Dino cita Ramagem e fala em risco de fuga de Mario Frias
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a deflagração de uma operação de busca e apreensão direcionada ao deputado federal Mario Frias (PL-SP), a ex-integrantes de seu gabinete parlamentar e a empresários suspeitos de integrarem uma organização criminosa voltada ao desvio de verbas públicas por meio de emendas parlamentares. A decisão foi proferida no âmbito da Petição (PET) 16.669/DF, instaurada a partir de apurações da Polícia Federal e de auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU).
Na fundamentação da medida cautelar, Dino fez menção expressa a episódios recentes envolvendo parlamentares sob investigação penal — citando nominalmente a apuração que envolve o ex-deputado e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem —, para fundamentar a necessidade das diligências e afastar eventuais questionamentos sobre a aplicação de medidas restritivas. O magistrado ressaltou que a evasão do país passou a ser uma hipótese concreta no meio político frente ao avanço de investigações do Judiciário. “Não se pode ignorar que o cenário público nacional, lamentavelmente, deu provas de que a evasão internacional é via cogitada por alguns parlamentares ante a perspectiva da persecução penal”, afirmou o ministro em sua decisão.
A apuração sobre Mario Frias teve origem a partir de descobertas da Controladoria-Geral da União. O inquérito policial foi instaurado formalmente em 23 de junho de 2026 pela Polícia Federal, por determinação do próprio ministro relator, visando apurar supostos crimes de peculato, fraude em licitação ou contrato, contratação direta ilegal, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, emprego irregular de verbas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo os relatórios oficiais apresentados pelas autoridades, a organização criminosa sob investigação teria atuado para direcionar verbas federais obtidas via emendas parlamentares a Organizações da Sociedade Civil (OSCs) de fachada ou sem capacidade operacional . As duas principais entidades envolvidas são o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas presididas pela empresária Karina Ferreira da Gama, identificada como pessoa de vínculos diretos e de campanha com Mario Frias .
O montante investigado engloba a destinação integral de R$ 2 milhões provenientes de duas emendas individuais do deputado Mario Frias. Além disso, a ANC de Karina Gama figurou como beneficiária apontada para verbas indicadas pelos deputados federais Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF), destinadas ao Estado de São Paulo para o projeto “Heróis Nacionais” — cujos repasses não chegaram a ser efetivados em virtude de impedimentos normativos e técnicos.
Fonte: Brasil 247