Eleitos para a Câmara arrecadaram sete vezes mais que derrotados

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FINANCIAMENTO ELEITORAL

Congresso em Foco

13/10/2026 | Atualizado às 15:36

Os 513 deputados federais eleitos em 2026 arrecadaram, em média, sete vezes mais recursos de campanha do que os candidatos que ficaram sem mandato. Levantamento do Congresso em Foco com base nas prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral mostra que cada vencedor recebeu, em média, R$ 2,28 milhões, enquanto os 6.880 candidatos não eleitos e suplentes declararam R$ 323 mil por candidatura.

A diferença de quase R$ 2 milhões por candidato revela a desigualdade financeira na disputa pela Câmara. Juntos, os eleitos arrecadaram R$ 1,17 bilhão. Os candidatos que não conquistaram uma cadeira receberam R$ 2,22 bilhões, mas formam um grupo mais de 13 vezes maior.

Os valores ainda são preliminares. O levantamento considera as receitas registradas na base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gerada em 11 de outubro, uma semana depois do primeiro turno. Os candidatos têm até 3 de novembro para entregar as prestações de contas finais, e os valores declarados ainda podem sofrer alterações.

Campanhas com mais recursos tiveram mais facilidade para sair vitoriosas das urnas.

Fundos públicos responderam por 90% da arrecadação

Ao todo, as candidaturas à Câmara declararam aproximadamente R$ 3,4 bilhões em receitas. Desse valor, R$ 3,06 bilhões vieram dos fundos eleitoral e partidário, responsáveis por 90% da arrecadação.

As doações diretas de pessoas físicas somaram R$ 194,3 milhões. Outros R$ 8,3 milhões foram registrados nas modalidades de financiamento coletivo e doações pela internet, enquanto os recursos próprios dos candidatos chegaram a R$ 56 milhões.

O financiamento público predominou tanto entre vencedores quanto entre candidatos sem mandato. Os eleitos receberam aproximadamente R$ 1,04 bilhão dos dois fundos, o equivalente a 89% de sua arrecadação. Entre os não eleitos e suplentes, os repasses dessas fontes somaram R$ 2,02 bilhões, ou 91% do total recebido pelo grupo.

Os números mostram que a diferença de financiamento entre eleitos e derrotados ocorreu em uma eleição amplamente sustentada por recursos públicos, distribuídos principalmente pelas direções partidárias.

Metade dos derrotados arrecadou até R$ 80 mil

A desigualdade é ainda maior quando se considera a mediana, indicador que divide os candidatos em duas metades e reduz a influência de arrecadações excepcionalmente elevadas. Entre os eleitos, metade recebeu mais de R$ 2,43 milhões; entre os não eleitos e suplentes, metade arrecadou até R$ 80 mil. A diferença supera 30 vezes e mostra que a vantagem dos vencedores não se limita a algumas campanhas milionárias.

Quase um quarto dos eleitos recebeu R$ 3 milhões ou mais

Dos 513 deputados eleitos, 114 declararam arrecadação superior a R$ 3 milhões. Outros seis receberam exatamente esse valor. Juntos, representam 23,4% da nova Câmara. Entre os maiores valores estão Osmar Terra (PL-RS), com R$ 3,38 milhões; Dani Cunha (PL-RJ), com R$ 3,36 milhões; Rosana Valle (PL-SP), com R$ 3,34 milhões; e Alberto Fraga (PL-DF), com R$ 3,33 milhões.

Mas a arrecadação milionária não garantiu vitória. Nilson Leitão (PP-MT) recebeu R$ 3,34 milhões e terminou na suplência. Daniela do Waguinho (Republicanos-RJ) e Samantha Cavalca (PP-PI) também ultrapassaram R$ 3,2 milhões sem conquistar uma cadeira. No extremo oposto, Lucas Polese (PL-ES) foi eleito com R$ 105,5 mil declarados, a menor arrecadação positiva identificada entre os vencedores.

O peso dos partidos na eleição

O financiamento é uma variável importante na disputa, mas a conquista de uma cadeira também depende das regras do sistema proporcional. Os votos dos candidatos e das legendas ajudam a determinar quantas vagas caberão a cada partido ou federação. Como mostrou o Congresso em Foco, apenas 34 dos eleitos na Câmara no último dia 4 obtiveram votação suficiente para garantir uma vaga, sem depender da votação do partido e de colegas.

Assim, candidatos que não se elegem também podem contribuir para a conquista de mandatos por integrantes da mesma chapa. A diferença de arrecadação entre vencedores e derrotados reflete ainda as escolhas dos partidos na distribuição dos fundos e a capacidade de financiamento de cada campanha.

Para fazer o levantamento, o Congresso em Foco cruzou dados de receitas e resultados eleitorais do TSE, considerando 513 eleitos e 6.880 não eleitos ou suplentes. Outros 410 registros classificados como nulos foram examinados separadamente. A análise inclui receitas financeiras e estimáveis, de origem pública e privada, e considera candidaturas sem receita informada como arrecadação zero. Os dados foram extraídos de uma base gerada em 11 de outubro de 2026 e estão sujeitos a retificações até a prestação de contas final.

10% dos candidatos ficam com 57% da verba pública na eleição à Câmara

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