Empresas do interior de SP indicam votos em Flávio Bolsonaro a funcionários

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Por Chico Alves — ICL Notícias

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Por Guilherme Pavarin

(Esta reportagem foi iniciada com informações encaminhadas ao site Denunciei.com)

Duas empresas das cidades de Gália e Garça, no interior de São Paulo, distribuíram aos funcionários santinhos impressos e mensagens digitais com indicações de voto em Flávio Bolsonaro e candidatos do PL a cargos legislativos. O episódio se deu em 1º de outubro, três dias antes das eleições do primeiro turno.

A prática contraria as regras eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe propaganda eleitoral em ambientes de trabalho públicos ou privados, assim como condutas que caracterizem assédio eleitoral. Dependendo do caso, os responsáveis podem ser alvo de multas, indenizações por danos morais coletivos e outras sanções.

As companhias Constroleo, que atua no refino de óleos lubrificantes em Gália, e Mandaguai, especializada na perfuração de poços artesianos e com sede em Garça, pertencem à mesma família. José David de Oliveira é sócio-administrador da Constroleo, enquanto sua mulher, Marisa Cristina Aparecida Mancini de Oliveira, figura como sócia-administradora da Mandaguai.

Na quinta-feira anterior ao pleito, Marisa enviou mensagens no grupo de funcionários no WhatsApp indicando candidatos para deputado federal, deputado estadual, Senado, governo de São Paulo e Presidência da República. Todos integrantes da chapa de Flávio Bolsonaro.

“Sabendo da dificuldade de muitos em não conhecer o perfil de candidatos ao Senado e à Assembleia Legislativa, tomamos a liberdade de indicar alguns nomes, por termos conhecimento de suas atuações junto à nossa comunidade, quer seja nos projetos sociais como na área da Saúde”, escreveu.

Além da chapa André do Prado, Derrite, Tarcísio e Flávio Bolsonaro, todos eleitos, Marisa indicou Vinícius Carvalho e Letícia Aguiar, candidatos do PL a deputado federal e estadual, respectivamente.

Letícia teve 94.832 votos e se elegeu pelo quociente partidário; já Vinícius registrou 12.773 votos e ficou como suplente.

Em Garça, onde o eleitorado era de 32.368 pessoas, Flávio recebeu 14.942 votos; Tarcísio, 15.753; Derrite, 14.618; e André do Prado, 14.113. Entre os candidatos ao Legislativo citados nas mensagens, Vinícius Carvalho teve 188 votos e Letícia Aguiar, 942. A cidade registrou 7.476 abstenções.

Já em Garça, 4.626 eleitores estavam aptos a votar no primeiro turno. Segundo o TSE, Flávio Bolsonaro recebeu 1.702 votos e Tarcísio, 1.864; Guilherme Derrite teve 1.807 e André do Prado, 1.718. Para deputado federal, Vinícius Carvalho somou 21 votos, enquanto Letícia Aguiar recebeu 92 para deputada estadual. Ao todo, 1.046 eleitores se abstiveram.

No grupo de WhatsApp com funcionários, Marisa já havia enviado mensagens elogiando Vinícius Carvalho. De acordo com a sócia-administradora da Mandaguai, Vinicius, uma “pessoa humilde”, “conseguiu mais de R$ 1,5 milhão só para Garça” como deputado federal. Ressaltou também que tanto o congressista quanto Letícia ajudam a Associação Garcense de Esportes Inclusivos, da qual sua empresa é parceira.

A indicação não se limitou ao campo digital. Na saída do expediente, funcionários da Constroleo receberam santinhos impressos com as indicações de nomes e números dos candidatos. Os folhetos foram entregues por uma vigia instruída a distribuir as peças para todos os trabalhadores.

Os sócio-administradores da Constroleo e da Mandaguai foram procurados pela reportagem e não responderam o contato. O espaço segue aberto para manifestação.

Prints das mensagens enviadas aos funcionários

Queixas trabalhistas

Constroleo e Mandaguai já responderam juntas a uma ação trabalhista. Em um processo iniciado em 2018 na Vara do Trabalho de Garça, um ex-funcionário cobrou, entre outros pontos, horas extras, pagamento por intervalos de almoço não usufruídos, férias pagas fora do prazo, vale-alimentação e ajuda de custo por quilômetro rodado. As empresas recorreram da decisão de primeira instância, mas o TRT-15 rejeitou o recurso da Mandaguai e aceitou apenas parte do apresentado pela Constroleo.

Em outro caso, de 2025, a Justiça do Trabalho de Osasco condenou parcialmente a Constroleo. Durante um período em que a empresa não apresentou controles formais de ponto, a Justiça considerou a jornada informada pelo trabalhador para calcular horas extras. A decisão também aplicou multa porque a empresa não comprovou o pagamento de verbas rescisórias que não estavam sendo contestadas. A Constroleo tentou reverter esses pontos, mas o recurso apresentado contra a sentença foi rejeitado.

 


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Fonte: ICL Notícias

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