Em busca da virada no 2º turno, Lula abraça os vídeos em selfie

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Por Vinícius Nunes — Carta Capital

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O presidente resistia ao formato e preparava uma guinada nas redes. Agora, os primeiros dez vídeos já somam quase 66 milhões de visualizações

O presidente Lula (PT) aderiu ao formato de vídeos gravados em selfie, com celular na mão e comunicação direta com o eleitor. A mudança que sua própria equipe defendia havia semanas, no entanto, só saiu do papel depois do primeiro turno, quando Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência.

A estratégia havia sido antecipada por CartaCapital em setembro, quando a campanha já discutia uma mudança na comunicação digital do petista e a adoção de formatos mais próximos daqueles usados por influenciadores e candidatos com forte presença nas redes. Na época, Lula ainda resistia à ideia. Na quarta-feira 7, no entanto, publicou os primeiros vídeos nesse formato e admitiu que não gosta de fazer selfies. “O pessoal me enche o saco, ‘faz uma selfie‘. Eu não gosto. Hoje, resolvi fazer”, afirmou.

A mudança ocorreu justamente depois do resultado que acendeu o alerta na campanha . Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula – uma diferença de 2,23 milhões de votos. A campanha petista passou a tratar a comunicação digital como uma das frentes prioritárias para tentar reverter a situação no segundo turno.

Nos primeiros dias da nova estratégia, os dez primeiros vídeos publicados por Lula nesse novo formato já somam quase 66 milhões de visualizações . O desempenho mostra que o conteúdo tem capacidade de alcançar um público expressivo, mas não encerra o problema identificado pela própria campanha: a dificuldade de fazer o conteúdo da esquerda circular organicamente nas plataformas.

Captura de tela do perfil oficial de Lula (PT) no Instagram mostra que o presidente já acumula 65,9 milhões de visualizações nos vídeos selfie postados desde quarta-feira 7. Foto: Reprodução

Nas redes sociais, usuários passaram a relatar dificuldade para encontrar conteúdos de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), Jones Manoel (PSOL-PE), Ana Elisa (PT-MG) e Guilherme Cortez (PSOL-SP) – estes três últimos eleitos para a Câmara dos Deputados –, mesmo quando procuram diretamente pelos nomes. Os relatos contrastam com a facilidade de deparar com vídeos de Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, um dos principais fenômenos digitais da extrema-direita. 

CartaCapital fez um teste na ferramenta de busca do Instagram para verificar como a plataforma apresenta os nomes. Na pesquisa por “Lula” e “Alckmin”, os primeiros resultados exibidos não correspondem aos perfis pessoais dos dois políticos. Já nas buscas por “Flávio Bolsonaro” e “Bolsonaro”, os perfis aparecem entre os primeiros resultados. 

O caso de Alckmin chama ainda mais atenção porque a busca não apenas deixa de priorizar o perfil do vice-presidente, mas sugere conteúdos relacionados à antiga rivalidade com Lula. Entre os resultados aparece uma sugestão para um vídeo sobre um histórico confronto entre os dois.

A mudança digital de Lula também veio acompanhada de uma tentativa de aproximar a campanha de nomes mais jovens e com experiência nas redes. Ana Elisa, deputada federal eleita pelo PT de Minas Gerais aos 21 anos e com mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram , participou das discussões sobre a nova estratégia . Ela defendeu uma aproximação maior entre a campanha e a linguagem das plataformas.

Rafael Fonteles , governador reeleito do Piauí, também participou da mudança. Segundo a campanha, partiu dele a sugestão para que Lula gravasse vídeos no formato selfie. A primeira gravação foi publicada na quarta, quando o presidente convocou apoiadores a “ir para a rua” e conversar com outros eleitores. Em outro vídeo, Lula abordou o fim da escala 6×1 e questionou como Flávio Bolsonaro e o PL pretendem votar sobre o tema.

O movimento também provocou reação de Flávio Bolsonaro. A campanha do candidato do PL trabalha para ampliar uma estrutura digital que já estava montada antes da nova guinada petista, com parlamentares e aliados funcionando como multiplicadores de conteúdo e uma base de cerca de 1,7 milhão de contatos no WhatsApp .


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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