Edinho Silva vê mobilização muito forte e “onda de crescimento” de Lula no 2º turno

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconheceu nesta terça-feira (13) que a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou problemas de organização, dificuldades na coordenação das atividades nos estados e falhas na interlocução com setores políticos que apoiaram o petista nas eleições de 2022. O dirigente defendeu uma avaliação crítica da atuação do partido e a retomada do diálogo com grupos que se aproximaram de Lula em defesa da democracia.

As declarações foram feitas em entrevista à rádio CBN. Edinho comentou as dificuldades enfrentadas pela campanha após o próprio Lula afirmar que sua atual estrutura eleitoral foi a “menos organizada desde 1989”. Segundo o presidente do PT, a decisão de descentralizar a coordenação e conceder maior autonomia aos diretórios estaduais não produziu os resultados esperados.

“Nós tentamos descentralizar a coordenação da campanha, descentralizar as ações, porque achávamos que essa autonomia dos estados poderia fazer com que nós tivéssemos mais agilidade na resolução dos problemas. É evidente que nós tivemos falhas nessa estrutura”, afirmou.

De acordo com Edinho, os principais obstáculos estiveram relacionados à produção e à distribuição de materiais eleitorais, problema que, segundo ele, já foi solucionado pela equipe responsável pela campanha. A estratégia de descentralização, inicialmente concebida para acelerar a tomada de decisões e atender às necessidades regionais, acabou revelando deficiências na articulação entre a coordenação nacional e os estados.

Apesar das dificuldades, o dirigente afirmou que a campanha está mobilizada para o segundo turno e conseguiu ampliar o apoio de lideranças políticas estaduais. Ele reconheceu, entretanto, que não houve crescimento no número de partidos formalmente aliados à candidatura de Lula.

Edinho demonstrou confiança em uma recuperação eleitoral do presidente e afirmou que o aumento da mobilização partidária e da militância deverá aparecer nas próximas pesquisas de intenção de voto.

“Nós estamos com um ambiente de mobilização muito forte. Não temos nenhuma dúvida de que a nossa onda é uma onda de crescimento, as pesquisas em breve vão registrar isso”, declarou.

PT reconhece distanciamento de setores da frente democrática

Além dos problemas operacionais, Edinho Silva admitiu que o PT e o governo federal poderiam ter mantido uma relação mais próxima com os setores políticos e sociais que se uniram à candidatura de Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

Na ocasião, a campanha petista recebeu o apoio de lideranças e grupos de diferentes posições ideológicas, reunidos em torno da defesa das instituições democráticas. Segundo Edinho, parte dessa articulação não foi suficientemente preservada ao longo do mandato presidencial.

“Eu acho que a gente tem que reconhecer falhas. Eu acho que nós poderíamos ter dialogado mais com os setores que vieram conosco no segundo turno [de 2022]. Nós temos que retomar esse contato. Nós temos que fazer essa avaliação crítica do nosso lado”, afirmou.

O presidente do PT também apontou uma deficiência na estrutura de interlocução política do governo. Na avaliação dele, faltou uma figura responsável por manter o contato direto com os segmentos que integraram a frente democrática formada em torno de Lula.

Edinho mencionou o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social Sustentável, conhecido como Conselhão, criado como espaço de interlocução entre o governo e representantes de diferentes setores da sociedade. Embora tenha reconhecido a importância do órgão, avaliou que sua atuação não foi suficiente para assegurar uma aproximação permanente com esses grupos.

“Por mais que o Conselhão tenha trazido esses setores para dentro do governo para dialogar, talvez a gente pudesse ter feito diálogos mais diretos. Nós temos que reconhecer essa falha. Nós temos que retomar essa capacidade de diálogo, porque o que está em jogo no Brasil é muito grande. É o futuro das próximas gerações”, declarou.

As declarações indicam que a avaliação interna do PT vai além das dificuldades de organização eleitoral. O diagnóstico apresentado por Edinho envolve também a necessidade de reconstruir pontes políticas estabelecidas em 2022, em um momento em que Lula busca ampliar sua base de apoio para a disputa do segundo turno.

Edinho defende ampliação do apoio popular diante de Congresso conservador

Durante a entrevista, o dirigente também abordou os obstáculos enfrentados pelo governo para aprovar reformas e implementar sua agenda política no Congresso Nacional.

Questionado sobre a composição conservadora do Legislativo e a perspectiva de dificuldades ainda maiores na próxima legislatura, Edinho afirmou que o governo precisa fortalecer sua sustentação política fora do Parlamento.

Na avaliação do presidente do PT, a ausência de uma maioria parlamentar exige a construção de uma base social capaz de pressionar pela aprovação de mudanças defendidas pelo governo.

“É evidente que hoje, no Congresso Nacional, nós não temos maioria. O povo brasileiro sabe disso. Nós temos que construir uma maioria na sociedade, formar opinião pública, ter força política para que a gente faça as mudanças”, disse.

A avaliação reforça a preocupação da direção petista com as condições de governabilidade em um eventual novo mandato de Lula. Para Edinho, a capacidade de promover reformas depende não apenas da negociação com deputados e senadores, mas também da mobilização da sociedade em torno das propostas do governo.

Eleito deputado federal no pleito de 4 de outubro, Edinho Silva participa diretamente das discussões sobre os rumos da campanha presidencial e os desafios políticos que o PT deverá enfrentar após as eleições.

Fonte: Brasil 247

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