“Estamos dando um passo importante”, afirma Lula na promulgação do fim da escala 6×1

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou presencialmente da sessão solene realizada no Congresso Nacional pelo presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), nesta sexta-feira (16), para celebrar a promulgação de duas novas emendas à Constituição. A cerimônia formalizou a inclusão no texto constitucional do fim da escala de trabalho 6×1, prevista na PEC 221/2019 e aprovada pelos senadores na quarta-feira (14), e da PEC 14/2021, que concede o direito à aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias em todo o território nacional, ao lado de parlamentares e autoridades.

Durante o pronunciamento no ato oficial, o presidente resgatou sua trajetória na elaboração da Carta Magna e apontou o avanço social que a nova emenda representa para a população brasileira. “Tive o prazer de ser constituinte, de estar no dia 5 de outubro de 1988 no plenário da Câmara quando Ulysses Guimarães fez o discurso da promulgação da Constituição Cidadã. Quem estava naquele plenário tinha noção de que estávamos aprovando uma das constituições mais modernas que o mundo conheceu. Era a cabeça da sociedade brasileira naquele instante histórico. Logo quando aprovamos, os críticos de sempre já queriam mudar. A Constituição ia ‘atrapalhar o crescimento do Brasil’, ia ‘impedir o crescimento do Brasil’, ‘aumentar o custo Brasil’. É impressionante a capacidade de alguns de participarem do processo e no dia seguinte negarem o processo. Nossa Constituição teve detalhes porque a sociedade estava exigindo, e sou testemunha de que foi o momento histórico mais importante do Congresso e nunca a sociedade teve a participação que teve naquele plenário. Foi um momento de ouro neste país. Depois disso houve mudanças para melhor e para pior. Hoje estamos dando um passo importante para melhor”, declarou Lula.

Lula criticou o histórico de resistência de setores econômicos contra pautas que ampliam garantias trabalhistas ao longo das décadas no país. “Toda vez que a sociedade conquista alguma coisa, aparece uma turma de um segmento da sociedade que não concorda dizendo que não vai dar certo. Foi assim em todas as lutas. Não tem uma conquista do povo em que não aparece aqueles dizendo ‘isso vai ser um atraso’, ‘isso vai quebrar as empresas’, ‘isso vai quebrar a economia’, ‘isso não pode dar certo’. Isso é histórico, crônico, já faz parte da literatura política deste país. Quando se discutiu as férias de 20 dias, a classe empresarial não queria férias de 20 dias. Porque ia fazer o trabalhador ter muito ócio e o ócio levaria à bebida. Que engraçado. Para o trabalhador, as férias levavam à bebida. E para os ricos levava a Paris. Ora, por que o trabalhador fica em casa? Porque ele não tem dinheiro para viajar. Ele vai encher uma laje na casa do amigo, vai cavar um poço, fazer encanamento, fazer a parte elétrica. O povo trabalhador vive se virando o tempo inteiro. Isso não nega o direito de descansar. E depois, para 30 dias foi o mesmo discurso. Lembro da campanha do 13º salário, a mesma coisa: ‘vai afundar as empresas’. Não quebrou. Toda vez que os trabalhadores conseguem um benefício, ele vive um pouco mais, tem um pouco mais de prazer na vida”, afirmou o chefe do Executivo.

Para ilustrar a urgência da alteração na rotina de trabalho das famílias brasileiras, o chefe do Governo compartilhou um relato recente de um encontro com trabalhadores do setor varejista. “Essa semana fui visitar um casal. Ela com 30 e ele com 28, com dois filhos. Trabalham num atacadista. Levantam às 4h30 para começar a trabalhar às 6h. Só têm um dia de descanso por semana, em dias separados. Ele ganha R$ 1.700 por mês e paga R$ 1.600 de aluguel. Aí sobra o salário dela, e tem conta de água, de luz, internet. Sobra R$ 1 mil para comer, passear e cuidar das crianças. É humanamente impossível as pessoas não perceberem que este cidadão não pode trabalhar seis dias por semana e ficar poucas horas em casa, sobretudo a mulher. O dia que ela tem de descanso é o dia que ela mais trabalha. Não é possível que as pessoas não tenham sensibilidade”, pontuou.

O presidente da República encerrou seu discurso enfatizando o valor do regime democrático para a construção de consensos e soluções em favor do país. “Acho que Deus está olhando esta Casa agora. A democracia é uma coisa complicada, é a convivência na adversidade. Você ouve desaforo, as pessoas te provocam, te xingam, te ofendem, mas você também tem o direito de ofender. Isso chama-se democracia. No final, você constrói aquilo que é possível construir, sem precisar fazer nenhuma guerra. Fora da democracia não tem saída. É ditadura”, concluiu Lula.

Fonte: Brasil 247

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