E-commerce soma 20 milhões de novos consumidores e chega a 139 milhões no Brasil

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – O comércio eletrônico brasileiro ganhou cerca de 20 milhões de consumidores em apenas um ano e já alcança 139 milhões de pessoas que fizeram ao menos uma compra pela internet nos últimos 12 meses. O avanço reforça a mudança nos hábitos de consumo e abre espaço para pequenos negócios ampliarem sua presença em um mercado que deixou de estar limitado à concorrência local.

Os números fazem parte de levantamento do SPC Brasil em parceria com a Offerwise Pesquisas, divulgado pela Agência Sebrae de Notícias. Na comparação com a pesquisa apresentada no ano anterior, o contingente de brasileiros que compram pela internet cresceu em 20 milhões.

A expansão não está concentrada apenas nos grandes sites de comércio eletrônico. Redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de vídeo também passaram a desempenhar papel relevante na decisão e na realização das compras.

Segundo a pesquisa, 54% dos consumidores fizeram compras por meio de redes sociais nos últimos 12 meses. O TikTok liderou entre as plataformas citadas, utilizado para compras por 24% dos entrevistados, seguido pelo Instagram, com 17%, e pelo YouTube, com 12%.

WhatsApp ganha espaço como canal de vendas

O WhatsApp aparece com peso ainda maior na relação entre vendedores e consumidores. De acordo com o levantamento, 73% das pessoas fizeram pelo menos uma compra pelo aplicativo no último mês.

O comportamento também aparece entre os pequenos negócios. Dados da 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios apontaram que oito em cada dez utilizam o WhatsApp como principal canal de comunicação e vendas com os clientes. O Instagram aparece na sequência, utilizado por 57%.

Para o gestor de mercado digital do Sebrae, William Almeida, a presença online passou a fazer parte da própria jornada de consumo.

“Estar no digital deixou de ser uma opção para o pequeno negócio. O consumidor já pesquisa, compara preço, busca avaliações e compra pelo celular. Então, quando uma empresa não está nesse ambiente, ela acaba ficando fora de uma parte importante da jornada de compra”, afirma.

Segundo Almeida, a ampliação das alternativas disponíveis ao consumidor também mudou o alcance da concorrência.

“Quem não ocupa esses espaços acaba limitando muito o seu mercado. Muitas vezes, o concorrente deixa de ser apenas a loja da mesma rua ou do mesmo bairro. Hoje, o consumidor pode comprar de uma empresa de outro estado com poucos cliques”, diz.

Entrada no digital exige planejamento

O crescimento do mercado online, no entanto, não significa que estar presente em todas as plataformas seja necessariamente a melhor estratégia. A recomendação é identificar primeiro onde está o público de cada negócio e concentrar os esforços inicialmente nos canais considerados mais adequados.

“Não tente estar em todos os canais de uma vez. O ideal é começar entendendo quem é o seu cliente, escolher um canal que faça sentido para o negócio e aprender a operar bem aquele canal”, explica Almeida.

A estratégia também precisa considerar custos que nem sempre ficam evidentes no momento em que as vendas começam a crescer. Comissões cobradas pelas plataformas, logística, embalagens, divulgação e atendimento podem reduzir a rentabilidade se não forem incorporados à formação dos preços.

“Vender online não é simplesmente colocar um produto na internet. Tem comissão, frete, embalagem, prazo, atendimento, divulgação e margem. Às vezes, a empresa vende bastante e, quando olha para o resultado, percebe que não ganhou dinheiro. Então comece pequeno, teste, acompanhe os números e vá ampliando os canais conforme o negócio ganha maturidade”, afirma.

Mercado digital amplia alcance dos pequenos negócios

O avanço das compras pela internet também aproximou pequenos vendedores de consumidores localizados fora de suas cidades e estados, reduzindo algumas das barreiras geográficas tradicionais do varejo.

Em 2025, cerca de 728 mil pequenos negócios receberam algum tipo de apoio do Sebrae para desenvolver sua presença no mercado digital, segundo a instituição.

A entidade mantém iniciativas envolvendo plataformas como Mercado Livre, Magalu, Shopee e SHEIN, além de oferecer capacitações, mentorias, consultorias, cursos e materiais voltados à operação do comércio eletrônico.

O desafio, diante de um universo de 139 milhões de compradores online, passa a ser não apenas ingressar no comércio digital, mas conseguir transformar alcance e volume de vendas em uma operação financeiramente sustentável.

Fonte: Brasil 247

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