Em entrevista à CNN, Luchsinger diz que pretende fazer delação e que não vai poupar Lulinha e nem Lula; vídeo
Por João Reynol — Jornal Opção

A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou que pretende firmar um acordo de delação premiada e colaborar com as investigações da Polícia Federal (PF) que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo ela e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista à CNN Brasil, neste sábado, 17, Luchsinger afirmou que não pretende poupar nenhum dos envolvidos caso a colaboração seja concretizada, incluindo o próprio presidente e o filho dele.
“Não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República”, afirmou a empresária. Segundo Luchsinger, ela estaria disposta a fornecer à investigação informações que vão além do conteúdo das mensagens de WhatsApp já obtidas pelos investigadores.
A lobista alegou que poderia apresentar “detalhes” de situações que presenciou pessoalmente, mesmo quando não tenha participado diretamente dos fatos. Ela afirmou ainda que pretende colaborar com a PF quando houver condições jurídicas para formalizar o acordo.
Roberta e Lulinha são investigados por suspeita de tráfico de influência no governo federal, sendo o crime configurado quando uma pessoa solicita, exige, cobra ou obtém alguma vantagem ou promessa de vantagem sob o argumento de que pode influenciar uma decisão ou ato praticado por um funcionário público.
As apurações ganharam força a partir da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A empresária já foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para utilização de tornozeleira eletrônica.
Já Lulinha é alvo de três inquéritos da PF por suspeitas de atuação para favorecer empresas junto ao governo federal. Ele teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), mas não foi indiciado na Operação Sem Desconto.
Em nota à CNN, a defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade associada ao nome dele e de encontros com ministros de Lula, conforme noticiado anteriormente pela reportagem.
Leia a nota na íntegra:
Fábio Luís Lula da Silva não cometeu nenhuma irregularidade e teve seus dados bancários, fiscais e telemáticos abertos, colocando-se à disposição da Justiça para colaborar com as investigações desde o primeiro momento. Sua relação com políticos de qualquer natureza, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano.
As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso retrata, mais do que qualquer coisa, sua contrariedade tanto em relação às declarações do Presidente da República sobre seu caráter quanto, de forma compreensível, em relação ao incessante ataque resultante de vazamentos criminosos que têm o evidente objetivo de controlar a pauta da imprensa em período eleitoral.
Quanto às investigações abertas, tudo até o momento indica manipulação, direcionamento e pescaria probatória: desde a quebra de sigilo telefônico de Roberta Luchsinger na investigação do INSS, que buscou dados sobre Fábio Luís de anos antes de Roberta sequer conhecer Antônio Camilo, até os reiterados vazamentos ilegais.
Assim como fez em diversas acusações anteriores, inclusive na operação do INSS em que não foi nem sequer indiciado, Fábio Luís comprovará sua inocência nos autos, após ter contato com dados e provas concretas.
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Fonte: Jornal Opção