Enfrentar Tarcísio e a extrema direita em São Paulo com independência de classe e a força da nossa luta
Por MRT – Movimento Revolucionário de Trabalhadores — Esquerda Diário

Em meio a eleições marcadas pela ingerência imperialista e por uma crise histórica no STF e desse regime político podre, é preciso enfrentar Tarcísio de Freitas que lidera as intenções de voto para governador de São Paulo. Tarcísio é representante da mesma política asquerosa de Flávio Bolsonaro, capacho de Donald Trump. Contra toda a extrema direita e o legado dos 4 anos de seu mandato, é preciso confiar em uma alternativa independente da frente ampla e da conciliação, antiburocrática e que aposte na força da nossa classe, das mulheres, negros, LGBTQIAP+ e da juventude que travaram fortes lutas contra as políticas privatistas de Tarcísio.
Estamos atravessando eleições marcadas pela ingerência imperialista de Donald Trump que busca favorecer a extrema direita internacionalmente, com medidas políticas diretas aqui no Brasil. Trump quer saquear as terras raras e todas as riquezas naturais de nosso país, assim como saqueiam o petróleo da Venezuela. Contam com a extrema direita de cada país latino-americano para aprofundar sua ingerência. É por isso que nessas eleições, também marcadas por uma crise histórica do STF, em que se escancara a podridão desse regime político e a lama dessa república de banqueiros, mais do que nunca, é preciso fortalecer nossa batalha para enfrentar o imperialismo, a extrema direita e todos os ataques.
Para além das eleições presidenciais, serão eleitos os governadores e em São Paulo, vemos uma importante vantagem do atual governador de extrema direita, Tarcísio de Freitas (Republicanos), indicando uma provável reeleição, mesmo após anos de avanço de políticas repressivas, privatização, piora da qualidade dos serviços públicos e precarização das condições de trabalho e de vida da maioria da população.
O governo de Tarcísio de Freitas é manchado com sangue negro, fruto das políticas racistas e elitistas que levou a cabo ao longo de seu mandato. Seu histórico como oficial do Exército nas ocupações no Haiti em 2005 e 2006 escancaram seu profundo racismo. Em suas mãos, no ano de 2024, vimos como as mortes pelas polícias cresceram em 78%, em que a cada 3 vítimas, 2 eram negras. Responsável pelas truculentas operações policiais na Baixada Santista e diversos outros municípios, Tarcísio disse “não estar nem aí” com as diversas mortes de inocentes. Seu discurso racista, ancorado em um suposto combate ao crime organizado como reflexo da política trumpista de que é capacho, dá-se em paralelo ao envolvimento de seus próprios aliados políticos com facções, como é o caso da prisão de Milton Leite, ex-vereador que se entregou à prisão após investigações, que é do União Brasil e ex-presidente da Câmara Municipal, associado à infiltração do PCC em empresas de transporte público na capital. Essas operações, comandadas também por seu secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (Progressistas), agora candidato ao Senado, foram um verdadeiro banho de sangue nas periferias, deixando inúmeras famílias destruídas pela violência policial. Repudiamos as candidaturas ao Senado dessa chapa da extrema direita, não só de Derrite, herdeiro formado pela ditadura militar, como também de André do Prado (Partido Liberal), que desde a Alesp e com total apoio da família Bolsonaro, foi um pilar do avanço das privatizações em São Paulo.
Tarcísio, contando com apoio e aliança de Flávio Bolsonaro e toda a corja da extrema direita estadual e nacional, tem seu governo marcado por alcançar níveis recordes de feminicídios em São Paulo. Se comparamos o primeiro semestre deste ano de 2026 com o mesmo período em 2022, os casos de feminicídio cresceram em 70%, revelando como Tarcísio é inimigo das mulheres e de todos os seus direitos, assim como da comunidade LGBTQIAP+. Seu governo cortou 54,4% do orçamento das políticas para as mulheres, reservando míseros R$0,18 centavos por mulher. Permitiu o avanço da violência obstétrica nos hospitais públicos, impondo também a maternidade forçada a crianças, a partir de reacionárias alianças como com o prefeito Ricardo Nunes que impediram a realização de abortos previstos por lei no hospital Cachoeirinha.
Para além das políticas que atacaram brutalmente os setores oprimidos, Tarcísio de Freitas encampou também um projeto político reacionário da extrema direita neoliberal, buscando precarizar ao máximo as condições de trabalho e os serviços públicos, a fim de avançar na privatização. Foi o que vimos com as diversas tentativas de avançar na privatização do metrô e com a consolidação de entregar a CPTM a empresas privadas, ocasionando inúmeras falhas no serviço, inclusive colocando riscos à população, com cenas brutais de incêndio em trens. Também vimos a privatização da Sabesp que não só gerou históricas faltas d’água e diversos problemas de qualidade do serviço à população, como também as explosões no primeiro semestre deste ano, deixando mortos, feridos e destruindo casas de diversas famílias. Os constantes ataques à educação, como vimos com os ataques às universidades paulistas. E também a educação básica, contando inclusive com apoio do prefeito Ricardo Nunes, foi duramente atacada nestes anos, com avanço da privatização de setores, estruturas cada vez mais precárias, salas de aula lotadas, educadores cada vez mais adoecidos com sistemas de plataformização e ataques como as escolas cívico-militares.
Perseguindo os lutadores e grevistas, Tarcísio avançou também na demissão, como vimos com as punições e demissões dos metroviários grevistas em 2023 e com as demissões em massa de 40 mil professores no início desse ano e extinção de cargos públicos efetivos, como forma de avançar nesse seu projeto de terceirização e privatização. Assim como Flávio Bolsonaro e todos os referentes da extrema direita, é declaradamente contrário ao fim da escala 6×1. Todos esses exemplos também demonstram o que já sabemos: a política da extrema direita no país todo se baseia em proteger o lucro dos empresários à custa do sangue e suor da classe trabalhadora.
Apoiado por amplos setores da burguesia paulista, de proprietários de terra e empresários, seja dos interiores, seja da Faria Lima da capital, Tarcísio de Freitas lidera com folga nas pesquisas de intenção de voto nessas eleições para governador, com perspectiva de ganhar no 1º turno. Se por um lado é chocante que mesmo após todas essas políticas dos últimos 4 anos, Tarcísio possa se reeleger, por outro demonstra como é preciso refletir sobre qual caminho é preciso apostar para de fato enfrentar essa extrema direita.
O que temos visto nacionalmente é que a conciliação de classes levada adiante pela Frente Ampla não tem sido capaz de enfrentar a extrema direita, pelo contrário, vemos que a conciliação abriu espaço e fortaleceu esses setores mais reacionários, dando ministérios, fazendo acordos, financiando suas políticas. Tarcísio de Freitas é um dos maiores exemplos de como a conciliação fortalece a extrema direita. Porque vimos o governo federal de Lula-Alckmin financiando via BNDES os projetos de privatização de Tarcísio em São Paulo no transporte de trem e metrô, e na educação, como o caso da privatização das escolas entregues para gestores de cemitério. Além de termos visto seu partido, Republicanos, ganhar uma cadeira no ministério do governo federal. Ou quando vimos Fernando Haddad articular o novo teto de gastos, o arcabouço fiscal, cortando da saúde e educação e que impulsiona também as privatizações e processos de terceirização. Inclusive, Haddad como adversário direto de Tarcísio nessas eleições como candidato a governador, recentemente em sua campanha eleitoral anunciou que, apesar de todos os impactos da privatização da Sabesp – de qualidade do serviço, de valores, de demissão e precarização dos postos de trabalho, etc. -, se eleito não reestatizaria e mais, que seu plano de governo passaria por uma “privatização bem feita”.
Por isso, não vai ser pela via da conciliação de classes que vamos combater a extrema direita e Tarcísio de Freitas. Mas sim uma política de independência de classe que aposte na força, mobilização e auto-organização da classe trabalhadora, aliada à juventude e aos setores oprimidos.
Porque se por um lado vimos nos últimos 4 anos duros ataques e avanços da precarização, também vimos diversas categorias de trabalhadores, estudantes e setores oprimidos travando fortes lutas, greves e mobilizações importantes contra os ataques. A partir do Nossa Classe na Subsede da Apeoesp Santo André, no Sintusp, atuando nas lutas e greves dos metroviários e professores, fomos parte de impulsionar o enfrentamento contra os planos de Tarcísio e da extrema direita no estado, assim como nas lutas estudantis pela Faísca Revolucionária. Esse é o caminho que devemos nos apoiar e apostar, como estamos vendo nesse momento com as greves de Correios e de bancários da Caixa aqui em São Paulo, e não abaixando a cabeça no cenário de Tarcísio de Freitas se reeleger como governador por mais 4 anos.
Por isso, é preciso ter claro o papel da política de contenção e paralisia das centrais sindicais e burocracias alinhadas com a Frente Ampla, que nos últimos anos foram responsáveis por barrar e trair diversas lutas, inclusive este ano quando vimos greves importantes nas estaduais paulistas, professores municipais de São paulo e com portuários de Santos, que foram isoladas por essas direções, ou mesmo a forte greve dos ferroviários em SP, que se deu contra a vontade do sindicato dirigido pela CUT, e que poderia ter avançado ainda mais na luta contra a privatização se tivesse contado com uma solidariedade ativa dos demais sindicatos e das centrais sindicais. A aposta das direções sindicais, isolando cada uma dessas lutas, era de “desgastar Tarcísio” em prol da eleição de Fernando Haddad em São Paulo, algo que se mostrou uma vez mais uma estratégia falida.
Nesse sentido, em defesa da independência de classe e da independência política em relação à Frente Ampla para enfrentar a extrema direita e todos os ataques, para as eleições de governador em São Paulo nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, chamamos a votar na candidatura de Vera Lúcia do PSTU e em sua legenda no estado, por se tratar de uma candidatura que se coloca como oposição de esquerda ao governo e à conciliação. Em São Paulo essa política de conciliação fica clara como desarma nossa luta ao confiar em alianças com setores como Simone Tebet e Marina Silva nessas eleições, figuras que apoiam assumidamente políticas neoliberais, são antiaborto e têm um histórico de apoiarem duros ataques contra nossa classe. Sendo Tebet herdeira de terras e defensora do agronegócio que avança sobre terras indígenas, e que foi favorável às Reformas do Ensino Médio, Trabalhista e articuladora da Reforma da Previdência. Mesmo com diferenças programáticas e estratégicas importantes com o PSTU, como declaramos em nosso voto para as eleições presidenciais, consideramos que essas candidaturas defendem pontos de programa para a classe trabalhadora importantes neste momento e sobretudo criticam a conciliação de classes que no estado está a serviço de fazer campanha para figuras burguesas. Assim como cotidianamente em cada local de estudo e trabalho buscamos atuar unificadamente nas lutas, encampando uma alternativa às direções sindicais burocráticas.
A conciliação de classes tem como compromisso esvaziar as ruas em prol de seus acordos, e com isso preserva e fortalece a extrema direita. É isso o que estamos vendo também nas eleições nacionais, por exemplo na luta pelo fim da escala 6×1 ameaçada pela estratégia puramente institucional de buscar acordos com o Senado. Defendendo a independência de classe, é construir alternativas antiburocráticas, exigir das direções sindicais e apostar na auto-organização dos trabalhadores para enfrentar o imperialismo e extrema direita de Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e todas suas figuras asquerosas. Está claro que a política de Tarcísio está a serviço da maior presença militar de Trump na América Latina, com o discurso de classificar o PCC e o Comando Vermelho como terrorismo. Defendendo a unidade da nossa classe para enfrentar tudo isso, se apoiando nos importantes exemplos já vivenciados e que demonstram uma reserva, história de luta e força dos trabalhadores, que todos os dias mostram como são responsáveis por manter a sociedade funcionando e que, portanto, são também capazes de parar e transformar tudo.
Fonte: Esquerda Diário