E-mails indicam que Flávio Bolsonaro compartilhava acesso a conta ligada a fraudes no INSS

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Por Dayane Santos — Brasil 247

247 – E-mails trocados com o Santander em maio de 2025 indicam que uma conta identificada com o nome do presidenciável e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava vinculada ao acesso bancário de uma empresa do advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro. As mensagens, obtidas pela PF na análise de arquivos armazenados na nuvem do advogado, levantam suspeitas sobre possíveis conexões financeiras entre o parlamentar e um investigado no caso dos desvios bilionários de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A informação foi publicada pelo UOL, em reportagem do jornalista Fábio Serapião neste sábado (10). Segundo a apuração, a correspondência eletrônica trata de uma conta relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Willer Tomaz é sócio. A companhia aparece entre as empresas do advogado examinadas pela PF no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Em mensagem enviada ao Santander em 22 de maio de 2025, Fayla Zulmira Menezes, funcionária de Tomaz, solicitou a retirada de uma conta identificada como “Flávio Bolsonaro” do conjunto de acessos vinculados ao chamado “usuário master” associado ao advogado. No mesmo dia, o banco confirmou que a conta havia sido excluída.

O registro chama a atenção porque, conforme as informações reunidas pela PF, a conta identificada com o nome do senador estava vinculada ao mesmo acesso administrativo no qual havia sido solicitada a inclusão da Alcazar Holdings, ao lado de uma conta pessoal de Willer Tomaz.

Como funcionava o acesso bancário

O Santander permite que contas de pessoas jurídicas tenham mais de um usuário autorizado. O perfil “master” pode realizar todas as operações disponíveis, enquanto os usuários secundários ficam limitados às permissões concedidas pelo administrador.

Esse sistema possibilita que diferentes pessoas tenham acesso operacional a uma mesma conta empresarial. No caso analisado, os e-mails indicam que a conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro estava associada a um acesso administrativo relacionado a Willer Tomaz e à empresa Alcazar.

A documentação, porém, não comprova, por si só, quem efetivamente movimentou recursos, quais valores teriam sido transferidos ou se o senador recebeu dinheiro de origem ilícita. A PF apontou a necessidade de aprofundar a apuração das movimentações financeiras do advogado e de suas empresas, além das relações mantidas com agentes públicos, entre eles Flávio Bolsonaro.

A troca de mensagens ocorreu aproximadamente um mês depois da deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos associativos indevidos em benefícios previdenciários. A investigação apura desvios que podem alcançar R$ 6,3 bilhões.

PF investiga estrutura financeira ligada a políticos

A investigação sobre Willer Tomaz identificou empresas, escritórios, imóveis, aeronaves, funcionários e operadores que, segundo a Polícia Federal, poderiam ter sido utilizados para atender aos interesses de beneficiários do esquema.

Em relatório, a PF descreveu a estrutura ligada ao advogado como um “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado à disposição dessas pessoas. Entre os nomes citados na investigação está o do senador Weverton Rocha (PDT-MA), cuja relação com o advogado levou à inclusão de Tomaz na apuração.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas no escritório do advogado no contexto da investigação.

Fayla Zulmira Menezes, responsável pelo e-mail enviado ao Santander sobre a conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro, também aparece nos registros examinados pela PF em conversas relacionadas a Weverton Rocha. Segundo a investigação, ela seria responsável por operar uma contabilidade paralela do senador maranhense.

As mensagens atribuídas a Fayla e Weverton tratariam de pagamentos de valores milionários, aquisição de imóveis, despesas pessoais e repasses em dinheiro vivo. A documentação faz parte do conjunto de elementos utilizados para examinar a atuação do advogado e de suas empresas.

A presença da mesma funcionária nos registros relativos aos dois políticos constitui um dos pontos que ampliam o interesse dos investigadores sobre a rede de relações mantida pelo escritório de Tomaz. No caso de Flávio Bolsonaro, a apuração considera os e-mails bancários, os deslocamentos internacionais custeados por empresas ligadas ao advogado e a proximidade entre os dois.

Empresas de Tomaz pagaram voos para Flávio e sua família

Além dos e-mails, a Polícia Federal identificou pagamentos feitos por duas empresas de Willer Tomaz no exterior para voos em aeronaves executivas utilizados por Flávio Bolsonaro e familiares em 2024 e 2025.

As empresas são a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings, ambas sediadas em Portugal. Tomaz declara ser o único sócio da Alcazar e possuir participação de 24% na Cathedral.

De acordo com a investigação, a Alcazar financiou deslocamentos em um jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, do qual detém um terço. Outra participação na aeronave pertencia à Prime You, empresa que teve como sócio Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso desde março de 2026.

Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro, sua mulher, as duas filhas do casal e Willer Tomaz viajaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a Brasília nesse avião. O advogado afirmou que utilizou horas correspondentes à sua própria participação na aeronave e que os demais passageiros viajaram como convidados.

A Cathedral Holdings, por sua vez, teria pago voos realizados pela NetJets, empresa que comercializa participações e pacotes de horas de voo em jatos executivos.

A PF também identificou outros deslocamentos internacionais de Flávio e Tomaz no primeiro semestre de 2025. Em abril, os dois viajaram de Lisboa para Nice, no sul da França. Em maio, acompanhados de familiares, fizeram trajetos de Cascais, na região de Lisboa, para Nice e, depois, para Paris. Esses deslocamentos foram realizados por meio da NetJets.

As viagens, conforme informações divulgadas anteriormente pelo jornal O Globo, integram um conjunto de pelo menos cinco deslocamentos internacionais dos dois no período.

Em nota ao UOL, Flávio Bolsonaro afirmou que nunca manteve conta bancária cujo usuário master fosse Willer Tomaz ou qualquer empresa ligada ao advogado. Também negou ter criado usuário no sistema Rede Loto e classificou as afirmações como falsas.

A assessoria do senador declarou: “O senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas. Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa. Igualmente falsa é a alegação de que o senador teria criado um usuário no sistema Rede Loto. Isso jamais ocorreu.”

A nota também atribuiu a divulgação das informações a interesses eleitorais e afirmou que os responsáveis por disseminar notícias falsas seriam responsabilizados criminalmente.

Fonte: Brasil 247

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