Do voo da FAB à suplência de Derrite: Vicente Santini, elo de Tarcísio e Flávio Bolsonaro, soma cargos, patrimônio milionário e polêmicas
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Chefe do Escritório de Representação do Estado de São Paulo em Brasília, o advogado José Vicente Santini ocupa posição central na engrenagem política do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Formalmente, ele é assessor especial de Tarcísio desde 7 de fevereiro de 2023. Na prática, opera como principal articulador do governo paulista junto ao Congresso, aos tribunais superiores e ao governo federal.
Um pé no Senado
Santini é também o primeiro suplente de Guilherme Derrite (PP) na chapa ao Senado por São Paulo. Pela regra eleitoral, o suplente assume a cadeira quando o titular se licencia ou é nomeado ministro de Estado ou secretário estadual, o que coloca o assessor de Tarcísio a um passo do Senado, em cenários que dependem do resultado das urnas e dos desdobramentos da própria campanha.
Amigo da família Bolsonaro, ele integra ainda a coordenação da campanha de Flávio, ao lado do irmão, Nelson Santini, o “tenente Santini”, responsável pela logística e pelas finanças. Segundo a mesma reportagem, coube a José Vicente fazer a ligação entre o núcleo paulista e a coordenação nacional. Em entrevista citada pelo Hora do Povo, o próprio Santini classificou sua atuação como uma “coordenação informal”.
Do voo da FAB ao Planalto
O nome de Santini é conhecido do noticiário desde janeiro de 2020, quando foi demitido da Casa Civil por Jair Bolsonaro após usar um avião da FAB para ir de Davos, na Suíça, à Índia, em viagem com apenas três passageiros. A demissão durou pouco: meses depois, ele voltou ao governo como assessor especial do então ministro Ricardo Salles, passou pela Secretaria-Geral da Presidência e chegou à Secretaria Nacional de Justiça, conforme o 247 noticiou.
Mansões em Brasília
Em junho de 2022, reportagem do Metrópoles informou que Santini comprou uma casa de R$ 6,7 milhões no Lago Sul, em Brasília, valor superior ao da mansão de Flávio na mesma região, de R$ 5,9 milhões. Segundo o ICL Notícias, ele recebia na época R$ 16,9 mil mensais como secretário nacional de Justiça. Parte do pagamento foi feita com uma cobertura avaliada em R$ 4,2 milhões, adquirida em 2020.
Em setembro de 2025, conforme revelou o ICL Notícias em 30 de junho de 2026, ele comprou outra mansão no Lago Sul, por R$ 14,5 milhões, em conjunto com a companheira. Foram R$ 4 milhões de entrada e R$ 10,5 milhões financiados no BRB, em 30 anos, com parcelas iniciais de R$ 128 mil. Uma simulação com base nas regras do contrato indica que o casal precisaria comprovar renda mensal de cerca de R$ 429 mil, enquanto Santini recebia, como assessor de Tarcísio, até R$ 23 mil. Dois meses depois da compra, o Banco Central liquidou o Banco Master, caso que também atingiu o BRB.
Segundo a reportagem, o patrimônio de Santini soma ao menos R$ 23 milhões em nove imóveis adquiridos desde 2022. À Justiça Eleitoral, ele declarou R$ 41,5 milhões em bens. Em entrevista, Santini disse que “ainda não sabe” o que fará com a mansão. O imóvel foi usado por Flávio Bolsonaro, em 1º de julho, para reuniões da pré-campanha. O caso levou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) a apresentar representação à Polícia Federal, pedindo apuração sobre a origem dos recursos e as condições do financiamento.
Fonte: Brasil 247