Dois PMs viram réus por morte de médica baleada no Rio
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – Dois policiais militares se tornaram réus por homicídio qualificado pela morte da médica Andréa Marins Dias, baleada durante uma abordagem em Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), os agentes confundiram o carro da vítima com um veículo procurado por suspeita de participação em roubos.
De acordo com a CNN Brasil, a denúncia contra o subtenente José Jorge Ferreira Dias e o segundo-sargento Raphael Gomes Damasceno, ambos do 9º Batalhão da Polícia Militar, foi recebida pela 2ª Vara Criminal da Capital nesta quarta-feira (9).
O caso ocorreu em 15 de março. Na ocasião, os policiais procuravam veículos considerados suspeitos e passaram a acompanhar um Corolla Cross prata, mas perderam o automóvel de vista.
Pouco depois, segundo a denúncia, os agentes localizaram um Corolla Cross branco dirigido por Andréa, que saía da casa dos pais. O Ministério Público afirma que os policiais fizeram vários disparos contra o automóvel sem confirmar se se tratava do mesmo veículo que buscavam.
A médica foi atingida no tórax e no abdômen e morreu no local.
Para o MPRJ, os policiais assumiram o risco de provocar a morte ao atirar antes de verificar corretamente a identidade do veículo. A denúncia foi baseada em imagens de câmeras de segurança privadas e da Prefeitura do Rio, além de laudos periciais.
As gravações analisadas durante a investigação mostram que os disparos atingiram a parte traseira do carro de Andréa. Segundo o Ministério Público, os tiros foram efetuados de surpresa.
Justiça afasta policiais das ruas
Ao receber a denúncia, a Justiça determinou o afastamento dos dois PMs de atividades operacionais e do policiamento ostensivo. Os agentes deverão permanecer em funções internas e tiveram o porte funcional de arma suspenso.
Os policiais também foram proibidos de manter contato com testemunhas e familiares da médica e não poderão se aproximar deles a uma distância inferior a 300 metros.
A partir do recebimento da denúncia, os dois militares passam a responder formalmente ao processo criminal por homicídio qualificado.
Até a publicação da reportagem original, a CNN Brasil informou que tentava localizar a defesa dos policiais acusados.
Fonte: Brasil 247