Ernestine Shepherd, aos 90 anos: a rotina de treino da fisiculturista que só começou a se exercitar aos 56

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Por Carlos Emanoel Freires dos SantosCatraca Livre

Ernestine Shepherd completou 90 anos em 16 de junho de 2026 e continua treinando. O detalhe que torna sua história especialmente interessante é que ela não passou a juventude dentro de academias e só começou a se exercitar aos 56 anos. Décadas depois, tornou-se fisiculturista, entrou para o Guinness como a mulher mais velha a competir na modalidade e transformou a própria trajetória em uma mensagem simples: começar tarde ainda é começar. Hoje, porém, sua rotina já não tem a mesma intensidade dos anos em que corria longas distâncias diariamente e se preparava para competições.

O foco deixou de ser preparar o corpo para subir a um palco e passou a ser preservar força, mobilidade e independência.

Ela só entrou em uma academia aos 56 anos

Shepherd nasceu em Baltimore, nos Estados Unidos, em 1936. Durante boa parte da vida adulta, não tinha uma rotina de exercícios. A mudança começou quando ela e a irmã, Mildred Blackwell, experimentaram roupas de banho e decidiram que queriam melhorar o condicionamento físico. Foi então que começaram a frequentar aulas de exercícios. Ernestine tinha 56 anos.

A irmã morreu pouco tempo depois, vítima de um aneurisma cerebral. Ernestine interrompeu os treinos por um período, mas decidiu voltar e passou a encarar a atividade física também como uma forma de manter viva a promessa que as duas haviam feito de cuidar do corpo.

O fisiculturismo competitivo veio bem mais tarde. Ela começou a se preparar seriamente para subir ao palco já na casa dos 70 anos e, em 2010, recebeu reconhecimento do Guinness como a mulher fisiculturista competitiva mais velha do mundo.

A rotina que ficou famosa era muito mais intensa do que a atual

Durante seus anos mais ativos, Shepherd ficou conhecida por acordar por volta das 3h, começar a correr ainda de madrugada e depois seguir para o treinamento com pesos. Há registros de fases em que fazia corridas próximas de 16 quilômetros e sessões de musculação de 45 minutos a uma hora.

Essa rotina, porém, pertence principalmente ao período em que estava na casa dos 70 anos e mantinha preparação muito mais intensa. Aos 90, não faz sentido apresentar aqueles números como se ainda fossem sua programação diária. Informações mais recentes confirmam que ela permanece fisicamente ativa e continua treinando, mas adaptou a carga com o avanço da idade. Em 2026, ainda publicava exercícios de abdômen e mantinha sessões de atividade física, enquanto relatos dos últimos anos descrevem cerca de quatro idas semanais à academia e maior atenção para não exagerar.

Ao longo dos anos, seu treinamento já incluiu:

  • musculação para peito e braços;
  • exercícios para ombros e tríceps;
  • treinos de pernas e região central do corpo;
  • caminhada e outras atividades cardiovasculares;
  • exercícios adaptados à capacidade física do momento.

O que mudou quando ela deixou as competições?

Ernestine não compete atualmente. O foco deixou de ser preparar o corpo para subir a um palco e passou a ser preservar força, mobilidade e independência. Essa diferença é importante porque uma rotina criada para competição não é a mesma que uma pessoa precisa para envelhecer de maneira ativa.

Ela continua ligada ao universo fitness e, ao longo dos anos, também trabalhou como treinadora e conduziu atividades para pessoas mais velhas. O exercício permaneceu presente, mas com uma lógica mais compatível com a idade: manter o estímulo sem transformar cada sessão em um teste de limite.

O foco deixou de ser preparar o corpo para subir a um palco e passou a ser preservar força, mobilidade e independência.

Por que começar aos 56 muda completamente a força dessa história?

É fácil olhar para alguém aos 90 anos com músculos definidos e imaginar que aquilo só foi possível porque a pessoa treinou a vida inteira. Ernestine derruba justamente essa impressão. Até os 56, ela não tinha construído uma carreira esportiva nem uma longa história de treinamento.

O que veio depois foi progressivo. Primeiro começaram os exercícios, depois o treinamento com pesos, mais tarde o fisiculturismo competitivo. Essa sequência mostra que adaptação física pode acontecer mesmo quando o início vem décadas depois da juventude.

Isso não significa que qualquer pessoa que comece aos 56 terá o mesmo corpo de Ernestine. Genética, saúde, alimentação, histórico individual e volume de treinamento fazem diferença. O exemplo é relevante por outro motivo: ele mostra que idade avançada não torna o músculo incapaz de responder ao estímulo.

Aos 90 anos, o principal ensinamento já não está nos quilômetros percorridos

Os antigos relatos sobre acordar às 3h e correr longas distâncias ajudaram a construir a imagem pública de Ernestine Shepherd, mas copiar essa rotina não é o ponto central de sua história. Aos 90, o aspecto mais interessante é ela continuar ativa depois de mais de três décadas desde o primeiro treino, ajustando intensidade em vez de abandonar o exercício.

Ernestine começou aos 56 anos, virou fisiculturista depois dos 70 e chegou aos 90 ainda treinando. Para quem acredita que já passou da idade de começar, sua trajetória oferece um exemplo mais útil do que qualquer treino extremo: não é necessário ter sido atleta a vida inteira para construir força mais tarde, e o programa que funciona aos 60, 70 ou 90 também precisa mudar junto com o corpo.

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Fonte: Catraca Livre

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