ES nunca teve virada no segundo turno da disputa pelo governo
A Gazeta

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O Espírito Santo nunca registrou uma virada no segundo turno de uma eleição para governador. Em todas as disputas estaduais que chegaram à rodada final, o candidato que terminou o primeiro turno na liderança também confirmou a vitória nas urnas.
Esse histórico volta ao cenário pela quarta vez em 2026.
No primeiro turno, realizado no último domingo (4), Lorenzo Pazolini (Republicanos) terminou na primeira colocação, com 49,65% dos votos válidos. Ricardo Ferraço (MDB) ficou em segundo lugar, com 34,06%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
A definição dos pleitos majoritários em dois turnos de votação foi instituída na primeira eleição direta para presidente da República após a ditadura militar, em 1989. A primeira disputa para governador sob esse modelo ocorreu no ano seguinte, em 1990.
Desde então, houve dez eleições para governador no Espírito Santo. A disputa de 2022 foi a terceira decidida em segundo turno. Assim como nas duas anteriores, o candidato que terminou a primeira votação na liderança confirmou a vitória na rodada final.
1990: Albuíno vence primeira disputa de segundo turno

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A primeira vez em que a disputa pelo comando do Executivo estadual chegou ao segundo turno foi justamente em 1990. Na ocasião, Albuíno Azeredo (PDT) venceu José Ignácio Ferreira (PST) com 66,45% dos votos válidos, contra 33,55% do adversário.
No primeiro turno, Albuíno havia recebido 25,06% dos votos, enquanto José Ignácio conquistou 20,46%. Outros dois candidatos participaram daquela eleição: Rogério Medeiros (PT), que recebeu 8,97% dos votos, e João Calmon (PMDB), com 2,74%.
Com a vitória, Albuíno tornou-se o primeiro governador negro da história do Espírito Santo, feito que permanece único até hoje. Seu governo também ficou marcado pela visita de personalidades internacionais ao Estado, como o líder sul-africano Nelson Mandela; o então príncipe Charles, atual rei do Reino Unido; e o papa João Paulo II.
1994: Buaiz se torna primeiro governador do PT no Brasil

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Quatro anos depois, o cenário se repetiu. Em 1994, Vitor Buaiz (PT) terminou a primeira etapa da eleição com 46,63% dos votos válidos, contra 27,33% de Cabo Camata (PSD). Outros dois candidatos participaram daquele pleito: o ex-governador Max Mauro (PMN), que recebeu 13,1% dos votos, e Rose de Freitas (PSDB), com 12,94%.
O segundo turno colocou frente a frente dois representantes de diferentes campos políticos. De um lado, Vitor Buaiz representava a força da esquerda no Espírito Santo e entrava na disputa credenciado pela gestão exercida na Prefeitura de Vitória, entre 1989 e 1992. Do outro, o então deputado estadual Cabo Camata apresentava um perfil conservador e chegava à segunda etapa da eleição de forma surpreendente, superando um ex-governador e uma então deputada federal.
Nesse cenário, o petista confirmou a vantagem e foi eleito governador com 55,49% dos votos válidos, contra 44,51% do adversário.
Com a vitória, o Espírito Santo tornou-se o primeiro Estado brasileiro a eleger um governador do Partido dos Trabalhadores. Apesar disso, Buaiz encerrou o mandato em outra legenda, após divergências com lideranças petistas.
2022: Após 28 anos, ES volta a ter segundo turno

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Depois de 1994, o Espírito Santo passou 28 anos sem uma eleição para governador ser definida em segundo turno.
A sequência foi interrompida em 2022, quando Renato Casagrande (PSB), que buscava a reeleição, enfrentou o ex-deputado federal Carlos Manato (PL). No primeiro turno, Casagrande recebeu 46,94% dos votos válidos, contra 38,48% de Manato. Outros cinco candidatos participaram da disputa: Guerino Zanon (PSD), com 7,03%; Audifax Barcelos (Rede), com 6,51%; Aridelmo Teixeira (Novo), com 0,76%; Capitão Vinicius Sousa (PSTU), com 0,22%; e Cláudio Paiva (PRTB), com 0,07%.
A disputa colocou frente a frente candidatos de diferentes campos políticos. Enquanto Casagrande apresentava um perfil mais alinhado à centro-esquerda, Manato representava a direita e tinha sua candidatura associada à figura do então presidente Jair Bolsonaro (PL). A campanha do segundo turno foi marcada por embates entre os adversários, com trocas de acusações e críticas durante os debates eleitorais.
Na votação decisiva, Casagrande conseguiu ampliar sua base de apoios políticos e foi reeleito com 53,8% dos votos válidos, contra 46,2% de Manato. Com o resultado, o socialista conquistou seu terceiro mandato como governador do Espírito Santo, tendo Ricardo Ferraço (MDB) como vice-governador.
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Fonte: A Gazeta