Escritório do ex-vereador Milton Leite é furtado em São Paulo e criminosos levam HD com imagens de segurança
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Uma casa localizada na rua General Bráulio Guimarães, no bairro de Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo, foi alvo de furto na noite deste domingo (20), por volta das 21h15, informa o G1. De acordo com relatos de moradores da região, o imóvel pertence ao ex-vereador Milton Leite e funcionava como uma espécie de escritório político do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, que se encontra detido em um presídio de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
A Polícia Militar esteve no local e apresentou a ocorrência de furto em residência no 11º Distrito Policial (DP). Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os agentes encontraram a estrutura do imóvel completamente revirada, além de diversos documentos espalhados que identificavam o ex-parlamentar como proprietário da casa. Durante a varredura, a polícia localizou e apreendeu dinheiro em espécie e papéis diversos. Relatos indicam ainda que os criminosos levaram o disco rígido (HD) contendo as gravações das câmeras do circuito interno de segurança.
A Polícia Militar não confirmou nem negou oficialmente a titularidade do imóvel por parte do ex-vereador. A autoridade policial informou que realiza diligências para coletar mais dados e obter gravações do entorno que ajudem a identificar os autores da invasão. A perícia técnica foi requisitada e o local permaneceu preservado para análise dos peritos.
Prisão temporária e investigação de elo com o PCC
Milton Leite cumpre prisão temporária de 30 dias em Mogi das Cruzes. O ex-presidente da Câmara paulistana é investigado pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, por supostos esquemas que envolvem a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público por ônibus da capital.
O ex-vereador teve o mandado de prisão temporária expedido na quinta-feira (17), no âmbito da Operação Vectura Corrupta, e permaneceu foragido até a tarde de sexta-feira (18), quando se entregou em uma delegacia de Mogi das Cruzes. Conforme apontam os investigadores do caso, Leite seria o proprietário de fato da empresa de ônibus Transwolff e atuaria diretamente no gerenciamento de companhias de transporte sob o controle da organização criminosa.
No sábado (19), enquanto estava custodiado, o ex-parlamentar relatou mal-estar e solicitou atendimento hospitalar. O pedido ocorreu momentos antes de sua audiência de custódia, impedindo sua realização presencial. “Estava na fila da custódia, mas passou mal e foi socorrido antes da audiência”, declarou uma fonte ligada às investigações. O procedimento, que analisa a legalidade e a manutenção da prisão, deverá ser conduzido em formato virtual. Até o momento, detalhes sobre o quadro clínico do investigado não foram divulgados pelas autoridades médicas.
Desdobramentos da Operação Vectura Corrupta
A Operação Vectura Corrupta busca desarticular uma rede com ramificações em diversas frentes administrativas e políticas. Além de Milton Leite, figuram entre os investigados o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande, Danilo Marco Morgado Silva (PL).
Deflagrada na última quinta-feira, a ação policial visava o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão espalhados por municípios paulistas, incluindo a capital, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. De acordo com as apurações, o grupo é suspeito de fraudar licitações, manipular empresas de transporte público, articulando apoios políticos e direcionando o financiamento de campanhas eleitorais. A operação investiga também a chamada “Sintonia dos Gravatas”, braço composto por advogados que atuariam para defender e promover os interesses do grupo criminoso.
Defesa e declarações
Na sexta-feira (18), ao ser conduzido para exames no Instituto Médico Legal (IML), Milton Leite conversou brevemente com jornalistas e rebateu as acusações. “Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”, declarou. Ao ser questionado se guardava algum tipo de arrependimento, afirmou: “Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo.”
Em posicionamento publicado nas redes sociais no sábado (19), Alexandre Leite, filho do ex-vereador, saiu em defesa do pai e criticou a ação judicial. “Consideramos essa medida extremamente injusta, mas cabe aos advogados fazer a defesa jurídica. Vejo como uma boa oportunidade de passar essa história a limpo e colocar um ponto final, para que ela não seja reverberada a cada dois anos ou a cada período eleitoral”, argumentou.
Fonte: Brasil 247