Diferente de outras eleições, não existe candidatura competitiva fora Flávio Bolsonaro e Lula, afirma cientista política
Por José Bernardes — Brasil de Fato
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcança 42% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha. No levantamento anterior feito pelo Datafolha, Lula tinha 40%, Flávio Bolsonaro somava 36%. Os índices colocam os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto no segundo turno e tornam uma liquidação em primeiro turno bastante improvável.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Tathiana Chicarino, professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), afirma que o cenário pouco se alterou e os dois principais candidatos “estão decidindo” o pleito. “Essa previsibilidade já existia antes mesmo da campanha. Embora alguns grupos econômicos ou midiáticos tenham tentado insuflar uma terceira via, isso não aconteceu”, pontua.
Chicarino, contudo, pondera que, nos últimos dias, Flávio alcançou votos de candidatos de direita que se provaram inviáveis, na reta final. “Diferente das outras eleições, a gente não tem candidatos de centro-esquerda, que são considerados mais um centro democrático. Não existe candidatura competitiva na esquerda. São 50 tons de extrema direita disputando as eleições, e o único com alguma viabilidade é o Flávio. Então é uma eleição com posicionamento mais cristalizado e a margem para disputa é muito pequena”, avalia. “Qualquer voto de indeciso ou mesmo abstenção pode fazer a diferença.”
A professora comenta a expressão capturada por algumas pesquisas, que é o “eleitor independente”. Segundo ela, esse é um “eleitor que não tem filiação afetiva com nenhum dos dois candidatos polarizados. Algumas pesquisas indicam que esses eleitores que podem mudar de lado não atingem 10%. É bem pouco”.
Para Tathiana Chicarino, diante de um cenário de maior probabilidade de ir para um segundo turno, o que terá alguma influência é o comportamento dos postulantes. “Renan Santos tem tido posições bem radicais e apostado em se colocar como diferente de Flávio e de Lula. Ele, na realidade, disputa a hegemonia no campo da direita, mas sabe que não vai ganhar agora. Ele pensa no futuro. Os eleitores que votam em Renan podem se alienar no segundo turno, ou seja, não irem votar. O voto em Augusto Cury é menos ideológico e, portanto, é menos pendular. E Caiado, que é mais direita tradicional, vai depender de como ele e Kassab vão se posicionar no segundo turno”, analisa.
Por fim, a cientista política considera que, em um cenário de segundo turno, as abstenções podem gerar algum desequilíbrio no resultado final. “Em São Paulo, por exemplo, que é o maior colégio eleitoral, há padrões de votação que indicam que, se eleito o governador em primeiro turno, a abstenção para o segundo é maior”, aponta.
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato