Espetáculo ‘Neva’ propõe reflexão sobre arte e violência histórica em temporada gratuita no Recife e em Caruaru
Por Fátima Pereira — Brasil de Fato
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
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A montagem “Neva”, inspirada na dramaturgia do chileno Guillermo Calderón, será apresentada gratuitamente no Recife e em Caruaru ao longo de setembro. Na capital pernambucana, as sessões acontecem nos dias 15 e 16 de setembro, às 20h, no Teatro Capiba, em Casa Amarela. Já em Caruaru, o espetáculo ocupa o Teatro Lycio Neves nos dias 26 de setembro, às 20h, e 27 de setembro, às 19h. A produção parte das relações entre teatro, política, memória e fracasso para questionar o papel da arte diante da violência da história.
A dramaturgia original de Calderón situa a ação em São Petersburgo, em 9 de janeiro de 1905, mesmo dia em que ocorreu o episódio conhecido como Domingo Sangrento, quando uma manifestação de trabalhadores foi violentamente reprimida pelas forças do governo czarista. Em um teatro, Olga Knipper, Masha e Aleko aguardam a chegada dos demais integrantes do elenco para começar um ensaio e, durante a espera, compartilham histórias pessoais e reflexões sobre o ofício teatral.
Na versão pernambucana, a situação é deslocada para o presente. A tentativa de montar a peça por artistas do Recife cria um encontro entre diferentes momentos históricos, experiências pessoais e materiais trazidos pelos próprios intérpretes. O processo de ensaio passa, assim, a ser também um espaço de investigação sobre como acontecimentos do passado reverberam no presente.
A encenação é resultado da pesquisa de pós-doutorado da diretora Marianne Consentino, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (PPGAC-UFBA), com supervisão da professora doutora Sonia Rangel. O trabalho investigou possibilidades de atuação e encenação a partir do diálogo entre a obra de Calderón, referências biográficas dos artistas envolvidos e diferentes temporalidades.
Ao longo da montagem, a própria tentativa de realizar o ensaio ganha importância. Interrupções, retomadas e impasses fazem parte da experiência cênica e colocam em evidência a relação entre criação artística e aquilo que não pode ser facilmente solucionado.
Nesse contexto, o fracasso não é tratado apenas como assunto da peça. Ele também atravessa o processo de criação, interferindo nas relações entre atores, personagens e público. Em vez de apresentar respostas definitivas, “Neva” utiliza as dificuldades e contradições do fazer teatral para investigar o que permanece possível quando a arte se depara com acontecimentos marcados pela violência e pela memória.
As apresentações são realizadas com incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco.
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Fonte: Brasil de Fato