Emendas Pix ajudam a reeleger Tarcísio: como furar a hegemonia da direita em SP?

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Por BdF Entrevista — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Nessas eleições, o estado de São Paulo consolidou a transição política da centro-direita, representada majoritariamente pelo PSDB, para a extrema direita. O movimento na direção da bolzonarização começou ainda em 2018, teve seu momento fundamental em 2022, ao eleger Tarcísio de Freitas (Republicanos), e encontra seu ápice agora com a reeleição do governador e a votação recorde de Eduarda Campopiano para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e de Lucas Pavanato para a Câmara dos Deputados.

Ao BdF Entrevista, o cientista político Francisco Fonseca, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), avalia que existe um vínculo tradicional do Estado com a pauta econômica liberal, o punitivismo e uma certa intolerância à oposição, eclipsando a direita tradicional e partindo para o extremismo. Fonseca destaca, no entanto, que esse domínio não é homogêneo, já que Lula venceu no primeiro turno em importantes cidades, como a capital paulista, São Bernardo e Diadema, mas seguiu sendo derrotado no interior, repetindo resultado de eleições anteriores.

“Nos lugares em que o agronegócio é predominante — e não é apenas no determinado município, em todo o entorno –, o bolsonarismo, em particular, viceja. Além disso, há um maior, de fato, conservadorismo de costumes. Agora, em terceiro lugar, eu diria que já mostram que as emendas Pix, onde elas chegam, sobretudo em pequenos municípios, têm efeitos, porque os pequenos municípios do Brasil não conseguem sobreviver com o seu próprio orçamento”, pondera. “Existem pesquisas disso que eu estudei: onde os parlamentares, sobretudo da direita, enviam dinheiro para os municípios, eles deram vitória ao Flávio Bolsonaro. É um elemento material muito importante, que é justamente o papel que ocupam essas emendas”, reforça. Ou seja, continua Fonseca, não se trata de dizer que o eleitor está indo para a direita, “é muito mais que isso, tem muito dinheiro envolvido”.

Francisco Fonseca ressalta que as direitas no Brasil governam para as elites e defendem o Estado mínimo para o pobre. “É mínimo para direitos sociais, mas máximo para a punição. Você sempre tem aumento de recursos, de orçamento para as polícias, para aumento de sistema prisional. Tudo que é punitivismo não tem ajuste fiscal”, aponta.

Na avaliação do cientista político, para furar essa hegemonia e construir uma alternativa viável em São Paulo, o campo progressista precisa superar o imediatismo eleitoral e estabelecer uma estratégia contínua de médio e longo prazo no estado.

Fonseca defende dialogar com as contradições do eleitorado conservador, que muitas vezes apoia serviços públicos essenciais como o Sistema Único de Saúde (SUS), e estruturar iniciativas permanentes, como a criação de “gabinetes sombra”, muito comuns na Inglaterra, articulados com movimentos populares para fiscalizar o governo estadual e propor alternativas de políticas públicas.

“A cada decisão importante do governador vem um estudo que tem na voz desta liderança os contrapontos necessários e vai aparecendo, vai também indo ao interior, ouvindo prefeitos. É um projeto que pode ser retomado, a ideia dos gabinetes sombra, como chamamos, em que há um monitoramento permanente, que isso passa a ocupar espaços de poder”, considera. Ele alerta para a necessidade de manter uma atuação pujante, não apenas em períodos eleitorais. “Isso tudo precisa ter um projeto para o Estado, efetivamente. Não pode surgir na hora da eleição”, critica.

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

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Fonte: Brasil de Fato

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