Entenda caso ligado a Flávio que destitui Nossa Senhora Aparecida
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25/9/2026 | Atualizado às 13:03
A reta final da eleição presidencial ganhou nesta quinta-feira (24) uma polêmica religiosa envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida. A história começou a ganhar força depois que passou a circular nas redes sociais a informação de que setores evangélicos ligados ao candidato estariam articulando a retirada do título de Padroeira do Brasil.
Flávio reagiu ainda na noite de quinta-feira e negou que pretenda retirar o título. Em vídeo, afirmou ter sido surpreendido pelo que classificou como “fake news” e disse: “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”.
Nas redes sociais, a inclusão de pautas religiosas no debate presidencial não é de agora. A ligação de Jair Bolsonaro e, posteriormente, de seu filho às igrejas evangélicas se traduz nas pesquisas, que demonstram apoio por parte do eleitorado.
Por outro lado, passou a circular uma cartilha da Igreja Católica com campanha em apoio à democracia. O material foi distribuído na Diocese de São João de Boa Vista, e associado nas redes sociais a suposto apoio a Lula (PT).
Foi então que, na quinta-feira, o “projeto” de Flávio para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida começou a repercutir em programas de televisão e entre políticos. Apesar da polêmica ser recente, a discussão foi iniciada ainda em 2007, no Congresso Nacional.
Projeto existe, mas não é de Flávio
O ponto concreto dessa história é o projeto de lei 2.623/2007. O texto pretendia alterar a Lei 6.802/1980 para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Também propunha trocar a expressão “culto público e oficial” por “homenagem oficial”.
A proposta foi apresentada pelo então deputado federal Professor Victório Galli, à época do PMDB de Mato Grosso. Na Comissão de Educação e de Cultura, Átila Lira (PP-PI) apresentou parecer pela rejeição do projeto, relatório que foi aceito por unanimidade. O texto foi arquivado.
Acontece que Galli define a si mesmo como um “bolsonarista raiz”. Onze anos depois de eles se conheceram, o ex-deputado foi nomeado assessor especial da presidência da República no governo de Jair Bolsonaro. Ele acabou exonerado em junho de 2019 após condenação por declarações ofensivas contra a comunidade LGBTI+.
Galli voltou ao cenário eleitoral neste ano e tenta voltar à Câmara dos Deputados pelo PP. Embora seu partido tenha adotado postura de isenção na corrida presidencial, o ex-assessor de Bolsonaro declarou apoio a Flávio.
Em abril, os dois estiveram juntos em um evento agro e Galli classificou o presidenciável como “amigo”. Já Flávio não demonstrou publicamente que o apoio seja mútuo.
Caso se repete
Essa não é a primeira vez que o projeto acaba associado à família Bolsonaro. Durante a eleição presidencial de 2022, circulou uma montagem que atribuía a Jair Bolsonaro a intenção de acabar com o feriado de 12 de outubro e retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.
A informação foi checada e considerada falsa. Na época, o próprio Flávio reagiu e negou que o pai tivesse essa intenção. A checagem mostrou que o projeto existente era de Victório Galli, e não de Jair Bolsonaro ou de seus filhos.
Base governista no Congresso reage
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou nesta sexta-feira (25) que considera “esdrúxula” a antiga proposta que retirava de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e associou a repercussão atual do tema à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em publicação no X, Erika destacou que o projeto foi apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e já está arquivado, mas disse que qualquer movimento para recolocar a ideia em debate por Flávio ou por seus aliados deve ser acompanhado “com cautela e atenção”.
Jandira Feghali (PCdoB) também se pronunciou. Segundo a deputada, o projeto “não vingou porque foi apresentado durante o governo Lula”.
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Fonte: Congresso em Foco