Esquema de ataques a João Campos envolvia verba pública, dinheiro vivo em caixa de charuto e uso de bets

0

Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – Novas denúncias revelam o funcionamento detalhado de um suposto esquema de ataques virtuais orquestrado para desidratar a imagem do prefeito do Recife, João Campos (PSB), com o objetivo de favorecer a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). De acordo com uma nova reportagem exibida pela TV Record, o operador do esquema, Amisadai Andrade da Silva, admitiu que os pagamentos pelos serviços ocorriam não apenas por meio de verbas de publicidade do governo estadual, mas também via dinheiro vivo sem registro legal, repassado em dinâmicas informais que incluíam até caixas de charuto.

Amisadai Andrade, servidor da Caixa Econômica Federal que estava cedido ao governo de Pernambuco, foi exonerado no último dia 26 de agosto em caráter de urgência, menos de 12 horas após as primeiras denúncias virem à tona. O operador revelou que a estrutura contava com suporte técnico e de imprensa. “A gente tem os parceiros que batem em João. Tem uma estrutura de jornalistas, uma equipe que constrói conteúdo”, afirmou Amisadai, citando que a distribuição dos conteúdos virais de ataque envolveu parcerias com diversos perfis nas redes sociais.

No material gravado, Amisadai aparece ao lado de José Roberto Júnior e Rodolfo Costa, sócios da Portal Comunicação e Marketing, empresa responsável pelo site Portal de Prefeitura, focado em difundir publicações contra adversários do governo estadual. Embora alegasse ter se desligado da empresa, Amisadai se apresentava como integrante da organização. Por sua vez, Rodolfo Costa confirmou manter relação com dezenas de parceiros para a realização de postagens conjuntas no Instagram com finalidade política.

As revelações indicam que a convocação de Amisadai foi feita diretamente por Raquel Lyra no Palácio do Campo das Princesas, sede do Executivo estadual, ainda em 2024. A intenção era minar a popularidade de João Campos com antecedência para as eleições de 2026, logo após o prefeito ser reeleito no Recife com 78% dos votos válidos. Apesar de a governadora ter negado contato com o servidor, registros oficiais do Palácio obtidos pelo portal Metrópoles confirmaram a entrada e presença de Amisadai em reuniões no local.

Esquema envolvia pagamentos via bets e agência de eventos

Além dos recursos públicos e do repasse em dinheiro em espécie, o esquema mantinha um braço de operação financiado por uma casa de apostas esportivas com sede em Caruaru, reduto eleitoral da governadora. Segundo depoimento de uma testemunha à reportagem da Record e a apurações prévias do portal Metrópoles, funcionários da empresa Aposta Ganha recrutavam pessoas para atuar em grupos de mensagens focados em impulsionar postagens favoráveis a Raquel Lyra e realizar ataques contra João Campos.

A testemunha explicou que os recrutamentos ocorriam sob a justificativa de trabalhos de divulgação de eventos da empresa Prosp3cct, gerenciada por Alex Galindo, sócio-proprietário da agência e diretor de operações da Aposta Ganha. Nos grupos criados, administrados pela advogada da casa de apostas, Maria Eduarda Lucena Freire — conhecida como Duda Lucena —, as participantes recebiam links e orientações específicas sobre os comentários que deveriam produzir nas redes sociais.

Os pagamentos eram realizados via Pix pela própria advogada, no valor de R$ 75 por pacotes de comentários efetuados, condicionados à comprovação do engajamento em quase todas as publicações indicadas. Para incentivar a participação, a estrutura promovia inclusive sorteios de R$ 50 para os melhores comentários. Galindo, apontado como um dos administradores do esquema, possui relações próximas com a gestão estadual, figurando em fotos ao lado do ex-secretário e primo da governadora, André Teixeira Filho.

Ações judiciais e representações nos órgãos de controle

Diante do volume de evidências, os advogados da Frente Popular de Pernambuco protocolaram uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) para apurar os supostos abusos de poder político e econômico praticados pela gestão do governo estadual por meio do uso de estruturas digitais ilícitas.

Paralelamente ao processo na Justiça Eleitoral, a coligação formalizou denúncias e representações junto a órgãos de fiscalização e controle, incluindo o Ministério Público Estadual (MPPE), o Ministério Público Eleitoral (MPE), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e a Controladoria-Geral da União (CGU), solicitando a apuração rigorosa das condutas e do emprego de recursos na operação.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *