brasil neste momento. De outro, sabem que, no caso de uma vitória de Flávio Bolsonaro, teriam maiores facilidades para negociar um acordo de tarifas mais favorável aos interesses dos EUA.
Enquanto isso, o Brasil tenta resguardar seus direitos. Em Genebra, na OMC, o encontro marca o primeiro passo do processo internacional aberto pelo Brasil contra as tarifas de Trump. Se o Itamaraty considerar as consultas como insatisfatórias, o país poderá pedir o estabelecimento de um painel internacional para julgar se as barreiras estão ou não de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio.
No encontro, o governo brasileiro irá cobrar dos americanos uma explicação sobre como as tarifas de 25% e 12,5% impostas contra os produtos do país estariam em consonância com as regras internacionais do comércio. O Brasil irá ainda sinalizar as inconsistências das medidas.
Em 2025, quando uma primeira consulta foi realizada, a reação da delegação americana foi considerada como decepcionante. Os diplomatas dos EUA se limitavam a repetir as palavras publicadas nos decretos oficiais por parte de Trump, sem dar explicações e nem indicar como suas medidas estavam ou não de acordo com as regras do multilateralismo.
Parte daquele pacote de barreiras acabou sendo retirado e a queixa do Brasil na OMC não foi mantida.
No caso das atuais tarifas, o Brasil foi o único país do mundo a iniciar um processo legal em Genebra contra os EUA por conta da denúncia de não controlar a entrada de produtos que teriam sido fabricados usando trabalho escravo.
Ainda que a tramitação do caso possa levar mais de um ano para chegar a um resultado inicial, Brasília considerou que a ação é uma sinalização política importante de que o país continua apostando numa ordem internacional baseada em regras. Trata-se ainda de um gesto de aposta nas instituições e no uso dos mecanismos legais para superar crises entre países, e não a força.
Para a reunião desta sexta-feira, porém, o governo dos EUA não irá permitir a presença da China. Pequim havia solicitado participar das consultas, no que foi interpretado por observadores como um gesto de apoio ao Brasil.
Os chineses consideraram ainda que as medidas afetavam seus produtos na relação bilateral com o Brasil.
Fenômeno começa neste sábado (26) e deve durar até as 18h da próxima quarta (30); Cuiabá pode registrar 41°C
Fonte: ICL Notícias