EUA enviam drone “caçador-assassino” para Colômbia e Equador
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Exército dos Estados Unidos deu início ao deslocamento de aeronaves não pilotadas modelo MQ-9 Reaper para a realização de supostas operações antidrogas e antiterrorismo em territórios da Colômbia e do Equador, informa reportagem do jornal norte-americano The New York Times.
A transferência dos equipamentos militares do continente africano para a América do Sul ocorreu ao longo do último mês e integra a estratégia adotada pelo governo do presidente Donald Trump para ampliar a influência militar dos EUA em países latino-americanos aliados. A movimentação das tropas e aeronaves foi confirmada por dois funcionários norte-americanos sob a condição de anonimato.
Embora o total exato de aeronaves que serão enviadas para Bogotá e Quito não tenha sido divulgado oficialmente, autoridades locais já confirmam o recebimento dos aparelhos. Na semana passada, o ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, declarou em entrevista à imprensa local que duas unidades já estão operando no espaço aéreo equatoriano.
Do lado colombiano, representantes do governo afirmaram no período do verão que concordaram em receber três unidades do modelo MQ-9 Reaper, ressaltando ainda que a Colômbia avalia a compra de mais um drone. Procurado pela reportagem do jornal nova-iorquino, o Comando Sul dos Estados Unidos, órgão responsável por supervisionar as operações militares na região, preferiu não se manifestar sobre as transferências.
Tanto o Equador quanto a Colômbia integram o chamado “Escudo das Américas”, também conhecido como “Coalizão das Américas contra os Cartéis”, uma aliança internacional contra o crime organizado criada pelos Estados Unidos com nações ideologicamente alinhadas ao governo Trump. Os presidentes Daniel Noboa, do Equador, e Abelardo De La Espriella, da Colômbia, concordaram em autorizar a presença e o estacionamento de tropas militares americanas em seus respectivos territórios.
A coalizão iniciou suas atividades no corrente ano com 12 países e já reúne 19 membros. O objetivo formal do grupo é combater as redes de narcotráfico com origem na América Latina que cruzam o continente para fornecer entorpecentes ao mercado norte-americano por meio de cartéis criminosos. A atuação da aliança baseia-se no compartilhamento de inteligência e em operações militares conjuntas, seguindo o modelo aplicado previamente pelos EUA no monitoramento e abordagem de embarcações suspeitas nas regiões do Caribe e do Pacífico.
Conhecido popularmente no setor militar como “caçador-assassino”, o drone MQ-9 Reaper é reconhecido pela capacidade de realizar ataques de alta precisão contra grupos classificados como terroristas, tendo sido empregado em missões contra formações como o ISIS e o al-Shabab na África. A mesma aeronave foi utilizada na operação que culminou na morte do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Qassim Suleimani, em 2020. A frota desse modelo sofreu reduções no mercado após perdas ocorridas no conflito com o Irã, no qual ao menos 45 unidades do equipamento foram destruídas.
Fonte: Brasil 247