Editorial de A Terra é Redonda: “Não verás país nenhum?”
Por CombateRacismoAmbiental — Combate Racismo Ambiental
A Terra é Redonda
Neste 25 de outubro nós vamos decidir nas urnas o país em que viveremos nos próximos anos: um estado democrático ou um estado dominado pelo crime organizado, um estado-miliciano. Diante dessa encruzilhada, ecoa o alerta sombrio da distopia de Ignácio de Loyola Brandão, no livro “Não verás país nenhum”. Tal como na obra, em que a nação é engolida pelo colapso ambiental e pelo autoritarismo, o risco iminente é o de vermos nossa pátria arruinada, saqueada e irreconhecível.
Compromisso com o nosso futuro
Lula é o único que assumiu compromisso com a manutenção da escala 5×2, aprovada pelo Congresso Nacional, o fim das bets, a instalação da tarifa zero, a justiça tributária, imposto sobre muito ricos e isenção de imposto para os trabalhadores de renda média. Lula é o único candidato que defende os pisos constitucionais da saúde e educação contra o discurso único da mídia corporativa, de ajuste fiscal draconiano às custas dos investimentos no desenvolvimento social.
Lula faz a defesa intransigente da valorização do salário mínimo acima da inflação e da sua vinculação ao BPC, bolsa família, pensões e aposentadorias. Em seu atual governo, o Brasil atingiu o menor índice de desmatamento da história e o seu programa contempla o amparo aos animais e à agricultura familiar e sustentável. Defende as reservas indígenas, os quilombos, apoia a diversidade cultural e artística da população brasileira. Em seu governo, tirou uma vez mais o Brasil do Mapa da Fome e o trabalho infantil voltou a cair.
Ele representa o apoio à ciência e tecnologia, ao SUS e seus programas como o bem-sucedido farmácia popular, à nova indústria Brasil e a empregos de qualidade. Lula quer que o Brasil crie um aplicativo estatal para combater a exploração de entregadores pelas plataformas internacionais, o desarmamento de criminosos e a segurança familiar em todos os aspectos com o protagonismo da mulher. É tudo isso e muito mais que está ameaçado nessa eleição.
O risco Flávio
O primeiro risco do voto em Flávio Bolsonaro é dar a ele a autoridade para alterar o próprio mandato e – como ele tem anunciado – o regime político instituído pela Constituição de 1988. Ele desdenha o Estado Democrático de Direito e tem declarado insistentemente que pretende substitui-lo.
O voto em Bolsonaro significa reinstalar o “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto, fulminar direitos, restringir o direito a lutar por direitos, transformar o governo em sala de despachos do capital financeiro, destruir políticas públicas, notadamente as de educação, saúde e previdência e reduzir nossa República à condição de colônia dos Estados Unidos da América.
Pior: Bolsonaro quer fazer tudo isso com o braço armado ilegal das milícias, infiltradas nas instituições do Estado e cujo poder vem atormentando o dia a dia dos brasileiros nos quatro cantos do país. Das áreas de garimpo na Amazônia às favelas das nossas metrópoles, em tudo estão as mãos assassinas das milícias, estrangulando a sociedade, matando e matando e matando. O apoio das big techs à sua candidatura, corrompendo os algoritmos e manipulando a informação é só o início do controle total ao qual se quer submeter nosso povo.
O Brasil não quer esse rumo
‘A Terra é Redonda’ alerta, uma vez mais, que a democracia brasileira está por um fio. Muitas cadeiras no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas, foram conquistadas no primeiro turno à custa da compra de votos pelo narcotráfico, cujos mecanismos de dominação política precisam ser denunciados e contidos, pois contaminam a representação parlamentar e minam as instituições da República, incluindo o Judiciário e o Executivo.
Neste segundo turno, está em disputa o cargo de máximo mandatário do Executivo.
Apesar da inovação de uma espécie de “centralismo digital”, por analogia ao clássico “centralismo democrático” que marca algumas organizações partidárias, consolidado na reta final por uma presença marcante nas redes sociais, a campanha de Lula vem encontrando dificuldades para inverter as tendências indicadas nas pesquisas de intenção de voto. Está, portanto, nas mãos, e na consciência dos eleitores, o destino da República. A nós cabe lutar para que a trágica indagação do título deste Editorial, “Não verás país nenhum?”, permaneça apenas como uma advertência, inspirada na ficção de Loyola Brandão, e não se torne a nossa irremediável realidade. Não merecemos, e não queremos, um Estado miliciano. Queremos respeito à cidadania, direitos, democracia. Nesta semana decisiva, centralismo digital nas redes e um só objetivo nas ruas: eleger Lula no próximo domingo.
Bolsonaro, não!
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Fonte: Combate Racismo Ambiental