Emissões dos transportes crescem 56% no Brasil e superam o avanço do PIB entre 2005 e 2024

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

As emissões de gases de efeito estufa dos transportes brasileiros aumentaram 56% entre 2005 e 2024, ultrapassando o crescimento de 48% do Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo intervalo. Os dados são de um estudo do Centro Brasil no Clima (CBC), que aponta a dependência do diesel no transporte de cargas e a contribuição ainda incipiente dos carros elétricos para reduzir as emissões.

O levantamento indica que as medidas adotadas para descarbonizar os transportes não conseguiram inverter essa trajetória. Segundo a avaliação dos pesquisadores, o setor permanece em um ritmo incompatível com as metas de neutralização de carbono associadas ao Acordo de Paris.

O transporte de cargas responde por 53,9% das emissões do setor. A atividade continua fortemente vinculada ao consumo de diesel, sem alternativas disponíveis em escala suficiente para substituir o combustível fóssil, de acordo com a pesquisa.

Os caminhões evidenciam esse desequilíbrio: embora representem apenas 3% da frota circulante, têm uma participação desproporcional nas emissões. O resultado aponta para a dificuldade de reduzir o impacto climático da movimentação de mercadorias.

No transporte de passageiros, o estudo identifica os biocombustíveis, sobretudo o etanol, como o principal fator de contenção do crescimento das emissões. Esse efeito, entretanto, não significou uma redução no total emitido pelo conjunto dos transportes. A adoção de automóveis elétricos também ainda exerce uma influência considerada inicial na mitigação dos gases de efeito estufa.

Entre as políticas avaliadas estão os incentivos à produção de veículos mais eficientes e a ampliação da mistura de etanol anidro na gasolina. Apesar dessas iniciativas, a expansão das emissões ao longo do período analisado superou o avanço da economia brasileira.

O desempenho dos transportes contrasta com a redução de 20% das emissões líquidas do Brasil registrada entre 2005 e 2022. Segundo o levantamento, a queda nacional decorreu principalmente da diminuição do desmatamento. Os resultados, portanto, abrangem intervalos distintos e refletem comportamentos diferentes entre as atividades analisadas.

Os pesquisadores Daniel Neves Schmitz Gonçalves e George Vasconcelos Goes, do Programa de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizaram o trabalho. O CBC atua na descarbonização da economia, na proteção da biodiversidade e na promoção da justiça climática.

A análise utilizou informações do Observatório do Clima, do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas e do Primeiro Relatório Bienal de Transparência. Este último reúne a prestação de contas brasileira às Nações Unidas sobre as ações do país na área climática.

Fonte: Brasil 247

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