Entregador é baleado após urinar em árvore em BH; motoboys protestam

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Por RedaçãoEsquerda Diário

Na capital mineira, nessa quarta-feira (23), motoboys se reuniram em protesto na zona nordeste da cidade contra a violência armada sofrida pelo entregador Arthur Guilherme Martins, baleado duas vezes por um morador da Fernão Dias simplesmente por urinar na rua, na segunda-feira (21). O caso apresenta mais um sintoma da violência e da exploração contra trabalhadores de app, na mesma cidade onde o gari Laudemir foi morto a tiros por empresário enquanto trabalhava.

Hoje, quarta-feira (23), um grupo de motoboys realizou um protesto em Belo Horizonte após o entregador Arthur Guilherme Martins, de 24 anos, ter sido baleado e xingado por um morador da região, assim que havia parado para urinar perto de uma árvore, no bairro Fernão Dias. O atirador não foi encontrado. Hoje, o ponto de encontro da manifestação acontece na Praça Bolívia Viana, próximo à estação Minas Shopping do metrô, na região Nordeste de BH. Os manifestantes seguiram em passeata até o local onde o morador teria atirado contra o motociclista.

Felizmente, Arthur não sofreu ferimentos fatais, no entanto, essa ocasião demonstra mais um ataque aos trabalhadores precarizados, que está presente em diversas funções. É impossível não lembrar de casos extremos como o do gari Laudemir de 44 anos, morto por um empresário no dia 11 de agosto de 2025.

Na segunda-feira (21), um motoboy de 22 anos, Jonathan da Silva Gillet, da cidade de São Paulo, foi baleado também pelo GCM Uildson Carmo de Moraes, após uma briga de trânsito na Zona Norte, bairro Casa Verde. O motoboy realizava entregas e o policial estava de folga, o que não o impediu de sacar uma arma e quase deixar o trabalhador paraplégico, como o mesmo denunciou. O GCM só pôde responder, “Agora já foi”.

Casos como esse por todo o Brasil misturam diversos elementos reacionários: o ódio aos trabalhadores, a precarização, o racismo e a opressão nas cidades são antesala para tentativas de homicídio e ataques contra jovens e trabalhadores correndo contra o tempo em seus serviços. Todos os dias tendo que atravessar diversas barreiras impostas durante uma jornada de trabalho qualquer pelo sistema capitalista.

É fundamental entender a luta por justiça a Arthur Guilherme Martins, que poderia ter perdido a vida enquanto trabalhava simplesmente por urinar, é parte da luta dos entregadores pela sua própria organização e em defesa de melhores condições de trabalho. No dia 1 de setembro realizou-se mais um breque dos apps, que se enfrenta com a exploração que a plataformização de empresas como iFood, Rappi, 99, Keeta e Uber realizam contra os entregadores, que entre as jornadas exaustivas cotidianas, não encontram tempo nem sossego para sequer fazerem suas necessidades.

O protesto contou com vários motoboys, que levavam placas de denúncia à violência e a “reação desproporcional”. O ato foi organizado e contou com a participação de grupos como Nação Cargo BH, além de contar com balões pretos em protesto.

Motoboys protestam após homem atirar em entregador no bairro Fernão Dias (Lavínia Fernandes/BHAZ)

Entrevistado pelo BHAZ, Arthur Guilherme Martins diz que o morador, morador de uma casa com garagem idoso, o baleou assim que o motoboy parou de gravar o conflito, após já ter atirado contra o seu pneu. Como acontece com todos os trabalhadores de aplicativo no Brasil, Arthur teve de urinar na rua por pressa entre as corridas e falta de tempo. Para o portal mineiro BHAZ, Arthur afirma:

“Eu saí cedo de casa. Estava apertado para fazer xixi, tinha acabado de fazer uma entrega na região e decidi procurar uma rua mais tranquila. Parei nessa rua e achei uma árvore bem grande, me escondi nela”

Logo após isso, ficou evidente o nível de reacionarismo contra ele, que carrega de fundo o ódio aos trabalhadores e o rechaço às condições mais básicas de vida e trabalho que os mesmos sofrem cotidianamente. Ainda na reportagem, Arthur afirma:

“Eu ouvi ele arrumando a arma. Fiquei assustado. Rapidamente lembrei de ligar a câmera do celular e fui correndo em direção à minha moto. Quando liguei a moto, ele apareceu na grade do prédio armado. Gritou comigo mais vezes e atirou duas vezes”

O racismo e a violência no Brasil, entre civis e policiais, como nos dois casos aqui expressos, demonstram como a política de “atirar primeiro e depois perguntar”, levado à frente pela extrema direita em seus governos e campanhas eleitorais, assim como slogans como o “Prendeu, matou” de Renan Santos, contribuem para uma onda acelerada de ataques e de política de morte a trabalhadores brasileiros em trânsito e em ofício. Isso não apresenta nada de novo na história brasileira, onde a perseguição de trabalhadores é uma constante histórica, e também não apresenta nenhuma outra perspectiva que não a seguinte: a luta para que garis, motoboys, trabalhadores urbanos tenham a sua vida e segurança garantida, contra a precarização de seus trabalhos e por mais direito e menos exploração.

Fonte: Esquerda Diário

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