Dia da Árvore: Conheça o plano da Etiópia para plantar 50 bilhões de árvores até 2030 — e mobilizar a população para transformar o país

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No Dia da Árvore, celebrado no Brasil em 21 de setembro, a experiência da Etiópia mostra como o plantio de árvores pode deixar de ser uma ação pontual e se transformar em uma mobilização nacional. O país estabeleceu a meta de plantar 50 bilhões de árvores até 2030 por meio da Green Legacy Initiative (GLI), programa lançado pelo governo em 2019.
A iniciativa ganhou escala em um país que perdeu uma parcela significativa de sua cobertura vegetal nas últimas décadas. Segundo dados citados pelo The Guardian, entre o início dos anos 2000 e 2025, a Etiópia perdeu cerca de 560 mil hectares de cobertura arbórea, principalmente em razão da expansão da agricultura, da exploração madeireira comercial e do uso de carvão vegetal como combustível.
Os efeitos do desmatamento vão além da perda de árvores. A redução da cobertura vegetal afeta a biodiversidade, a qualidade do solo e os recursos hídricos e pode aumentar a vulnerabilidade das comunidades a eventos relacionados ao clima.

Apesar do histórico de perda de florestas, os indicadores citados na reportagem mostram uma mudança na trajetória. Entre 2013 e 2023, a taxa anual de desmatamento caiu de 92 mil hectares para 27.703 hectares. No mesmo período, a cobertura florestal do país teria aumentado de 15,5% para 23,6%, de acordo com dados apresentados na reportagem.
A Green Legacy Initiative é parte dessa estratégia. Segundo o governo etíope, 48 bilhões de árvores foram plantadas em sete anos, aproximando o país da meta de 50 bilhões estabelecida para 2030. A campanha também ganhou notoriedade internacional pelo tamanho de algumas ações. Em 2019, a Etiópia anunciou o plantio de 353 milhões de mudas em um único dia.
Para algumas comunidades, plantar é também sobreviver. A dimensão do programa nacional aparece de maneira mais concreta na história de moradores como Halima Kedir, de 35 anos, que vive no distrito de Berbere, na região de Oromia, na reportagem do The Guardian.
Kedir começou a plantar árvores por iniciativa própria. Foram tantas mudas que ela perdeu a conta. No início, segundo seu relato ao The Guardian, vizinhos chegaram a questionar o esforço. Com o crescimento das árvores, porém, a percepção da comunidade mudou. Hoje, seu jardim reúne espécies como banana, oliveira e grevílea. Para cuidar das mudas em uma região que enfrenta escassez de água, Kedir chega a caminhar cerca de uma hora para buscar água.
Ela compara o cuidado com as árvores à relação entre mãe e filho, fazendo referência ao guddifachaa, prática tradicional do povo Oromo relacionada à adoção e integração de crianças à comunidade. “Assim como adotamos uma criança em nossa tradição, eu as vejo como meus próprios filhos”, afirmou à reportagem.
A mobilização não se restringe a iniciativas individuais. Segundo a reportagem, milhares de famílias de comunidades próximas também aderiram ao plantio. Com apoio da WaterAid Ethiopia, mudas de espécies nativas foram distribuídas a famílias e instituições comunitárias em áreas que haviam sido degradadas.
A organização afirma ter distribuído aproximadamente 55 mil mudas, das quais cerca de 85% cresceram com sucesso. Para Alebachew Adem, diretor da WaterAid Ethiopia, iniciativas desse tipo podem ajudar comunidades de regiões secas e vulneráveis a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
A experiência etíope também ajuda a colocar em perspectiva o significado do Dia da Árvore. O plantio de uma muda pode parecer uma ação simples, mas seus resultados dependem de fatores como sobrevivência das plantas, disponibilidade de água, escolha das espécies e proteção das áreas restauradas.
No caso da Etiópia, a meta de 50 bilhões de árvores faz parte de uma política nacional de restauração ambiental, mas a história de pessoas como Kedir mostra a dimensão local desse esforço.
Em regiões afetadas pela degradação do solo e pela escassez de água, recuperar a vegetação pode significar não apenas ampliar a cobertura florestal, mas também tentar recuperar recursos dos quais as comunidades dependem.
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Fonte: umsoplaneta

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