Eduardo diz que não voltará ao Brasil para cumprir pena e exige saída de Moraes do STF caso Flávio Bolsonaro vença a eleição

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (14), em Washington, nos Estados Unidos, que não pretende retornar ao Brasil para cumprir a pena de quatro anos e dois meses de prisão à qual foi condenado pelo crime de coação. Durante um evento que reuniu representantes da direita internacional, ele também voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e defendeu seu afastamento da Corte. Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025,

 “Eu não vou puxar uma cadeia sendo inocente, não”, declarou a jornalistas durante uma cerimônia de gala dedicada à cultura hispânica, que contou com a participação do presidente argentino, Javier Milei, segundo a Folha de São Paulo.

Na quinta-feira (8), Moraes determinou o cumprimento da condenação imposta ao ex-parlamentar por atos de coação praticados em território norte-americano com o objetivo de intimidar o Judiciário brasileiro e impedir o julgamento da trama golpista. O ministro também ordenou o cancelamento dos passaportes de Eduardo.

Eduardo defende saída de Moraes do STF

O ex-deputado cassado associou a permanência de Alexandre de Moraes no Supremo às dificuldades que, em sua avaliação, um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) enfrentaria. O senador disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro.

“Primeiro a gente vai ter que expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes da Suprema Corte”, afirmou Eduardo. “Eu também não vejo o Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com Moraes na Suprema Corte”, acrescentou.

Eduardo também comemorou o que descreveu como uma recusa do PL a uma suposta tentativa de negociação com integrantes do Judiciário. “Gostei que ele já veio rastejar atrás de um acordo e que o PL rejeitou o acordo”, declarou, referindo-se a Moraes.

As declarações ocorrem em meio à preocupação de ministros do STF com a composição do Senado que assumirá em 2027. A nova legislatura terá pelo menos 49 senadores favoráveis ao impeachment de integrantes da Corte, enquanto a aprovação de uma destituição exige 54 votos.

Diante desse cenário, magistrados avaliam a necessidade de estabelecer diálogo com parlamentares considerados moderados do PL. Entre pessoas próximas a Moraes, existe a preocupação de que a pressão bolsonarista comprometa sua chegada à presidência do Supremo, prevista para setembro de 2027.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, já negou a existência de qualquer acordo político destinado a proteger ministros do STF.

Ex-deputado admite disputa acirrada entre Lula e Flávio

Ao comentar a corrida presidencial, Eduardo demonstrou confiança na candidatura do irmão, mas reconheceu que o resultado permanece indefinido.

Segundo ele, as pesquisas eleitorais “podem dar um norte, mas não são tudo”.

“Flávio está ciente de que não tem nada ganho. A campanha dele está se movimentando novamente para colocar o pessoal energizado nas redes, e isso é muito positivo”, afirmou.

A declaração ocorre em meio à preocupação de aliados da candidatura bolsonarista com a mobilização de apoiadores na reta final da campanha.

Milei ataca Lula e manifesta apoio a Flávio Bolsonaro

O presidente argentino de extrema direita, Javier Milei, um dos homenageados da cerimônia em Washington, fez um discurso de mais de 15 minutos no qual atacou Lula e manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

“E agora, meu querido amigo Flávio Bolsonaro, tenho certeza de que dentro de poucos dias, com a força do céu, vai tirar esse ditador comunista Lula da Silva”, declarou.

Milei também enviou uma mensagem de “amor e apoio” a Flávio e ao ex-mandatário Jair Bolsonaro, que, segundo ele, “continua indigna e vingativamente encarcerado”.

Durante o pronunciamento, o argentino mencionou vitórias eleitorais de políticos de direita em outros países latino-americanos e afirmou que seu governo apoia lideranças alinhadas ao que denomina caminho da liberdade.

Após a manifestação, Eduardo subiu ao palco, abraçou Milei e posou para uma fotografia com o presidente argentino. Na ocasião, Milei voltou a defender o fim do que chamou de “comunismo no Brasil”.

Eduardo aposta em aproximação com Argentina e EUA

O ex-deputado afirmou que pretendia conversar com Milei durante o evento para agradecer sua posição em relação aos brasileiros condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 e discutir perspectivas de cooperação entre Brasil e Argentina caso Flávio vença a eleição.

“É óbvio que o tema da conversa é algo reservado, mas também reforça o conforto que ele tem de falar com uma pessoa que tem duas condenações hoje no Brasil”, disse Eduardo, em referência à própria situação judicial.

Ao comentar a relação com o presidente argentino, acrescentou que “a gente vai sentar com um amigo para tomar um café e dali vai sair benefício para os dois povos”.

Eduardo também negou ter solicitado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma declaração pública de apoio à candidatura do irmão.

Questionado sobre uma eventual interferência norte-americana na eleição brasileira, voltou a acusar o governo dos Estados Unidos de ter influenciado a disputa de 2022 por meio de recursos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), desmantelada pela administração Trump. A acusação foi apresentada pelo ex-deputado, sem comprovação na reportagem.

Em seu discurso, Eduardo defendeu o fortalecimento da articulação entre governos de direita da América Latina e Washington. Ele destacou o Escudo das Américas, iniciativa liderada por Trump para combater o crime organizado, e afirmou que a cooperação regional poderia alcançar um novo patamar.

“Pela primeira vez, vamos ver todos os países lutando em nosso continente”, declarou.

“Temos tudo o que é necessário para ser como os países de primeiro mundo. Acho que esse momento está prestes a chegar”, acrescentou.

O ex-parlamentar também afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro representaria o primeiro passo para a libertação de Jair Bolsonaro, a quem classificou como “preso político”.

Ao comparar a situação judicial do pai à trajetória de Donald Trump, Eduardo sustentou que o ex-mandatário brasileiro enfrenta circunstâncias semelhantes às que, em sua avaliação, o republicano poderia ter vivido caso tivesse sido derrotado na eleição norte-americana de 2024.

A cerimônia em Washington reuniu outras figuras da direita brasileira e estadunidense, entre elas o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. O ingresso mais barato para o jantar custava US$ 3 mil, aproximadamente R$ 15 mil.

Fonte: Brasil 247

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