Desastres climáticos deixam 25 mortos e causam R$ 12,6 bilhões em prejuízos no Brasil
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Entre os meses de julho e setembro de 2026, desastres provocados por mudanças climáticas afetaram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 municípios brasileiros, em um trimestre marcado por chuvas intensas e eventos extremos, segundo relatório divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). A entidade faz um alerta sobre a atuação do fenômeno El Niño, que deve favorecer a ocorrência de novos desastres no país nos próximos meses.
No período analisado pelo levantamento, foram registradas 25 mortes e 87,7 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. Os prejuízos econômicos alcançaram o valor de R$ 12,6 bilhões, concentrando os maiores impactos nos setores da agricultura e da pecuária.
Na região Sudeste, a entidade mapeou ocorrências como vendavais, deslizamentos de terra, chuvas de granizo e inundações. No estado de São Paulo, o inverno de 2026 foi registrado como o mais chuvoso desde 1995, ano em que teve início a série histórica do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura paulistana. Já no Vale do Ribeira, localizado no sul do estado, o nível do rio Ribeira de Iguape subiu cerca de nove metros, resultando na remoção de 152 famílias de suas residências.
O estado de Minas Gerais também figura entre as áreas da região Sudeste impactadas pelo período de maior instabilidade atmosférica. As previsões meteorológicas para a primavera indicam volumes de chuva acima da média no Sul de Minas e no Triângulo Mineiro, enquanto o estado de São Paulo deve enfrentar temporais mais frequentes.
No Rio Grande do Sul, os temporais ocorridos no mês de setembro atingiram 146 municípios e afetaram mais de 527 mil pessoas. Os eventos climáticos no estado resultaram na morte de quatro pessoas e deixaram mais de 3 mil desabrigadas ou desalojadas. O levantamento contabilizou ainda estragos e danos em quase 2,4 mil residências, 38 estabelecimentos de ensino e 17 unidades de saúde.
A região Nordeste concentrou a maior parte das perdas econômicas do país, registradas em decorrência dos impactos causados pela seca e pela estiagem.
Na região Norte, a diminuição das precipitações também gerou severos impactos. No intervalo de julho a setembro, os estados do Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia registraram decretos de situação de emergência relacionados à seca e à estiagem, com prejuízos diretos nas atividades de agricultura, pecuária, pesca e transporte.
O levantamento da CNM estima que 8,9 milhões de pessoas vivam atualmente em áreas de risco espalhadas pelo território nacional. A entidade destaca que a burocracia e a dificuldade no repasse de recursos federais prejudicam o andamento de ações de prevenção e resposta imediata aos desastres. De acordo com os dados apresentados pela confederação, um montante de R$ 12 bilhões destinados aos municípios desde o ano de 2010 ainda não foi devidamente pago.
A baixa execução desses repasses, segundo a CNM, compromete diretamente a capacidade de preparação das cidades frente aos eventos climáticos extremos. Entre as diretrizes e medidas recomendadas aos governos municipais estão a atualização periódica dos planos de contingência, o mapeamento detalhado das áreas de risco, a organização prévia de abrigos e rotas de evacuação, além do fortalecimento dos canais de comunicação com a população.
Fonte: Brasil 247