Empresas aceleram adoção de IA, mas desorganização operacional ainda trava resultados, apontam executivos

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Por Marina Silva — Brasil 247

Em conferência em Buenos Aires, CIOs e especialistas do Google Cloud e da AWS afirmaram que o principal obstáculo não é a tecnologia, e sim a qualidade dos dados e dos processos; ferramentas começam a conectar sistemas corporativos a assistentes como Claude e ChatGPT

247 – A inteligência artificial avança rapidamente nas áreas de tecnologia das empresas latino-americanas, mas boa parte das iniciativas ainda não consegue sair da fase de testes. O motivo, segundo executivos reunidos em Buenos Aires, raramente está na capacidade dos modelos. Está na base: processos desorganizados, dados fragmentados e inventários desatualizados.

O diagnóstico marcou o ENVISION, conferência de gestão de serviços e ativos de TI que a InvGate realizou pelo terceiro ano consecutivo. O encontro reuniu especialistas do Google Cloud e da AWS, além de CIOs de empresas como Ternium Brasil, Pluspetrol, Banco Industrial e Liberty Latin America.

Dados antes dos agentes

No painel de CIOs, Patricio Flynn (Ternium Brasil), Claudio Piccardo (Pluspetrol) e Marcela Fernie (Banco Industrial) concordaram que por trás de toda estratégia de IA existe um desafio de dados.

A avaliação reforça uma tese defendida pelos fundadores da InvGate durante o evento: a maturidade operacional é condição prévia para que a inteligência artificial gere resultados. Uma organização que não sabe com precisão quais ativos possui ou como suas solicitações circulam entre áreas não estaria pronta para delegar decisões a sistemas autônomos.

A “armadilha dos tokens”

David Nalley, Director of Developer Experience da AWS, propôs inverter a lógica que tem guiado muitas empresas. Em vez de perguntar onde usar IA, disse, é preciso partir do que os clientes precisam e ainda não recebem.

Nalley alertou para a chamada “armadilha dos tokens”, ou seja, o uso de modelos em tarefas que não os exigem. Para ele, a IA deve ser reservada ao raciocínio e ao julgamento, sem se desvincular dos sistemas de execução nos quais as organizações já confiam.

Ali Arsanjani, Director of Applied AI Engineering do Google Cloud, chegou a conclusão semelhante a partir da história da arquitetura orientada a serviços (SOA). Segundo ele, os programas de IA que sobrevivem não são os mais ambiciosos, mas os que tomam boas decisões de design desde o início.

Sistemas corporativos conectados a assistentes de IA

Um dos movimentos apresentados no evento é a conexão direta entre sistemas de gestão e assistentes de IA de uso geral. A InvGate anunciou que o InvGate Asset Management, sua plataforma de gestão de ativos de TI (ITAM), passa a se integrar ao Claude, da Anthropic, e a outros assistentes, como o ChatGPT, por meio do Model Context Protocol (MCP). Com isso, as equipes podem consultar e gerenciar o inventário de tecnologia em linguagem natural.

A plataforma também incorporou auditorias em escala com RFID, que possibilitam levantar grandes volumes de ativos de TI em uma fração do tempo exigido por uma contagem manual.

Já o InvGate Service Management, plataforma de gestão de serviços de TI (ITSM) da empresa, passa a permitir a criação de fluxos de trabalho descritos em linguagem natural. A ferramenta ganhou ainda o Agent Studio, voltado à construção de agentes de IA que atuam junto ao suporte de nível um.

“Nunca introduzimos tanto software como agora”, afirmou Ariel Gesto, CEO e cofundador da InvGate.

A vantagem humana

O encerramento ficou a cargo de Liliana Gary, presidente e cofundadora da companhia, que abordou o papel humano em um cenário no qual a inteligência artificial está em toda parte.

A discussão sugere que a próxima etapa da IA nas empresas pode depender menos de modelos mais potentes e mais de uma pergunta anterior: se as organizações terão processos e dados organizados o suficiente para que a tecnologia produza resultados reais.

Fonte: Brasil 247

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