EUA deslocam drones de guerra e preparam invasão do Cone Sul

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Por Ana Gabriela SalesGGN

Os Estados Unidos preparam uma nova escalada militar na América do Sul. O governo de Donald Trump planeja transferir para o Comando Sul dos EUA drones MQ-9 Reaper atualmente empregados na África, em uma movimentação que antecede novas operações contra o narcotráfico e organizações classificadas como “narcoterroristas” na região. A informação foi revelada pela CNN nesta sexta-feira (18), com base em relatos de fontes familiarizadas com o planejamento do Pentágono.

A transferência dos equipamentos ocorre enquanto Washington amplia acordos militares com governos latino-americanos, desloca armas e aeronaves para o hemisfério ocidental e prepara operações terrestres em parceria com países da América do Sul. O movimento dá uma dimensão ainda maior à ofensiva de Donald Trump, que transformou o combate às drogas em uma frente de atuação militar direta dos Estados Unidos no continente.

Os MQ-9 Reaper não são apenas aeronaves de vigilância. Os drones são empregados para coleta de inteligência e podem realizar ataques de precisão. Uma das fontes ouvidas pela CNN afirmou que a transferência poderá envolver “a maioria” dos equipamentos atualmente vinculados ao Comando dos EUA para a África. O Pentágono não comentou oficialmente o planejamento.

Realocação de recursos e operações no Equador

Ainda não está definido quantos MQ-9 serão deslocados para o Comando Sul. A transferência, porém, ocorre em um momento em que Washington vem concentrando recursos militares no Caribe, na América Central e na América do Sul.

No ano passado, os EUA já haviam deslocado para o Caribe uma combinação de drones MQ-9, caças F-35 e pelo menos um avião de ataque AC-130 durante a campanha contra embarcações suspeitas de transportar drogas. Agora, a estratégia avança para operações em terra com países parceiros sul-americanos.

Segundo as fontes da CNN, a movimentação dos drones está relacionada à preparação para operações contra o narcotráfico e contra grupos classificados como terroristas pelos Estados Unidos. O Equador desponta como um dos principais cenários para as novas fases operacionais, já executando missões militares conjuntas com as forças americanas desde o início deste ano.

A mudança também ocorre apesar da permanência de ameaças terroristas na África. Militares norte-americanos reconhecem que grupos como Estado Islâmico e al-Shabaab continuam ativos no continente. Mesmo assim, a prioridade estratégica de Washington passou a se concentrar cada vez mais no hemisfério ocidental.

Trump amplia autorização para “uso de força letal”

O movimento ganha peso com o respaldo jurídico construído pela administração americana. Um parecer confidencial do Gabinete de Assessoria Jurídica do Departamento de Justiça concluiu que o presidente tem prerrogativa para autorizar o “uso de força letal” contra uma lista secreta de cartéis e suspeitos de narcotráfico, sob a premissa de que representam uma ameaça iminente aos cidadãos americanos.

A justificativa apresentada pela administração é que essas organizações representariam uma ameaça iminente aos cidadãos norte-americanos.

Especialistas jurídicos e a American Civil Liberties Union (ACLU) apontam que a interpretação não estabelece limites geográficos ou temporais claros, abrindo margem para uma campanha militar sem prazo determinado. A ACLU tenta obter acesso ao parecer por meio da Lei de Liberdade de Informação (FOIA), argumentando que o documento já é usado para fundamentar ataques mortais no Caribe e no Pacífico Oriental.

Ataques no mar somam mais de 230 mortes

As operações marítimas conduzidas pelos EUA contra suspeitos de narcotráfico já deixaram ao menos 230 mortos no Caribe e no Pacífico Oriental. Contudo, analistas e autoridades questionam a falta de evidências públicas em diversos episódios. Em agosto, por exemplo, o Comando Sul executou ataques que resultaram em seis mortes em duas operações distintas (no Caribe e no Pacífico), sem apresentar comprovação do transporte de entorpecentes pelas embarcações atingidas.

A linha dura foi sintetizada pelo general Francis Donovan, comandante do Comando Sul:

“Estamos comprometidos em impor uma fricção sistêmica total sobre os narcoterroristas — interrompendo suas operações, desmantelando suas lideranças e eliminando o terror dos cartéis em toda a região.”

Avanço diplomático e militar na Colômbia e no Panamá

A Colômbia passa a integrar formalmente a nova arquitetura militar regional. O governo do país fechou um acordo para receber, por empréstimo, três drones MQ-9A Reaper. As aeronaves serão empregadas em missões de inteligência e monitoramento, mas mantêm capacidade de ataque de precisão contra alvos estratégicos.

O alinhamento militar é acompanhado por uma ofensiva diplomática. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou recentemente que busca inaugurar uma “era dourada” nas relações com Bogotá.

Paralelamente, o Panamá recebeu mais de US$ 6 milhões em sistemas de drones de longo alcance para reforçar a vigilância do Serviço Aeronaval Nacional em fronteiras remotas e rotas marítimas estratégicas próximas ao Canal do Panamá.

Operações terrestres e incerteza sobre resultados

A transição do patamar marítimo para ações diretas em solo representa a mudança mais drástica da estratégia. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, citou parcerias com Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia. Embora a Guatemala tenha negado a existência de acordos para tropas americanas em seu solo, Washington insiste na expansão das ações combinadas.

Apesar da escalada militar, autoridades policiais e analistas expressam ceticismo sobre a eficácia da medida no combate ao fluxo de drogas. A principal avaliação é que a pressão militar apenas força a alteração das rotas de escoamento, sem desmantelar as redes criminosas.

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Fonte: GGN

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