Deputados e senadores indígenas: quem são os candidatos à Bancada do Cocar
Por Flavia Coimbra — SUMAÚMA
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Nos próximos meses, o risco de incêndios e secas vai aumentar a passos largos, agravado pela crise climática e pelo desmatamento. Estão sob ameaça comunidades tradicionais e produtores rurais, mas o governo também precisa levar em conta pequenos povoados remotos
No universo cinza do Congresso Nacional, aumentar a participação das cores indígenas trará mais proteção à Amazônia. Foto: Lela Beltrão/SUMAÚMA
Movimentos lançam lista de nomes para tentar barrar a ‘bancada da destruição’ no Congresso
A cada quatro anos, o Congresso Nacional que resulta das urnas é catastrófico. Com mais recursos e poder a cada legislatura, senadores e deputados federais favoráveis à destruição da Floresta são eleitos ou reeleitos em massa. Nos últimos anos, eles conseguiram fragilizar a licença ambiental, diminuir os direitos territoriais dos povos originários e colocar na mira a permissão para mineração em Terras Indígenas.
Um relatório publicado pelo Conselho Indigenista Missionário, o Cimi, levanta projetos apresentados no Congresso que prejudicam os direitos dos povos indígenas desde 1991. Foram mais de 500 proposições.
Em outubro, o país pode começar a mudar essa história, caso escolha eleger deputados e senadores comprometidos com a vida. Por isso, SUMAÚMA apresenta abaixo uma lista de nomes apoiados pelas organizações indígenas pelo seu compromisso com a defesa da Floresta.
Embora quase 200 pessoas tenham se declarado Indígenas ao registrar suas candidaturas nestas eleições, as associações que representam os povos originários endossam 57, cujos nomes constam no site da Campanha Indígena, iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Apib, para estimular o aumento da participação dos povos originários na política institucional. O número inclui também suplentes de senador, candidatos aos legislativos estaduais e ao governo dos estados.
A maioria dessas candidaturas já foi julgada apta a concorrer. Em Brasília, porém, uma candidata a deputada distrital originalmente apoiada pelos grupos, Elainy Togojebado (REDE do Distrito Federal), teve a candidatura indeferida por falta de um documento. Por isso, não consta da lista. Outro candidato que consta da lista da Apib, Kâhu Pataxó (PCdoB da Bahia), concorre como participante de uma bancada coletiva registrada no nome de uma pessoa não indígena; como os dados do TSE não são dele, ele não está na lista de SUMAÚMA.
“Durante muito tempo, decisões fundamentais sobre nossa vida foram tomadas dentro do Congresso com uma presença indígena muito pequena”, diz Alana Manchineri, da coordenação política da Campanha Indígena. “Queremos um país que trate a demarcação como parte da sua soberania e reconheça que proteger os territórios é também enfrentar a crise climática.”
Já em junho, antes do registro formal das candidaturas, a campanha publicou uma carta pública para “Aldear os partidos”. O texto pede que os partidos políticos que abrigam candidaturas indígenas esclareçam quais medidas tomariam para fortalecer a participação indígena nas eleições deste ano. Mas a Campanha Indígena ainda não havia recebido formalmente nenhum documento com as medidas até 16 de setembro.
Desde 2024, a lei prevê que uma cota do Fundo Especial de financiamento de campanhas seja destinada a candidaturas indígenas. Os partidos escolhem a quem enviar esse dinheiro, e os nomes considerados com mais chances eleitorais costumam receber uma fatia maior – pelo sistema eleitoral brasileiro, um candidato que teve votação expressiva ajuda a eleger outros do mesmo partido. Esse dinheiro é importante porque permite que a pessoa faça viagens, imprima material de campanha e produza peças em vídeo.
“As novas regras do Tribunal Superior Eleitoral representam um avanço dessa luta, mas ainda existe uma desigualdade muito grande nas condições de campanha”, diz Marcos Sabaru, da coordenação política da Campanha Indígena, que cobra dos partidos melhor distribuição do dinheiro. “Também cabe ao TSE acompanhar esse processo, porque uma resolução só ganha força quando aquilo que está previsto chega aos territórios e às candidaturas.”
No quadro abaixo é possível conhecer as candidaturas registradas e endossadas pelas associações representativas dos povos indígenas. Há um filtro para consulta por estado. Para cada candidato, além do nome, partido e número de urna, informamos quanto sua campanha já recebeu, um dado atualizado diariamente. Também incluímos nos perfis os links das campanhas de financiamento coletivo dos candidatos que estão recebendo doações.
Informe-se e ajude a repovoar o Congresso!
Infográfico: Marcelo Soares e Rodolfo Almeida/SUMAÚMA
Reportagem e texto: Marcelo Soares
Edição: Talita Bedinelli
Edição de arte: Cacao Sousa
Edição de fotografia: Lela Beltrão
Checagem: Plínio Lopes
Revisão ortográfica (português): Valquíria Della Pozza
Infográficos: Rodolfo Almeida e Marcelo Soares
Montagem de página e acabamento: Flávia Coimbra
Coordenação de fluxo editorial: Viviane Zandonadi
Editora-chefa: Talita Bedinelli
Diretora de redação: Eliane Brum
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Fonte: SUMAÚMA
