Elika Takimoto analisa cenário eleitoral do RJ e destaca força das ruas na disputa presidencial

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Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 –  A política no estado do Rio de Janeiro voltou a ser palco de reviravoltas judiciais e denúncias graves no pleito de 2026. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, a deputada estadual reeleita Elika Takimoto (PT-RJ) analisou o conturbado cenário eleitoral fluminense após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) — medida que garantiu a vitória de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno contra Eduardo Paes (PSD).

Para Takimoto, a decisão tardia da Justiça Eleitoral deixa margem para indignação e insegurança jurídica na população fluminense.

“A justiça tarda e falha. E falha muito. O Garotinho usou fundo eleitoral, participou de debates e influenciou diretamente o pleito para, três horas depois da eleição, decidirem que ele não podia concorrer. Por que não decidiram isso antes?”, questionou a parlamentar.

Poder paralelo e a força do dinheiro vivo nas urnas

Ao avaliar a vitória surpresa de Douglas Ruas frente a Eduardo Paes — que liderava as pesquisas de intenção de voto —, Elika chamou a atenção para o volume desproporcional de recursos investidos em áreas periféricas e controladas pelo crime organizado.

Segundo a deputada, o Rio de Janeiro vive uma situação inadmissível de coação do eleitorado, onde o poder paralelo determina quem pode ou não fazer campanha nos territórios:

  • Domínio Territorial: “O estado é dominado pela milícia, que controla o gás, a internet e obriga as pessoas a votarem em determinados candidatos. Não dá para falar em eleição livre no Rio de Janeiro.”
  • Compra de Votos: Elika relatou ter presenciado pedidos explícitos de pagamento em troca de apoio. “Não estamos falando de R$ 100, estamos falando de milhões de reais em dinheiro vivo circulando para compra de votos.”
  • Casos de Polícia: A parlamentar lembrou o histórico recente do estado, citando as prisões de ex-governadores e ex-presidentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), alertando que as investigações sobre o pleito atual ainda trarão desdobramentos graves.

Composição da ALERJ e o avanço da extrema-direita

Apesar de ter conquistado 135 mil votos — tornando-se a deputada estadual eleita mais votada da história do PT no Rio de Janeiro —, Elika expressou preocupação com a nova composição do parlamento fluminense.

Bloco Político Situação na ALERJ Federação PT/PCdoB/PV e PSOL Registraram crescimento em cadeiras, garantindo fôlego para a oposição. PL e Extrema-Direita Tiveram crescimento desproporcional, consolidando controle sobre comissões estratégicas.

“Eles cresceram muito e hoje dominam grande parte da Casa. Isso impacta a distribuição de comissões e a pauta de votações no plenário. Mas a nossa bancada fará uma oposição firme, fiscalizando o orçamento e denunciando as irregularidades”, garantiu a parlamentar.

A juventude nas ruas e a virada no cenário nacional

Se o cenário estadual apresenta desafios complexos, o movimento nas ruas para a eleição presidencial traz otimismo para a deputada. Elika destacou o papel determinante dos estudantes e dos movimentos sociais que tomaram as vias públicas e as redes sociais.

“Quando subi no carro de som na Candelária e vi aquele mar de jovens, fiquei profundamente emocionada. A juventude chegou na hora certa. Eles entenderam o risco que a educação e os direitos trabalhistas correm e estão fazendo um trabalho de formiguinha incansável.”

“Trabalho de formiguinha e diálogo sem fake news”

Para a reta final da campanha presidencial, Elika defendeu que a estratégia da esquerda deve focar na presença em territórios populares — para além da Zona Sul carioca —, ocupando espaços como a Quinta da Boa Vista e os subúrbios.

A deputada ressaltou que a disputa se vence no diálogo direto e paciente com os eleitores indecisos:

  1. Diálogo Ativo: Ouvir as dúvidas dos eleitores sem desrespeito ou agressividade.
  2. Confronto de Projetos: Apresentar as propostas reais de governo em áreas fundamentais como saúde, educação e serviço público.
  3. Questionamento Consciente: “Faça perguntas simples ao eleitor sobre quais projetos do adversário realmente melhoraram a vida da sua família. A verdade desmonta as fakes rapidamente.”

Ao final da transmissão, a parlamentar agradeceu o apoio massivo dos eleitores e reafirmou seu compromisso com a defesa do povo fluminense: “Tenho muita esperança e disposição. Em 2022 nós vencemos contra o aparato do Estado, e em 2026 somos capazes de fazer ainda mais.”

Fonte: Brasil 247

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