Empreendedorismo sênior cresce 55,8% em Minas Gerais em dez anos
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O Estado de Minas Gerais ganhou cerca de 193 mil empreendedores com 60 anos ou mais na última década. O número de pessoas dessa faixa etária à frente de negócios no estado passou de 346.080, no segundo trimestre de 2016, para 539,1 mil no mesmo período de 2026, crescimento de 55,8%.
Os números constam de levantamento do Sebrae elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram divulgados pelo Clube Notícia.
Atualmente, os empreendedores com pelo menos 60 anos correspondem a aproximadamente 16,3% dos 3,3 milhões de donos de negócios existentes em Minas Gerais. No país, são 4,5 milhões de empreendedores nessa faixa etária dentro de um universo de 30,4 milhões de proprietários de negócios.
A expansão também evidencia o peso desse grupo na renda das famílias. Segundo o levantamento, 69,6% dos empreendedores seniores mineiros são chefes de domicílio. Apesar da presença crescente na economia, apenas 31,7% possuem registro no CNPJ.
Serviços concentram maior número de empreendedores
O setor de Serviços reúne a maior parcela dos empreendedores com 60 anos ou mais em Minas, com 35,2% do total. A Agropecuária aparece em seguida, com 23,2%, enquanto o Comércio responde por 18,6%.
O levantamento também traça o perfil desse público. As mulheres representam 27% dos empreendedores seniores do estado, enquanto 47,9% se declaram pretos ou pardos.
Para o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, a experiência profissional acumulada ao longo da vida ajuda a explicar a expansão dessa modalidade de empreendedorismo.
“Muitos profissionais chegam a essa fase da vida com uma trajetória consolidada, ampla bagagem de mercado e uma rede de relacionamentos fortalecida ao longo dos anos. Ao empreender, eles buscam autonomia, a possibilidade de continuar ativos, e, muitas vezes, realizar um projeto que amadureceu ao longo da carreira ou que não conseguiram tirar do papel. São pessoas que normalmente têm um propósito maior ao empreender, para além da necessidade de gerar renda”, ressalta.
Maioria empreende após identificar oportunidade
Dados da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2025 reforçam a tendência. A pesquisa, realizada pelo Sebrae em parceria com a Associação Nacional de Estudos e Pesquisas em Empreendedorismo (Anegepe), apresentou pela primeira vez um recorte específico para pessoas de 65 a 74 anos.
Segundo o estudo, quase 63% dos empreendedores brasileiros dessa faixa etária decidiram abrir um negócio após identificar uma oportunidade de mercado. Outros 32,5% começaram a empreender principalmente por necessidade.
“Os dados reforçam que o empreendedorismo sênior está cada vez mais associado à bagagem profissional, ao planejamento e à capacidade de identificar oportunidades. São empreendedores que chegam ao mercado com maior conhecimento e maturidade, fatores que contribuem para uma gestão mais consistente e aumentam as chances de sustentabilidade dos negócios”, ressalta o presidente.
Tecnologia e mudanças de consumo exigem adaptação
Apesar da experiência acumulada, a permanência e a competitividade dos negócios dependem também da capacidade de acompanhar mudanças tecnológicas e novas tendências de consumo.
“Experiência e conhecimento são importantes diferenciais, mas é preciso estar atento às mudanças. Buscar capacitação, acompanhar tendências e novas tecnologias, além de compreender as transformações no comportamento do consumidor, são atitudes importantes para manter os negócios atualizados, identificar novas oportunidades e garantir sua sustentabilidade ao longo do tempo”, destaca Silva.
Fonte: Brasil 247