Dinossauro com penas descoberto na China traz pistas sobre a origem do voo
Por Luan Monteiro — Jornal Opção

Um pequeno dinossauro coberto por penas, encontrado no nordeste da China, foi identificado como uma nova espécie e pode ajudar a compreender como estruturas relacionadas ao voo surgiram ao longo da evolução. Batizado de Norellraptor barsboldi, o animal pertence aos microrraptorinos, grupo de dinossauros próximos das aves na árvore evolutiva.
A descoberta foi publicada nesta terça-feira, 29, na revista Nature Communications. O fóssil foi encontrado por um agricultor nas proximidades de Lamadong, na província de Liaoning, e posteriormente doado ao Museu da Universidade Hebei GEO. O esqueleto mede cerca de 57 centímetros e está praticamente completo, embora algumas estruturas tenham se deslocado depois da morte do animal. Marcas de penas foram preservadas próximas a um dos braços, na região do quadril, na cauda e nas pernas.
A conservação do fóssil, no entanto, não permite reconstruir com precisão toda a plumagem. Os pesquisadores consideram possível que o animal tivesse penas assimétricas em uma das mãos, característica relevante para o estudo da evolução do voo.
A identificação da nova espécie foi feita a partir da combinação de características ósseas. Entre elas estão grandes aberturas na região do focinho, à frente dos olhos, e uma parte da bacia levemente curvada, terminada em uma pequena projeção.
O animal também apresentava dentes com bordas serrilhadas e uma garra curva no segundo dedo do pé, característica encontrada em dinossauros do grupo dos microrraptorinos.
Osso indica que animal viveu pelo menos três anos
Para estimar a idade do Norellraptor, os pesquisadores analisaram ao microscópio uma amostra do rádio, um dos ossos do antebraço. As marcas registradas durante o crescimento indicam que o animal viveu por mais de dois anos. Como parte das camadas mais antigas do osso pode ter sido reabsorvida ao longo da vida, a estimativa considerada mais cautelosa é de pelo menos três anos.
A análise também mostrou que o ritmo de crescimento do osso mudou ao longo da vida do animal. Segundo os pesquisadores, os dados permitem comparar o desenvolvimento dos braços do Norellraptor com o de outros microrraptorinos, embora o número de fósseis disponíveis para esse tipo de análise ainda seja limitado.
A principal contribuição do fóssil está na comparação entre os microrraptorinos e as primeiras aves. Os pesquisadores analisaram características anatômicas dos dois grupos para tentar reconstruir a sequência em que surgiram estruturas associadas ao voo. Das 194 mudanças anatômicas identificadas na evolução dos microrraptorinos, 57 também apareceram na linhagem das aves. A ordem em que essas transformações ocorreram, porém, foi diferente.
Nos microrraptorinos, determinadas alterações nos dedos teriam surgido antes de mudanças nos ossos do peito, do ombro e do punho. Na linhagem das aves, a sequência reconstruída foi inversa.
Para os autores, a diferença indica que estruturas semelhantes relacionadas ao voo podem ter surgido por trajetórias evolutivas independentes nos dois grupos. O fóssil, contudo, não permite determinar sozinho como o Norellraptor se deslocava no ar. A conclusão está relacionada à história evolutiva reconstruída a partir da anatomia do animal e da comparação com outras espécies.
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Fonte: Jornal Opção