Entre descobertas e afetos, crianças constroem sua proximidade com Nazinha
Por Casa NINJA Amazônia — Mídia NINJA
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A alegria da festa e as emoções da família ajudam a construir os primeiros vínculos com Nossa Senhora
Por O Filho do Rio – Cobertura Colaborativa Círio de Nazaré 2026
No Círio de Nazaré, em Belém, a relação das crianças com Nossa Senhora pode começar nas experiências compartilhadas com a família. As descobertas da festa e a emoção de quem está por perto apresentam uma devoção que aos poucos, pode ganhar a intimidade de uma relação com uma mãezinha.
Antes de compreender uma promessa, a criança percebe que aquele dia tem um significado especial: os preparativos para sair, os encontros e a expectativa de ver Nazinha despertam curiosidade sobre o que mobiliza tantas pessoas.
A pipoca, o algodão-doce e um balão no alto também podem fazer parte dessa descoberta. Sabores e cores se misturam ao carinho recebido e ajudam a formar uma lembrança que dá vontade de viver novamente.
A criança também observa os rostos e percebe alguém sorrir enquanto chora, fechar os olhos durante uma oração ou abraçar outra pessoa quando a imagem se aproxima.
São emoções que despertam perguntas. Por que alguém chora em um dia de festa? O que aconteceu para aquele abraço ser tão demorado?
Nas respostas, ela pode descobrir que uma lágrima também expressa felicidade e que alguém está agradecendo por uma conquista, lembrando uma dificuldade atravessada ou encontrando forças para continuar.
Quando um adulto compartilha o sentido de sua emoção, a criança se aproxima de uma história e a devoção ganha relação com acontecimentos e pessoas que ela conhece.
Aos poucos, Nazinha pode ser associada a esses momentos: à alegria de quem alcançou algo esperado, ao alívio de uma família e à esperança de quem ainda tem um pedido a fazer.
Em um colo que a levanta para enxergar melhor, a criança ouve alguém dizer: “Olha, é Nazinha”.
O nome chega com carinho.
Chamar Nossa Senhora de mãezinha pode aproximar a devoção das experiências familiares da criança, como ser acolhida, procurar proteção e confiar em alguém.
Essa relação se constrói na convivência: uma oração ensinada, uma história contada e uma pergunta escutada oferecem caminhos para que ela atribua seus próprios sentidos ao que vive.
Cada criança participa de maneira diferente: há quem observe em silêncio, quem pergunte e quem encontre primeiro a alegria da festa. Respeitar essas formas de aproximação permite que o vínculo se desenvolva com espaço para a curiosidade.
Com o tempo, a oração compartilhada pode ganhar um pedido feito pela própria criança. Ela passa a falar de um medo, pedir por alguém querido ou agradecer por uma alegria.
A mãezinha apresentada pela família pode se tornar aquela a quem ela mesma procura, e assim a relação ganha intimidade à medida que encontra lugar nas experiências de sua vida.
Para quem mantém essa devoção, os pedidos mudam com o passar dos anos. As primeiras lembranças, porém, podem continuar presentes, ligadas às pessoas que ajudaram a construí-las.
Ao reencontrar Nazinha, alguém pode se lembrar da voz que ensinou a oração ou compreender anos depois, a lágrima que viu no rosto de uma pessoa querida.
Talvez a criança ainda não saiba nomear tudo o que sente. Mas, ao ver a felicidade de quem agradece e a esperança de quem pede, começa a descobrir por que aquela mãezinha ocupa tanto espaço no coração de sua família.
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Fonte: Mídia NINJA