DIU ou Implanon: qual a diferença e qual método é o melhor?

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A Gazeta

Método contraceptivo reversíveis de longa duração

Método contraceptivo reversíveis de longa duração
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Saber a diferença entre o DIU e o Implanon é fundamental para quem busca um método contraceptivo de longa duração. Embora os dois tenham alta eficácia e não dependam de lembretes diários, funcionam de maneiras distintas e podem alterar a menstruação de formas diferentes.   Em nota técnica publicada em agosto de 2026, o Ministério da Saúde informou que o estoque nacional destinado ao ciclo 2025–2026 soma 1,8 milhão de unidades do implante de etonogestrel, conhecido comercialmente como Implanon. O documento também reforça que o método deve ser ofertado a pessoas clinicamente elegíveis, sem restrições relacionadas à paridade, ao estado civil ou à condição socioeconômica.   DIU e Implanon estão entre os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração, conhecidos pela sigla LARC. Segundo nota técnica do Ministério da Saúde, a taxa de falha anual estimada é de 0,6% para o DIU de cobre e de 0,05% para o implante subdérmico de etonogestrel. Na prática, porém, a escolha não pode considerar apenas a eficácia.   “A existência de um método altamente eficaz não elimina a necessidade de uma escolha individualizada. O que funciona bem para uma pessoa pode não ser adequado para outra, principalmente por causa do padrão de sangramento, do desejo de usar hormônio e da experiência com o procedimento de inserção”, explica o  ginecologista  Fábio Hideo, ginecologista do  Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” ( CEJAM) .

DIU e Implanon são a mesma coisa?

Os métodos contraceptivos não são a mesma coisa . Ambos pertencem à mesma categoria de métodos de longa duração, mas são inseridos em locais diferentes e funcionam de maneiras distintas.

O DIU é colocado dentro do útero. Existem dois tipos principais: o DIU de cobre, que não contém hormônios, e o DIU hormonal, que libera levonorgestrel. O Implanon, por sua vez, é um pequeno bastão de plástico colocado sob a pele do braço, geralmente com anestesia local, que libera continuamente o hormônio etonogestrel.   “O DIU de cobre atua dentro do útero e não interfere hormonalmente no organismo. O implante é colocado no braço e libera um progestagênio que impede a ovulação. São estratégias diferentes para alcançar o mesmo objetivo: evitar uma gravidez não planejada”, afirma o especialista.   De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a duração dos DIUs varia conforme o modelo: os de cobre duram de dez a 12 anos, enquanto os hormonais permanecem eficazes entre três e oito anos.
O implante de etonogestrel tem duração de até três anos, aponta o Ministério da Saúde. Após esse período, precisa ser retirado e, caso a pessoa deseje continuar utilizando o método, um novo implante deve ser colocado.

Qual deles altera mais a menstruação?

O ginecologista explica que o padrão de sangramento é um dos principais pontos que precisam ser discutidos antes da escolha. O DIU de cobre pode aumentar o volume e a duração da menstruação, além de intensificar as cólicas, especialmente nos primeiros meses de uso. Já o DIU hormonal tende a reduzir o fluxo menstrual e, em algumas pessoas, leva à ausência de sangramento após algum tempo.
No caso do implante, são comuns alterações no padrão menstrual, como sangramentos irregulares, escapes, períodos mais frequentes ou prolongados e, em algumas pessoas, ausência de menstruação. Essas mudanças geralmente não indicam um problema de saúde, mas precisam ser avaliadas quando persistem ou afetam a qualidade de vida.   “Não é correto prometer que a menstruação vai desaparecer ou permanecer exatamente igual. Cada organismo responde de uma forma. O mais importante é explicar previamente quais alterações podem ocorrer para que a pessoa escolha o método já sabendo o que esperar e procure atendimento se o sangramento for intenso, prolongado ou acompanhado de outros sintomas”, orienta o ginecologista.

O implante de etonogestrel não contém estrogênio e é uma alternativa para algumas pessoas que não podem utilizar métodos combinados com esse hormônio. Isso não significo que ele é indicado automaticamente para todos os casos

Fábio Hideo  Ginecologista

O especialista reforça que a avaliação precisa considerar o histórico de saúde, o uso de medicamentos, a presença de sangramentos sem causa esclarecida, a possibilidade de gravidez e outras condições clínicas. A decisão deve ser tomada com um profissional habilitado, a partir dos critérios médicos de elegibilidade para contracepção.

Para o médico, não existe um método universalmente melhor. O DIU de cobre é uma alternativa para quem deseja evitar hormônios e busca uma contracepção de longa duração. Por outro lado, não costuma ser a opção mais confortável para pessoas que já apresentam fluxo menstrual intenso ou cólicas.

O DIU hormonal pode ser considerado quando, além da contracepção, existe interesse em reduzir o fluxo menstrual. Já o implante é uma opção para quem prefere não utilizar um dispositivo dentro do útero ou precisa evitar métodos que contenham estrogênio. Em contrapartida, as alterações imprevisíveis no sangramento podem ser uma desvantagem.

 

“Não se trata de escolher entre um método bom e outro ruim. Trata-se de entender as diferenças e identificar qual deles se adapta melhor à saúde, à rotina e aos planos reprodutivos da pessoa. A decisão compartilhada é parte fundamental da segurança contraceptiva”, conclui o especialista.

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Fonte: A Gazeta

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