Dólar cai a R$ 5,01 com avanço da bolsa e recuo no exterior

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O dólar encerrou a terça-feira (20) em queda de 0,58% frente ao real, cotado a R$ 5,0182, em meio à desvalorização da moeda estadunidense no mercado internacional, à entrada de recursos estrangeiros na bolsa brasileira e às expectativas dos investidores para o segundo turno das eleições presidenciais. De acordo com a Reuters, o Ibovespa ultrapassou a marca de 208 mil pontos durante a sessão, enquanto o mercado financeiro acompanhou os desdobramentos da disputa eleitoral, marcada para domingo (25).

Com o resultado, a divisa dos Estados Unidos acumulou desvalorização de 8,58% desde o início do ano. Durante as negociações, a cotação chegou a R$ 5,0044, às 13h45, uma queda de 0,86% em relação ao fechamento anterior. O movimento acompanhou o desempenho de outras moedas e a valorização dos ativos brasileiros.

No mercado futuro, o contrato de dólar para novembro, que concentrava o maior volume de negócios na B3, registrou recuo de 0,50%, a R$ 5,0280, por volta das 17h02. A trajetória refletiu tanto as condições financeiras internacionais quanto o fluxo de investimentos direcionado ao Brasil.

Queda do dólar no exterior favoreceu o real

A moeda americana perdeu valor diante de divisas de economias desenvolvidas, como o iene japonês, a libra esterlina, o euro e o franco suíço. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, recuaram e contribuíram para o movimento cambial.

Entre as moedas de países emergentes, o dólar também apresentou perdas frente ao peso chileno, ao sol peruano e ao rand sul-africano. Esse comportamento internacional favoreceu a valorização do real e reforçou a pressão de baixa sobre a cotação da divisa no mercado brasileiro.

Às 17h04, o índice do dólar, que acompanha o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas internacionais, registrava queda de 0,25%, aos 101,710 pontos. O indicador confirmou a perda de força da moeda dos Estados Unidos ao longo do pregão.

Entrada de capital estrangeiro impulsionou ativos brasileiros

O desempenho da bolsa brasileira também contribuiu para a valorização do real. O Ibovespa superou os 208 mil pontos, em uma sessão que contou com a participação de investidores internacionais e com a movimentação de recursos destinados ao mercado acionário.

O economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, destacou a influência dos investimentos estrangeiros sobre a taxa de câmbio e as oscilações provocadas pelo ambiente político brasileiro.

“O dinheiro de investidores de fora que entra na bolsa dá suporte ao real, e a agenda eleitoral, com novas pesquisas, mantém as oscilações presentes”, pontuou.

A entrada de recursos internacionais ampliou a oferta de dólares no mercado doméstico, movimento que ajudou a reduzir a cotação da moeda americana. Ao mesmo tempo, os investidores avaliaram os possíveis efeitos do resultado eleitoral sobre os juros futuros e a política econômica dos próximos anos.

Mercado acompanhou expectativas para a política fiscal

Além dos fatores externos, os agentes financeiros analisaram as perspectivas para as contas públicas após a eleição presidencial. Parte do mercado associou o resultado do pleito à possibilidade de mudanças na condução da política fiscal, embora ainda houvesse indefinições sobre eventuais medidas de contenção de despesas.

O chefe da mesa de operações internacionais e câmbio da Mirae Asset, Jonathan Joo Young Lee, avaliou que o mercado já incorporava determinadas expectativas eleitorais às cotações. Segundo ele, uma eventual confirmação desse cenário poderia abrir espaço para novos ajustes nos ativos brasileiros.

O executivo também ressaltou a falta de informações concretas sobre a execução de um programa de redução de gastos, apontando dúvidas sobre os instrumentos que sustentariam uma eventual melhora das contas públicas. “Mesmo não tendo essa clareza, vimos o mercado reagindo totalmente otimista após o primeiro turno”, acrescentou.

As expectativas fiscais ganharam relevância diante do debate sobre incentivos tributários e despesas federais. Entre os temas que mobilizaram os investidores esteve a possibilidade de retomada do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), que concedeu benefícios fiscais a empresas durante a pandemia de Covid-19.

O programa surgiu como uma iniciativa de apoio aos setores afetados pelas restrições sanitárias, mas seus incentivos alcançaram empresas de diferentes atividades econômicas e permaneceram em vigor além da fase emergencial. Seu custo para os cofres públicos também integrou as discussões sobre a trajetória fiscal.

Novas pesquisas eleitorais permaneceram no radar dos investidores

O calendário de divulgação de levantamentos sobre a disputa presidencial também influenciou as expectativas do mercado financeiro. Os investidores aguardavam uma nova pesquisa da Quaest, prevista para quarta-feira (21), e um levantamento do Datafolha, programado para quinta-feira (22).

Os resultados poderiam provocar novos ajustes nas cotações do dólar, nos contratos de juros futuros e no mercado acionário, diante da proximidade do segundo turno. A disputa eleitoral integrou o conjunto de fatores que orientaram as decisões dos investidores durante a semana.

No mercado cambial, o Banco Central também realizou uma operação de rolagem de contratos. A autoridade monetária vendeu 75 mil contratos de swap cambial para administrar o vencimento previsto para 3 de novembro.

Fonte: Brasil 247

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