Erdogan também acusa Israel de promover genocídio em Gaza

0

Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, fez nesta terça-feira (22) uma das mais duras críticas a Israel durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Segundo a Al Jazeera, Erdogan denunciou os crimes de guerra cometidos na Faixa de Gaza e a escalada da violência de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada, afirmando que o mundo está diante de uma “mentalidade genocida”.

O pronunciamento provocou reações imediatas no plenário. A delegação israelense deixou o local durante o discurso, enquanto representantes palestinos aplaudiram o presidente turco. Erdogan descreveu Gaza como “o campo de concentração mais desumano e vergonhoso de nosso tempo” e afirmou que a comunidade internacional não pode tratar como normal o que ocorre no território palestino.

“Estamos diante de uma mentalidade genocida que nunca se satisfaz em matar”, afirmou Erdogan, segundo a Al Jazeera. O presidente turco disse ainda que nenhuma pessoa dotada de “humanidade, misericórdia ou consciência” poderia ignorar a situação.

Críticas ao cessar-fogo e à ONU

Erdogan afirmou que a Turquia contribuiu, com apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o estabelecimento de um cessar-fogo, mas acusou Israel de continuar suas operações militares. Segundo ele, mais de 1.300 civis foram mortos em Gaza apesar do acordo. O presidente turco também afirmou que a Cisjordânia atravessa um de seus momentos mais difíceis diante da expansão e da violência de colonos israelenses.

O líder turco dirigiu críticas também à própria Organização das Nações Unidas. Erdogan lembrou que a ONU foi criada há 81 anos com a missão de preservar a paz e a segurança internacionais, mas afirmou que a organização fracassou em cumprir essa responsabilidade diante dos conflitos atuais.

Segundo ele, a ONU tornou-se “disfuncional” e está “sangrando” diante das crises na Palestina, no Líbano e no Sudão.

As declarações ocorrem em meio a acusações de genocídio contra Israel formuladas também por organismos internacionais. Uma comissão independente de investigação criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU concluiu anteriormente que havia fundamentos razoáveis para determinar a ocorrência de genocídio contra palestinos em Gaza. Israel rejeita essa conclusão e acusa a comissão de produzir relatórios tendenciosos e de ignorar as ações do Hamas.

Erdogan protesta contra ausência de Mahmoud Abbas

Outro ponto destacado pelo presidente turco foi a ausência do presidente palestino Mahmoud Abbas, impedido de comparecer pessoalmente à Assembleia Geral depois que os Estados Unidos lhe negaram visto de entrada no país.

Erdogan afirmou que a ausência física do dirigente palestino não impediria a defesa da causa palestina no principal fórum diplomático mundial. A Turquia, disse, continuará defendendo a criação de um Estado palestino “livre e soberano”.

O discurso abordou ainda a guerra entre Rússia e Ucrânia. Erdogan defendeu o encerramento do conflito e afirmou que uma solução deve preservar a soberania e a integridade territorial ucranianas.

A posição expressada pelo presidente turco sobre Gaza foi respaldada, em entrevista à Al Jazeera, pelo ex-funcionário da ONU Salman Shaikh. Ele destacou sobretudo o alerta de Erdogan contra a normalização da violência em Gaza e na Cisjordânia e ressaltou o peso diplomático da Turquia como ator regional e internacional.

O pronunciamento de Erdogan se soma às críticas feitas no mesmo dia pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso na Assembleia Geral, Lula também condenou a violência contra os palestinos e afirmou que a “dor e o trauma” provocados em Gaza permanecerão por gerações.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *