Estudantes mantêm protestos na França por melhores condições nas escolas

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – As manifestações por mais professores e melhores condições nas escolas reuniram mais de 100 mil pessoas na França nesta quinta-feira (8), segundo o Ministério do Interior. Estudantes bloquearam unidades de ensino e ocuparam as ruas de diversas cidades, mantendo a pressão sobre o governo após três semanas de mobilização.

Paris concentrou 24.500 participantes na principal manifestação do dia, realizada na Praça da Bastilha. A Reuters informou que o ato transcorreu, em sua maior parte, sem incidentes, embora tenha ocorrido confrontos com policiais durante a noite.

Os estudantes reivindicam a contratação de professores e investimentos na infraestrutura escolar. Relatam prédios deteriorados, salas superlotadas e ambientes sem condições adequadas de temperatura, com frio intenso no inverno e calor excessivo no verão.

A professora do ensino médio Diane Di Sciullo, de 28 anos, participou da mobilização em Marselha e afirmou que a reivindicação é por uma educação digna em condições igualmente dignas. Neste ano, sua turma tem 37 estudantes.

“No início de cada aula, tenho de pedir que eles procurem nas salas vizinhas cadeiras e mesas disponíveis para que possam, de fato, estudar”, relatou.

Di Sciullo carregava um cartaz com a frase: “Sou professora e meus alunos me ajudam a pegar baratas na sala de aula”.

Governo promete respostas até o fim de outubro

O ministro da Educação, Edouard Geffray, disse à emissora TF1 que professores adicionais serão mobilizados para suprir a falta de profissionais em algumas escolas. Também anunciou uma revisão das cargas horárias dos estudantes.

Segundo a reportagem, adolescentes franceses podem ter aulas das 8h às 18h, além de receber grande volume de tarefas para fazer em casa.

Geffray afirmou ainda que trabalha em possíveis melhorias no Parcoursup, plataforma nacional de candidatura a vagas universitárias. O sistema é alvo de críticas por ser considerado confuso e estressante para os candidatos.

Na noite de quarta-feira (7), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu prometeu apresentar, até o fim de outubro, “respostas concretas, rápidas e integralmente financiadas”. Ele não detalhou as medidas.

Representantes estudantis consideraram o compromisso insuficiente e convocaram novas passeatas para terça-feira (13). Também circulam nas redes sociais chamados para uma jornada de protestos em 17 de outubro. Apesar da continuidade da mobilização, os dados do Ministério da Educação indicam uma redução gradual no número de escolas bloqueadas.

“Nossas reivindicações precisam ser ouvidas. Ontem, o senhor Lecornu nos ofereceu muita conversa vazia”, afirmou Ryad Rani, dirigente de uma das organizações estudantis.

“A mobilização vai continuar, não vamos recuar em nada.”

Protestos acentuam disputa política

A mobilização ocorre em um cenário de pressão por investimentos nos serviços públicos e de dificuldades financeiras do governo francês. Os mercados de títulos cobram medidas para reduzir a dívida e o déficit, enquanto estudantes e professores exigem recursos para as escolas.

A seis meses da eleição presidencial, os protestos também evidenciam diferenças entre candidatos à sucessão de Emmanuel Macron, que não pode disputar um terceiro mandato.

Marine Le Pen, candidata da extrema direita apontada como favorita, destacou os danos provocados por uma minoria dos manifestantes e apresentou planos de redução dos gastos públicos caso seja eleita.

Jean-Luc Mélenchon, um dos candidatos da esquerda, classificou os manifestantes como “incríveis” e condenou a violência policial.

Uma pesquisa do instituto Elabe para a BFM TV mostrou que 72% dos franceses consideram legítimas as reivindicações dos estudantes. Ao mesmo tempo, 55% defendem o encerramento dos protestos.

A mobilização estudantil também alcançou a Bélgica, onde foram registradas manifestações em Bruxelas, Ciney e Liège.

Fonte: Brasil 247

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