Esquerda vence em Berlim e AfD lidera em Mecklemburgo

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Por Dayane SantosBrasil 247

247 – As eleições estaduais realizadas neste domingo (20) em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental produziram resultados distintos, mas com forte impacto sobre o cenário político alemão. Projeções apontaram a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, na liderança em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto o partido de esquerda Die Linke apareceu como a força mais votada na capital alemã.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a projeção da Forschungsgruppe Wahlen divulgada pelo ZDF indicava 37,9% para a AfD e 35,7% para o Partido Social-Democrata (SPD), que governa o estado. A disputa ficou, portanto, concentrada entre as duas legendas. Die Linke aparecia com 6,5%, os Verdes com 5,6% e a União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, em torno de 5%.

O desempenho da AfD representa uma forte expansão em relação ao pleito estadual anterior e coloca a legenda novamente como a força mais votada em um estado alemão. Ainda assim, a liderança eleitoral não significa automaticamente a formação de um governo. As demais forças políticas têm rejeitado a possibilidade de coalizões com a AfD, o que limita as alternativas da legenda para assumir o comando do estado.

Derrota histórica para a CDU

O resultado mais duro entre os partidos tradicionais atingiu a CDU. A legenda de Merz obteve cerca de 5% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, desempenho que representa seu pior resultado em uma eleição estadual desde o pós-guerra. A sigla chegou a ficar próxima do limite mínimo de 5% necessário para conquistar representação parlamentar.

O resultado ocorre em um momento de pressão sobre o governo comandado por Merz. Após a divulgação das projeções, o chanceler classificou o desempenho da AfD como um “desastre”, mas afirmou que permanecerá no cargo. Em declaração reproduzida pelo Metrópoles, Merz afirmou ainda que a Alemanha “precisa de mudanças, determinação, firmeza e paciência”.

A derrota regional da CDU se soma a um desempenho igualmente negativo registrado no início de setembro em Saxônia-Anhalt, onde a AfD alcançou cerca de 44% dos votos. O resultado foi considerado histórico por abrir a possibilidade, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, de uma legenda de extrema direita assumir o governo de um estado alemão, embora a AfD não tenha obtido maioria absoluta e ainda dependa de negociações para formar uma administração.

Berlim aponta em direção diferente

Na capital, o resultado eleitoral apresentou uma dinâmica distinta. O Die Linke terminou na primeira colocação nas projeções, com 25,6% dos votos segundo a estimativa da Forschungsgruppe Wahlen divulgada pelo ZDF. A CDU apareceu em segundo, com 19,7%, seguida pelos Verdes, com 15,3%, e pela AfD, com 15,1%. O SPD registrou 11,8%.

O desempenho do Die Linke representa uma mudança importante na composição política do Abgeordnetenhaus, o parlamento de Berlim. A legenda ampliou significativamente sua votação em comparação com o pleito anterior e passou à frente da CDU, que atualmente integra a administração da cidade-estado.

A disputa em Berlim também tem consequências para a formação do governo local. Nenhuma das legendas alcançou isoladamente maioria absoluta dos assentos. A composição da próxima administração dependerá, portanto, de negociações entre diferentes partidos para a formação de uma coalizão.

Dois resultados, um cenário de fragmentação

Os resultados de Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental revelam comportamentos eleitorais distintos dentro da Alemanha. Enquanto a AfD ampliou sua presença e terminou na liderança no estado do nordeste, o Die Linke conquistou a primeira posição na capital.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a SPD ainda possui alternativas para tentar permanecer no governo, mas precisará encontrar parceiros além de sua atual configuração. Análises da imprensa alemã indicam que uma coalizão envolvendo SPD, Die Linke e Verdes pode ser uma das possibilidades aritméticas, embora as negociações dependam da distribuição final das cadeiras.

Em Berlim, por sua vez, a liderança do Die Linke também não garante, por si só, o comando do governo. A composição do parlamento exigirá acordos entre partidos, e a distribuição definitiva das cadeiras será determinante para estabelecer quais alianças terão maioria.

AfD amplia sequência de resultados expressivos

A votação deste domingo ocorre na esteira de uma sequência de resultados expressivos da AfD nas eleições estaduais de 2026. Em 6 de setembro, na Saxônia-Anhalt, a legenda alcançou aproximadamente 44% dos votos, em uma vitória histórica. O partido foi liderado no estado por Ulrich Siegmund, que disputou a eleição com o objetivo de levar a AfD ao governo regional.

Naquele pleito, porém, a AfD também não conquistou sozinha a maioria absoluta dos assentos. A formação de um governo dependeria de alianças ou de alguma forma de apoio parlamentar de outras forças. Partidos tradicionais mantêm a posição de não formar coalizões com a AfD.

O sistema político alemão permite que os 16 estados federados realizem suas próprias eleições regionais, com calendários e regras eleitorais específicos. Por isso, diferentemente de uma eleição nacional simultânea, os resultados estaduais são distribuídos ao longo de diferentes anos e oferecem sucessivos retratos da evolução das forças políticas em cada região.

As projeções divulgadas neste domingo ainda estavam sujeitas a alterações com a apuração. O resultado oficial das eleições deverá definir a composição final dos parlamentos estaduais e, a partir dela, abrir as negociações para a f

Fonte: Brasil 247

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