Elias Jabbour desafia coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro para debate
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O professor e deputado federal eleito Elias Jabbour (PCdoB-RJ) desafiou publicamente Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), para um debate aberto focado em austeridade fiscal e desenvolvimento econômico. A publicação foi feita na noite de terça-feira (13) em suas redes sociais, em meio às repercussões sobre o pacote fiscal em estudo pela equipe do senador.
“Desafio ao debate. Como deputado federal eleito, e também como professor de economia, desafio a senhora Daniella Marques – coordenadora da área econômica de Flávio Bolsonaro – a um debate aberto sobre austeridade fiscal e desenvolvimento econômico. Que ela me mostre onde e quais áreas serão afetadas por um possível corte de R$ 200 bilhões. Será uma oportunidade para milhares de brasileiros saberem a verdade sobre o que realmente os Bolsonaro querem para o Brasil. Aceite esse desafio, senhora Daniella”, publicou Jabbour. Até o momento, a reportagem não conseguiu localizar uma resposta pública de Daniella Marques ao desafio.
Desafio ao debate
Como deputado federal eleito, e também como professor de economia, desafio a senhora Daniella Marques ( @soudanimarques ) – coordenadora da área econômica de Flávio Bolsonaro – a um debate aberto sobre austeridade fiscal e desenvolvimento econômico.
Que ela me mostre onde e quais áreas serão afetadas por um possível corte de R$ 200 bilhões.
Será uma oportunidade para milhares de brasileiros saberem a verdade sobre o que realmente os Bolsonaro querem para o Brasil.
Aceite esse desafio, senhora Daniella
— Elias Jabbour (@eliasjabbour) October 14, 2026
O posicionamento de Jabbour surge após a divulgação de que a equipe responsável pelo programa econômico de Flávio Bolsonaro analisa um severo pacote de medidas fiscais voltado para a contenção de despesas obrigatórias da União. O objetivo da candidatura é viabilizar um ajuste fiscal inicial da ordem de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a aproximadamente R$ 250 bilhões. Segundo assessores, a meta é vista como indispensável para estancar o crescimento da dívida pública bruta, reduzir a percepção de risco no mercado financeiro, aliviar a pressão sobre as taxas de juros e estabilizar os cofres públicos. Contudo, as medidas em estudo poderiam atingir diretamente aposentados e comprometer os pisos constitucionais de saúde e educação.
O centro da proposta mira as maiores rubricas do Orçamento federal: a desvinculação dos reajustes da Previdência Social e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em relação aos ganhos reais do salário mínimo, além do fim das vinculações obrigatórias que atrelam os recursos da saúde e da educação ao comportamento das receitas federais. Caso haja concessão de aumento real (acima da inflação) para os trabalhadores da ativa, o reajuste das aposentadorias do INSS e do BPC ficaria limitado estritamente à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ou a um patamar menor. Essa engenharia preservaria o valor real dos benefícios para respeitar a cláusula pétrea da Constituição, mas estancaria o efeito multiplicador sobre a folha salarial da Previdência — atualmente, cerca de 70% dos mais de 41 milhões de benefícios pagos pelo INSS correspondem ao piso nacional.
Na área social e de infraestrutura básica, o projeto pretende eliminar a vinculação obrigatória de gastos que hoje destina 15% da Receita Corrente Líquida para a saúde e 18% da Receita Líquida de Impostos para a educação, passando a corrigir esses montantes unicamente pela variação da inflação. As diretrizes foram apresentadas por interlocutores da campanha a empresários e agentes do mercado financeiro ao longo do ano.
Diante da repercussão, a assessoria de Flávio Bolsonaro declarou que “não se pode transformar conversas informais, interpretação de terceiros ou especulação sobre o cenário econômico em posição oficial de uma candidatura, ocorridas antes mesmo do início do período eleitoral”.
A equipe do senador acrescentou: “A orientação econômica da candidatura não é definida por relatos ou ilações de terceiros. Ela está expressa, de forma objetiva e verificável, no plano de governo, onde não constam tais propostas, e nas manifestações públicas feitas ao longo da campanha por Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, Daniella Marques e Adolfo Sachsida. Qualquer tentativa de substituir esse conteúdo distorce os fatos e posições reais apresentadas”. Além disso, Flávio Bolsonaro afirmou posteriormente que não prejudicaria o salário de aposentados.
Apesar do recuo formal, declarações anteriores de lideranças do grupo sinalizavam medidas drásticas. No início do ano, o próprio Flávio Bolsonaro defendeu a realização de um “tesouraço” para equilibrar as contas. Já o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o atual modelo econômico está “estourando”, prometendo mudanças estruturais e destacando que as reformas trabalhista de 2017 e da Previdência de 2019 seriam “revisitadas”. Atualmente, no entanto, a campanha baixou o tom para conter críticas da oposição sobre eventuais cortes de direitos sociais, mantendo um plano de governo oficial vago na área fiscal.
Fonte: Brasil 247