“Ditadura do unilateralismo está ruindo”, diz Lavrov na ONU
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, o chanceler também criticou a política de força do Ocidente e abordou as crises no Oriente Médio, na Venezuela e em Cuba, durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU. Lavrov disse também que países europeus tentam frustrar negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.
Reportagem da RT destaca: “Compreendendo a futilidade de seus esforços, na Europa faz-se todo o possível para impedir uma solução pacífica e frustrar as perspectivas de negociações nas quais muitos estão interessados, inclusive a administração Trump”, afirmou.
O chanceler acusou países ocidentais de fornecer armas à Ucrânia e de ajudar Kiev “a direcionar drones e mísseis contra civis e infraestrutura civil”. Ele também rejeitou a perspectiva de uma derrota militar russa: “No Ocidente, sonham em infligir uma derrota estratégica à Rússia. Mas esses sonhos, como já aconteceu muitas vezes no passado, levarão os próprios instigadores da guerra a um beco sem saída estratégico”.
Ao defender a posição de Moscou sobre a guerra iniciada em 2022, o ministro declarou que a Rússia continuará sua campanha militar até alcançar os objetivos estabelecidos pelo governo. “Nossa luta pela verdade e pela justiça irá até o fim. Os objetivos da operação militar especial serão alcançados, as ameaças à segurança da Rússia serão eliminadas e a vida pacífica será restabelecida”, disse.
Lavrov relacionou o conflito à disputa sobre a ordem internacional. Ele afirmou que o Ocidente recorre cada vez mais à força e citou uma avaliação do presidente russo, Vladimir Putin: “A ditadura de um único hegêmo saiu de controle e é sensivelmente perigosa para aqueles que o cercam”.
Na parte do discurso dedicada ao Oriente Médio, o chanceler defendeu a criação de um Estado palestino e advertiu sobre a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. “Chegou o momento de garantir o status de Estado para o povo palestino”, afirmou. Segundo ele, se os assentamentos continuarem a crescer, “será impossível criar um Estado palestino. Simplesmente não haverá espaço para ele”.
O ministro classificou como “inaceitável” o assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Também acusou Estados Unidos e Israel de atingir instalações nucleares iranianas sob proteção da Agência Internacional de Energia Atômica e defendeu medidas para ampliar a confiança entre o Irã, os países árabes e os demais Estados do Golfo.
Em relação à Venezuela, Lavrov exigiu a libertação de Nicolás Maduro e de sua esposa, a deputada Cilia Flores. Sobre Cuba, manifestou “solidariedade com o povo e o governo cubanos” e pediu o fim das restrições impostas à ilha, incluindo o bloqueio marítimo mencionado em seu pronunciamento e a inclusão do país na lista norte-americana de Estados patrocinadores do terrorismo.
O chanceler também acusou o governo ucraniano de restringir o uso da língua russa e criticou a União Europeia por, segundo ele, não reagir a violações de direitos na Ucrânia. Ao lembrar que o encerramento dos trabalhos do Tribunal de Nuremberg completará 80 anos em 1º de outubro, afirmou que as lições do julgamento dos líderes nazistas ainda não foram assimiladas por todos os países.
Lavrov chegou a Nova York na quarta-feira (23) para participar das reuniões da Assembleia Geral. À margem do encontro, reuniu-se com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para discutir as relações entre Moscou e Washington e a guerra na Ucrânia.
Fonte: Brasil 247