É falso que documentos apontam que Lula recebeu R$ 300 milhões de Vorcaro

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Por Luiza VezzáAos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

Não é verdade que documentos liberados pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, mostrem que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, repassou R$ 300 ao presidente Lula (PT). Não há registros públicos que atestem a alegação que circula nas redes, e Fachin não determinou novas quebras de sigilo. O STF e o Palácio do Planalto também desmentiram a alegação.

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 2.300 interações no Threads até a tarde desta segunda-feira (21).

URGENTE!!! ISSO VAI CHOCAR A NAÇÃO DOCUMENTOS LIBERADOS POR FACHIN DO BANCO MASTER APONTA TRANSFERENCIAS DE 300 MILHOES PARA LULA POR PARTE DE VORCARO.

Imagem em estilo de montagem sensacionalista para redes sociais. No topo, em fundo escuro com uma sirene vermelha e um comprovante de transferência de 'R$ 300.000.000,00' com a marca 'BANCO MASTER', destaca-se o texto em amarelo e branco 'URGENTE!!!!! ISSO VAI CHOCAR A NAÇÃO'. Logo abaixo, aparecem três figuras públicas lado a lado: à esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as mãos cruzadas sob o queixo; ao centro, o ministro Edson Fachin vestindo toga preta; e à direita, o empresário Daniel Vorcaro sorrindo. Na base da imagem, sobre um painel preto, lê-se o texto em letras brancas e vermelhas 'DOCUMENTOS LIBERADOS POR FACHIN DO BANCO MASTER APONTA TRANSFERENCIAS DE 300 MILHOES PARA LULA POR PARTE DE VORCARO.'

É falso que documentos liberados por Fachin mostram transferências de R$ 300 milhões de Daniel Vorcaro a Lula. Não há registros públicos que atestem isso. Ao Aos Fatos, o STF (Supremo Tribunal Federal) e a Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República também desmentiram as alegações.

Aos Fatos consultou todos os documentos públicos relacionados ao caso e, por meio de busca por palavras-chave, não encontrou qualquer menção a transações financeiras que ligariam Lula a Vorcaro.

Nos documentos, o nome do presidente é citado em três situações. Em uma delas, é apontado que Lula recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024 em reunião sem registro na agenda oficial.

O fato é mencionado nos documentos pela defesa de Roberto Campos Neto, ex-diretor do Banco Central, que considerava “ilegal” a convocação dele para depor na CPI do Crime Organizado. Entre os investigados pela comissão estava o Banco Master, após serem encontrados indícios de lavagem de dinheiro para o PCC.

O nome do presidente é, também, mencionado em petição 15556, na qual o Diretório Nacional do PT pediu a quebra de sigilo dos autos do processo contra o Banco Master. A sigla usou como justificativa o precedente da divulgação de mensagens da Operação Spoofing, que deu origem à Vaza Jato.

Por fim, a petição 15198 apresenta em anexo documentos que citam a corretora Planner, uma das empresas envolvidas no esquema de lavagem de dinheiro, que já havia sido declarada suspeita no âmbito da Lava Jato.

À época, a construtora foi investigada por lavar dinheiro na construção do prédio onde ficava o triplex no Guarujá (SP) em processo que terminou com a prisão do petista.

Quebra de sigilo. Desde que assumiu a relatoria de diversos processos ligados ao caso Master até a conclusão desta checagem, o ministro Edson Fachin não decidiu pela quebra de sigilo de nenhum material.

Os documentos se tornaram públicos após o presidente da Casa solicitar que André Mendonça retirasse o sigilo de todos os processos relacionados ao caso.

Posts desinformativos circulam em meio à crise do STF, desencadeada após a divulgação de supostas mensagens que ligavam o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a, pelo menos, dois ministros do Supremo e outras seis autoridades.

Esta peça de desinformação também foi checada pela Reuters.

O caminho da apuração

Aos Fatos fez busca por palavras chave em todos os documentos dos processos: RCL 88121; Pet 16662; Pet 16019; Pet 15562; Pet 15693; Pet 15563; Pet 15978; Pet 15977; Pet 15478; Pet 15556; Inq 5035; Pet 15976; Inq 5026; Pet 5504 e Pet 15198, decupados pelo jornalista Reinaldo Chaves.

A reportagem também procurou o STF e a Secom, que classificaram a afirmação como falsa.

Fonte: Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

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