Elite econômica versus democracia
Por Emir Sader — Brasil 247
Cada vez que se aproxima uma eleição — ainda mais quando há a possibilidade de vitória de um candidato que não é do agrado da elite econômica, como é o caso hoje —, espalha-se a ideia de que “o mercado está preocupado com as eleições”!
Vamos traduzir. Trata-se das incertezas de qualquer eleição que gerariam essas preocupações? A própria disputa democrática preocupa os grandes empresários? Preocupam-se que as incertezas gerem instabilidades no mercado?
O que quer que seja, trata-se, realmente, de preocupações porque, uma vez mais, o candidato preferido do mercado pode ser derrotado.
E isso, o que significa? Não apenas a reeleição do Lula, mas a continuidade de políticas antineoliberais, de fortalecimento do Estado, de democratização do Estado, de consolidação da política de menor desemprego da nossa história, combinado com o controle da inflação.
É uma política que não agrada ao grande empresariado. Eles preferem as políticas neoliberais, que fortalecem a especulação financeira e o capital financeiro. São adeptos do Estado mínimo, isto é, do mercado máximo, da mercantilização das relações sociais, às custas dos direitos das pessoas. Isto é, assumem o neoliberalismo. E não apenas os preocupa, mas os desagrada profundamente uma política que vai na direção oposta a essa.
O que os preocupa então, na verdade, é a democracia, eleições democráticas nas quais um candidato de origem popular coloca em prática uma política que atende a esses interesses.
Nestas eleições, os dois principais candidatos representam alternativas radicalmente contraditórias para o futuro do Brasil. Lula propõe uma política de combate às desigualdades que caracterizam o país, com fortalecimento da democracia. Política que tem feito a economia crescer, fortalecendo e ampliando os direitos sociais da população.
O filho do Bolsonaro, ao contrário, prioriza uma política de violência para combater a violência. Política que, em todo lugar em que é aplicada, só aumenta a violência e fracassa.
Mas é em torno deste candidato que se une o grande empresariado. Uma candidatura que teria como seu objetivo primeiro derrotar o governo do PT e desalojá-lo do poder.
Um candidato que, se eleito, atenderá aos grandes interesses desse empresariado, começando pela retomada do processo de privatização de empresas; de endurecimento da repressão contra as mobilizações populares; de mudança radical da política internacional, restabelecendo alianças estreitas com os Estados Unidos, Israel, a Argentina de Milei e outros governos de extrema-direita.
Ao mesmo tempo em que assumiria a ideologia que os Bolsonaros têm propagado. Fala-se até que o filho do Bolsonaro que vive nos Estados Unidos, condenado no Brasil, gostaria de assumir o Ministério das Relações Exteriores, para o que teria que voltar ao país e encarar sua condenação.
Em suma, mudaria muito o Brasil, as condições de vida da população, o lugar do Brasil no mundo. Seria a retomada do governo fracassado do Bolsonaro, com o objetivo maior dos seus filhos: suspender sua prisão domiciliar e levá-lo ao governo.
Diz-se que seriam as eleições mais importantes da história do país. Pelas consequências que teriam, de fato podem ser: ganhe um ou ganhe o outro, ganhe a democracia ou o autoritarismo.
Fonte: Brasil 247