Enquanto TSE suspende grupo pró-Lula, canal ‘Tropa do Flávio’ dispara fake news no WhatsApp

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Por Luís Indriunas — Brasil de Fato

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“Você que gosta de notícia de verdade não de fakenews” é dessa forma que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez a primeira chamada do grupo de WhatsApp “Tropa de Flávio”, criado para eleitores bolsonaristas se engajarem na campanha do segundo turno.

No entanto, desde que iniciou, o grupo já divulgou várias notícias falsas e informações distorcidas sobre falas do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. Entre elas, um vídeo do governador Tarcísio de Freitas que fala em “vandalismo” no ato pró-Lula na avenida Paulista em São Paulo, com uma imagem falsa de uma mulher usando drogas. Após a Justiça Eleitoral condenar a postagem, os administradores do grupo apagaram.

Na mesma linha, a “Tropa do Flávio” fez circular a imagem criada por inteligência artificial que mostrava uma suposta funcionária do Metrô de São Paulo limpando pichações após o mesmo ato. Uma das primeiras postagens do grupo é outro exemplo, ao reproduzir uma publicação da revista Veja com acusações sem provas, relacionando o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária, e Lula. Nikolas Ferreira também usa o grupo para tentar desmentir seus encontros com Vorcaro.

Em outro caso, o grupo republicou, sem autorização, o vídeo da profissional de audiovisual, Carolina Fonseca, de Minas Gerais, que havia sido assaltada durante a cobertura de um ato pró-Lula em Belo Horizonte. Carolina afirmou, nas redes, que a exposição foi feita sem autorização e que, depois, passou a receber ofensas e mensagens insinuando que merecia ter sido roubada.

Além de mentiras, a tropa bolsonarista posta diariamente vídeos com cortes que fazem, por exemplo, parecer que Lula é a favor de traficantes de drogas, além de requentar uma notícia falsa, veiculada em 2022, sobre um suposto apoio do chefe do PCC, Marcola, ao petista.

Às vésperas do feriado de Nossa Senhora Aparecida, o grupo recebeu também vários vídeos deturpando falas de Lula sobre religião.

O grupo de WhatsApp repete também os preconceitos da extrema direita. Junto com Nikolas Ferreira, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) é um de seus principais incentivadores, com vídeos racistas e misóginos. Em um deles, o deputado chama de “feias, esquisitas e com peito para fora” as mulheres que foram às ruas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018, no movimento “Ele não!”. Em outro, Gayer diz que o PT tem “pacto com o diabo”.

Enquanto o grupo do candidato Flávio Bolsonaro continuou a funcionar ininterruptamente desde o dia 6 de outubro, grupo semelhante criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) já foi interrompido duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No domingo (11), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal de Janones, após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusou o canal de promover desinformação. No mesmo dia, o corregedor do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a decisão de Nunes Marques.

Nesta terça-feira (13), Nunes Marques, voltou a censurar o canal, afirmando o uso irregular da ferramenta, que deveria ter um registro formal do canal no TSE, o que foi providenciado pela campanha. Mesmo assim, o canal pode continuar fora do ar por 48 horas. A decisão de não liberar automaticamente o grupo está baseada, segundo Nunes Marques, em resolução do próprio TSE. O PT recorreu da decisão sobre o prazo.

O grupo lulista teve uma adesão muito maior até o momento. Enquanto os apoiadores de Flávio somam 1,5 milhão de seguidores, o grupo de Janones tem mais de 4,3 milhões de adesões.

O Brasil de Fato entrou em contato com a campanha de Flávio Bolsonaro para responder às questões sobre desinformação, mas até o momento não houve retorno. Qualquer posicionamento, o texto será atualizado.

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Fonte: Brasil de Fato

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