Em sabatina, Lula acenou para indecisos e quem não foi votar, avalia cientista política
Por Afonso Bezerra — Brasil de Fato
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Durante a sabatina de quinta-feira (15) na Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos para crimes hediondos, a necessidade de uma reforma do Judiciário e reafirmou que manterá o reajuste do salário mínimo acima da inflação.
Para a cientista política Priscila Lapa, no atual momento de disputa acirrada, em que as pesquisas indicam empate técnico a todo o momento, é fundamental acenar para o eleitor indeciso, que é um percentual pequeno, e para as abstenções, que, na sua avaliação, é o elemento que pode ser o fiel da balança. “Para o eleitorado que já vota em Lula, essa informação talvez cause um incômodo, mas eu acredito que não o suficiente para fazer uma mudança de postura diante do que o outro lado representa”, afirma.
Nesse sentido, Lapa destaca que, caso não houvesse essa sinalização de Lula pela redução da maioridade com algumas condições, o projeto encabeçado por Flávio Bolsonaro (PL), de redução para 14 anos, poderia vingar e representaria retrocesso muito maior. “Temos um segundo turno calcificado, extremamente polarizado, em que a eleição é mobilizada muito mais pelo medo do que por qualquer pauta propositiva, pelo medo de que o outro vença do que propriamente eu pensar naquilo que o meu candidato está trazendo para o cenário”, argumenta.
Essa mudança de postura, observa a cientista política, passa pela negociação na perspectiva do próprio eleitorado, já que os dois temas que “embalam a opinião pública são corrupção e segurança pública”.
Com relação aos dois debates previstos nessa reta final — no próximo domingo (18), na Band, e na sexta-feira (23), dois dias antes das eleições, na Globo — Priscila Lapa observa que tem ficado claro que “esses momentos televisivos têm tido um efeito cada vez mais reduzido”, diferentemente de 20 anos atrás, e acredita que a própria candidatura de Flávio Bolsonaro se mostraria inviável sem as redes sociais.
“Tanto a Quaest como o Datafolha e outros institutos trouxeram, esta semana, um posicionamento do eleitor de indisponibilidade para fazer qualquer mudança da sua escolha. Então, a gente tem hoje uma eleição com um percentual de indecisos muito baixo”, aponta.
Ela pondera, contudo, que há um elemento inédito: o fato de que Lula e Flávio não tiveram um enfrentamento direto e presencial até agora. “Existe uma expectativa de que esse enfrentamento poderá colocar algum dos dois candidatos numa saia justa. Agora é muito mais sobre o que eles vão deixar de dizer, que explicação não vai ser dada sobre algum tema, do que propriamente o que eles vão propor. Não é um debate numa linha propositiva, é um debate numa linha de criar casca de banana, fazer o outro derrapar em alguma explicação mal dada que não foi feita”, defende.
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Fonte: Brasil de Fato